A hipótese da simulação




E se, neste exacto momento, tudo ao seu redor não for real?...  E se o céu, as estrelas, as cidades, a história da humanidade… e até mesmo a sua própria vida forem apenas linhas de código dentro de um sistema gigantesco?...  

Pode parecer uma ideia absurda à primeira vista.  Mas existe uma hipótese filosófica e científica que sugere exatamente isso.  A possibilidade de que o universo inteiro seja uma simulação.  

Essa teoria tem sido discutida por filósofos, físicos e cientistas da área da computação — e curiosamente, ela também inspirou alguns dos filmes e livros mais perturbadores da ficção científica.  

Porque se essa hipótese estiver correta…  Então a realidade pode ser muito diferente do que imaginamos.  

De onde surgiu essa ideia?...  
 
Embora conceitos parecidos existam em filosofias antigas — como o mundo ilusório descrito no hinduísmo (Maya) ou a Alegoria da Caverna, de Platão — a versão moderna da teoria surgiu em 2003.  

O filósofo da Universidade de Oxford, Nick Bostrom, publicou um artigo chamado “Simulation Argument”.  Ele propôs algo provocador.  Se civilizações tecnológicas avançadas forem capazes de criar simulações extremamente realistas de universos, então três possibilidades surgem:  

    1) Civilizações inteligentes quase sempre se extinguem antes de atingir esse nível tecnológico. 

    2) Civilizações avançadas não têm interesse em simular universos.  

    3) Nós provavelmente estamos vivendo dentro de uma simulação.  


Segundo o raciocínio estatístico dele, conclui que se existirem milhões de simulações para cada universo real, seria muito mais provável estarmos numa delas.



O  UNIVERSO  COMO  CÓDIGO:
 
Alguns cientistas já levantaram hipóteses curiosas sobre como uma simulação poderia funcionar.  Abaixo temos algumas das ideias discutidas:

-» O universo teria uma estrutura semelhante a pixels, conhecida como a “granularidade do
      espaço‑tempo”.  

-» As leis da física funcionariam como algoritmos extremamente precisos.  

-» A realidade poderia ter limites de processamento, semelhantes a um computador.  

      Um exemplo intrigante é o limite da velocidade da luz.  Alguns teóricos sugerem que esse limite
      poderia funcionar como uma espécie de “taxa máxima de transferência de dados” do universo.  

Há indícios curiosos que alimentam a teoria embora não exista prova de que vivemos numa simulação, alguns fenómenos fazem os pesquisadores e os filósofos levantarem as sobrancelhas.  Entre eles estão:  

-» A matemática governa perfeitamente a natureza.  O universo parece obedecer a equações com uma
      precisão impressionante.

-» O comportamento estranho da mecânica quântica.  Partículas podem existir em vários estados ao
      mesmo tempo até serem observadas — algo que alguns comparam a um sistema “renderizando” da 
      realidade apenas quando necessário.  

      Esse fenómeno aparece na famosa Experiência da Dupla Fenda, uma das experiências mais 
      misteriosas da física.  

      Nessa experiência clássica, cientistas disparam partículas extremamente pequenas — como
      eléctrons ou fótons (partículas de luz) — em direcção a uma barreira com duas pequenas fendas.
      Atrás dessa barreira existe uma tela que regista o sitio onde as partículas a atingem.  

      O resultado é surpreendente!...

      Se apenas uma fenda estiver aberta, as partículas se comportam como pequenas “bolinhas”,
      atingindo a tela de forma previsível.  Porém, quando as duas fendas estão abertas, surge um padrão 
      de interferência — típico de ondas, como as ondas na água. 

      Ou seja: a mesma partícula parece se comportar ao mesmo tempo como partícula e como onda. 

      O mistério fica ainda maior quando os cientistas tentam observar por qual fenda a partícula passa. 

      Quando a experiência é monitorada para descobrir o caminho da partícula, o padrão de onda
      desaparece — e ela volta a se comportar como uma partícula comum. 

      Em outras palavras: o simples acto de observar muda o comportamento da realidade ao nível
      quântico.  

