Recordações fenícias

Barco moliceiro, na ria de Aveiro


O nosso país tem coisas muito interessantes, e entre elas está o carro fenício com rodas fixas ao eixo, o qual se revolve nas suas duas caixas presas ao carro!  

É muito singular que a locomoção mais moderna (o comboio por exemplo) também aplica o mesmo sistema nos seus carris de ferro.  Só que com rodas em cunha, caso contrário descarrilava nas curvas!  

Temos mais uma recordação fenícia entre nós, a qual, na realidade, é bem mais interessante que o nosso velho carro de bois, a quem o Chiado, em Lisboa, deve o seu apelido.  Essa recordação é o barco de pesca da Afurada, com os seus dois bem proporcionados bicos.  Um na prôa e o outro na ré.  

Provavelmente este barco deve ser a mãe da gondola de Veneza, a qual mantêm os dois bicos, e numa forma mais elegante, para a complacência das lindas venezianas dos tempos remotos e talvez (quem sabe) das de hoje.  

O que é certo é que o pescador no Douro trás debaixo dos pés uma barca clássica.  

É de notar como este pequeno barco serviu de molde para tantas derivações.  Assim, em tempos idos, achavamos uns barcos de pesca muito grandes na praia de Espinho, os quais venciam as ondas quebradas do Atlântico de uma maneira admirável e traziam para terra os cabos das redes cheias de milhões de sardinhas.  

Também serviu o clássico barco de molde para os barcos que povoam a ria de Aveiro, os quais teem debaixo do bico da prôa um dormitório muito confortável e espaçoso.  

Os fenícios, evidentemente, tinham a mente prática, artística, económica e expansiva!  


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