      Essa característica intrigante faz alguns pensadores compararem o fenómeno a um sistema que só
      “renderiza” a realidade quando ela é observada, como acontece em alguns videojogos e simulações
      digitais.  

-» Constantes físicas extremamente ajustadas.  Pequenas mudanças nas constantes do universo
      tornariam a vida impossível.  Alguns chamam isso de “ajuste fino do universo”.



A  FICÇÃO  COMEÇOU  A  EXPLORAR  ESSA  IDEIA:

Curiosamente, muito antes da hipótese da simulação se tornar popular na filosofia moderna, livros e filmes já exploravam essa possibilidade.  Algumas histórias ficaram famosas justamente por levantar a questão: “E se a realidade for apenas um sistema artificial?”...

■ The Matrix (1999)
Talvez o exemplo mais conhecido.  No filme, a humanidade vive dentro de uma simulação criada por máquinas.  Enquanto as pessoas acreditam estar vivendo suas vidas normalmente, os seus corpos estão conectados a um sistema que mantém as suas mentes presas num mundo virtual.  

■ The Thirteenth Floor
Nesse thriller filosófico, cientistas criam uma simulação perfeita de uma cidade dos anos 1930.  Mas durante a história, um personagem descobre algo perturbador: o próprio mundo onde ele vive pode ser apenas outra simulação.  

■ eXistenZ
Neste filme de ficção científica psicológica, jogadores entram num jogo orgânico extremamente realista, onde a linha entre jogo e realidade se torna cada vez mais confusa — até que ninguém tem certeza se ainda está no mundo real.  

■ Nirvana
A história gira em torno de um programador que descobre que um personagem dentro de um jogo de realidade virtual ganhou consciência própria e percebeu que está preso numa simulação.  

■ Dark City
Nesse filme sombrio, uma cidade inteira é manipulada por entidades misteriosas que alteram memórias e realidade durante a noite, criando um cenário onde ninguém sabe o que é real. 

Muitos livros de ficção científica também exploraram essa ideia, como obras inspiradas nas histórias de Philip K. Dick, que frequentemente questionavam se a realidade poderia ser artificial.  Curiosamente, décadas depois dessas histórias, cientistas começaram a discutir seriamente a mesma possibilidade.



CIENTISTAS  QUE  LEVARAM  A  IDEIA  A  SÉRIO:

Embora muitos vejam a hipótese apenas como filosofia, algumas figuras famosas já falaram sobre ela.

O empresário e engenheiro Elon Musk, afirmou numa conferência que acredita haver uma alta probabilidade de estarmos a viver numa simulação.  

Já o físico Neil deGrasse Tyson, disse que a possibilidade não pode ser descartada.  E alguns físicos chegaram a propor experiências para tentar detectar limites computacionais na estrutura do universo.  

Se isso fosse verdade…  Se o universo fosse realmente uma simulação, surgiriam perguntas profundas:  

-» Quem criou essa simulação?...

-» Ela foi criada para estudo, entretenimento, lazer ou para outro propósito que nem conseguimos
      imaginar?...  

-» Existiriam níveis de realidade acima do nosso universo?...


Alguns pensadores chegam a sugerir que civilizações avançadas poderiam rodar simulações históricas, recriando civilizações antigas para estudar o seu comportamento.  Nesse caso, nós poderíamos ser apenas uma recriação do passado de alguém.  O universo como um holograma?...  

Existe outra ideia científica intrigante que às vezes aparece nas discussões sobre a hipótese da simulação: o Princípio Holográfico.  

Esse conceito surgiu a partir de estudos sobre buracos negros feitos por físicos como Stephen Hawking, Gerard 't Hooft, entre outros, e posteriormente desenvolvido por Leonard Susskind.

A proposta é surpreendente.  Segundo essa hipótese, toda a informação contida num volume de espaço pode, na verdade, estar codificada numa superfície bidimensional que o envolve — como se o universo tridimensional fosse apenas uma projeção.

Em outras palavras:  o universo poderia funcionar como um holograma cósmico.  Assim como um holograma comum é uma imagem tridimensional projectada a partir de uma superfície plana, alguns físicos sugerem que toda a realidade tridimensional poderia emergir de informações armazenadas numa “superfície” do universo.  

Essa ideia surgiu quando cientistas tentavam entender o que acontece com a informação dentro de um buraco negro.  Os cálculos indicavam algo estranho:  a quantidade máxima de informação que pode existir dentro de uma região do espaço parece depender da área da sua superfície, e não do seu volume.  

Isso levou alguns pesquisadores a considerar uma possibilidade radical:  Talvez o universo que percebemos em três dimensões seja, na verdade, uma projeção de informações armazenadas numa dimensão inferior.

Se essa hipótese estiver correcta, então a nossa realidade poderia ser algo parecido com uma gigantesca tela cósmica projectando tudo o que existe.  E curiosamente, essa ideia combina de forma surpreendente com a hipótese da simulação.  Porque em ambos os casos surge a mesma pergunta inquietante:  e se o universo que vemos não for o nível mais fundamental da realidade?...  Um pensamento perturbador!…

Se estivermos numa simulação perfeita, então todas as evidências dentro dela também fariam parte da simulação.  Isso significa que talvez nunca possamos provar ou refutar essa hipótese.

E se isso for verdade, talvez a pergunta mais assustadora não seja “Estamos a viver numa simulação?”.

Mas sim, a pergunta, “QUEM É QUE NOS ESTÁ A OBSERVAR?”...  



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Um esbulho para a nação


Imigrantes africanos


Dir-se-á que enquanto os governos falarem uns com os outros, não haverão guerras.  Poderá um dia resultar, mas alguém acredita que estamos perto disso?... 

Deve ser por tal desiderato que deixaram ir para a ONU o nosso António Guterres, conhecido na gíria por "picareta falante", mas não passa disso.  Puseram lá um ser com ar de "bonzinho", o que só demonstra a nossa irrelevância política, ao contrário do que para aí muitos quiseram fazer crer, engalanando em arco.  

Algo que já tinha ocorrido com a nomeação do Professor Freitas do Amaral como Presidente da Assembleia Geral, um cargo que só encontra paralelo na função reprodutora dos altos dignitários da Igreja que se portam segundo os ditames que juraram e não se envolvem nos tão propalados (e lamentáveis) actos de pedofilia.  A Santa Sé (ou a Igreja no seu Magistério?), por sinal, parece estar muto em apoio deste malfadado "Pacto de Marraquexe".  Porque será?...  

Bom, mas voltemos ao Pacto das Migrações.  Pacto que deve merecer, desde já, a revolta de todos os "coletes amarelos" e de todas as outras cores.  

Como é possível que um acordo complexo como este, de âmbito tão lato e que toca a soberania e toda a ordem social e cultural das nações, seja negociado durante um ano (ao que se diz) e só se comece a ouvir falar dele uns dias antes de ser assinado?...  E porquê em Marraquexe?...  

Porque em vez de terem assinado esta aberração, não fizeram um pacto para criminalizar e enclausurar quem anda a fomentar as migrações desregradas e as organizações mafiosas de tráfego humano?...  

Concentremo-nos no caso português.  Quem é que o governo português e restantes órgãos de soberania julgam representar ao terem tomado esta atitude?...  A atitude de tudo esconder, de não auscultar, de desinformar?...  Atitude do facto consumado?...  Sobretudo atitude do lesa-pátria!  

O que faltará para se querer impor que cada família acolha e sustente um alienígena qualquer que lhe bata à porta?...  Qual é a diferença?...  Ou andam (os políticos) armados em "chicos espertos" pensado que os imigrantes não querem vir para cá?...  Enxerguem-se!  

Por ventura há na Constituição da República algum artigo que permita, ou quiçá aconselhe, um comportamento destes?...  Pois não parece que haja!  

Esta atitude de prepotência e de brutal descaminho do interesse nacional deve merecer a revolta de todos os bons portugueses.  E antevendo o protesto dos povos, vêm com falinhas mansas dizer que o Pacto não é vinculativo e não põe em causa a soberania dos Estados?...  Mentirosos!   Se não põe, para que serve o Pacto?...  Não bastava deixar tudo como estava?...  

O Pacto, assinado por cerca de 160 países, só se repercutirá efectivamente em 20 ou 30, que são os apelidados de "primeiro mundo", nomeadamente os europeus, pois são estes que recebem imigrantes.  É uma batota despudorada e pelos vistos não há um único político no país que dê conta e a denuncie.  Será que andamos a eleger grunhos, distraídos e vendidos (vá-se lá saber a quê ou a quem)?...   

Mas alguém (imigrante) quer ir para Àfrica, para a Ásia (excluindo o Japão, que tinha a coisa controlada) ou para a maioria dos países da América Latina, muito menos para os países comunistas ou de religião islâmica, que tratam os não crentes como tratam os cães?...  

Mas será que esta gente, que anda a incentivar estas insanidades, é doida?...  Não, é simplesmente repulsiva, pois por falsos conceitos de humanidade querem acabar com as nações, com as fronteiras, amalgamar tudo.  Visa-se sobretudo mestiçar todo o mundo, acabando com as raças, mas visando sobretudo a raça branca, ou melhor dizendo, a espécie humana branca.  Isto é de uma evidência que até doi.  

A ONU visa objectivamente (isto é, quem a manipula) o Governo Mundial que contribuirá tendencialmente para ter um único povo (a Humanidade), uma só religião (?), uma só moeda (e depois a ausência desta), uma só justiça, uma só polícia (presume-se que os exércitos acabarão por serem desnecessários), etc, etc...  

Essa gente é tarada e é perigosa!...  

Os únicos que, à partida, estão a salva desta hecatombe são os judeus, pois são o único povo que até hoje sobreviveu durante 2.000 anos sem Estado e sem território, está protegido pela sua religião e pela sua tradição de descendência matriarcal (Israel não assinou o Pacto).  Para além do facto de dominarem grande parte da finança mundial.  

O Pacto agora assinado embora cerca de 30 nações não o tenham feito, tem dentes aguçados: prevê a propaganda da imigração; a equiparação de nacionalidade; o aconchego dos que chegam (quem vai pagar?); a criminalização dos que se opuserem e outros mimos.  Ilustrem-se.  Tudo muito democrático... 

Isto representa um futuro esbulho para a Nação Portuguesa, um esbulho da sua nacionalidade, da sua matriz cultural, da sua terra, dos seus bens, da sua identidade e, finalmente, da sua individualidade, do seu futuro.  

Não admira que queiram desarmar a população, pois têm medo de que esta possa ter qualquer veleidade de se opor a crimes de lesa-Pátria como este.  

Quando Portugal, na sua velha sabedoria e missão de séculos, foi construindo uma nação plurirracial e pluricontinental de matriz lusíada, que representava um exemplo para o mundo e não ameaçava ninguém, as principais potências do globo, outras invejosas da sua inferioridade, racistas, colonialistas, etc., e a porcaria da ONU, atacaram-nos sem dó nem piedade, e só descansaram quando nos esbulharam de todo o património ultramarino.  

E agora essa desgraça, irresponsável e desacreditada organização - cuja Wall Street (outra entidade que quer dominar o mundo...) foi fundada em parte por judeus portugueses que quiseram acompanhar os holandeses expulsos do Brasil no século XVII - que tem à frente um português desnaturado ("um peixinho vermelho em pia de água benta", lembram-se?), quer inundar estes 92.000 km2 com a ralé do globo, alegando causas e efeitos a que a "Terra de Santa Maria" é alheia, extinguindo-nos a prazo!  Já não lhes bastava andarem a vender o país aos bocadinhos!...  

Só por cima do meu cadáver!  O brado de "Mouros em terra, moradores ás armas", nunca foi tão actual.  Com a situação mais gravosa - que tresanda a 1580 - de que agora a "moirama" está infiltrada nos órgãos de soberania.  Isto não é a feijões.  

Razão tem a Primeira-Ministra nipónica!  



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Fonte: 
João José Brandão Ferreira, 
in Jornal O Diabo, de 5 de Junho de 2026



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A História do programa nuclear israelita

Complexo nuclear de Dimona


A história do programa nuclear israelita começa muito antes de Dimona aparecer nos mapas de inteligência norte‑americanos.  Em 1952, apenas quatro anos após a criação do Estado de Israel, David Ben‑Gurion criou a Comissão de Energia Atómica de Israel.  A decisão não surgiu de preocupações energéticas, pois Israel não possuía uma indústria capaz de justificar um grande programa nuclear civil e a produção de electricidade não era a prioridade.  Para Ben‑Gurion, a questão era estratégica.  

O novo Estado tinha uma população pouco numerosa, território limitado e estava rodeado por países com forças armadas muito superiores em número.  A conclusão a que chegou foi simples: a longo prazo, a sobrevivência de Israel não poderia depender apenas da capacidade militar convencional ou das garantias de aliados estrangeiros.  

Durante os anos seguintes, Israel desenvolveu uma rede internacional de cooperação científica e tecnológica que lhe permitiu adquirir conhecimento nuclear muito acima daquilo que seria expectável para um país da sua dimensão.  O primeiro passo importante ocorreu através do programa norte‑americano “Atoms for Peace”, que permitiu a construção do reactor de investigação de Soreq.  Oficialmente, o programa israelita apresentava‑se como um projecto científico semelhante aos existentes em dezenas de outros países.  No entanto, paralelamente, desenvolvia‑se uma segunda via muito mais ambiciosa.  

A crise do Canal do Suez, em 1956, aproximou estrategicamente Israel e França.  Os dois países, juntamente com o Reino Unido, participaram na operação militar contra o Egipto, de Gamal Abdel Nasser.  A cooperação militar estabelecida nesse período abriu caminho para um acordo muito mais importante.  Em 1957, França aceitou fornecer tecnologia, assistência técnica e apoio à construção de um reactor nuclear muito mais avançado do que aquele que existia em Soreq.  Nascia então o projecto Dimona.  

Quando as obras começaram no deserto do Negev, Israel procurou manter o máximo secretismo possível.  A dimensão da instalação acabou por tornar impossível esconder a sua existência.  Em 1960, aviões U‑2 norte‑americanos e outras fontes de inteligência identificaram o complexo.  A administração Eisenhower pediu explicações.  As respostas israelitas variaram ao longo do tempo.  Em diferentes momentos foram apresentadas justificações relacionadas com investigação científica, desenvolvimento industrial e utilização pacífica da energia nuclear.  Nenhuma delas convenceu completamente os especialistas norte‑americanos.  

Relatórios internos da CIA e da Comissão de Energia Atómica dos Estados Unidos, concluíram rapidamente que a escala do projecto não era compatível com os objectivos declarados.  A preocupação aumentou quando ficou claro que o reactor poderia produzir plutónio em quantidades adequadas à construção de armas nucleares.  A questão deixou de ser se Dimona tinha potencial militar.  A questão passou a ser saber até onde esse potencial estava a ser desenvolvido.  

O Presidente John F. Kennedy, tornou‑se o principal opositor internacional do programa nuclear israelita.  Entre 1961 e 1963, pressionou repetidamente o governo israelita para permitir inspeções regulares e abrangentes.  A administração Kennedy receava que o aparecimento de uma potência nuclear no Médio Oriente desencadeasse uma corrida armamentista regional.  Os israelitas acabaram por aceitar visitas periódicas de especialistas norte‑americanos, mas os acontecimentos posteriores demonstraram que essas visitas estavam longe de corresponder àquilo que Washington imaginava.  

Durante décadas, os inspectores acreditaram que tinham observado os elementos essenciais do complexo de Dimona.  Investigações posteriores, documentação desclassificada e trabalhos de investigadores como Avner Cohen, William Burr e Seymour Hersh, revelaram uma realidade muito diferente.  O complexo incluía instalações subterrâneas destinadas ao reprocessamento de plutónio que nunca foram mostradas aos visitantes norte‑americanos.  Algumas áreas foram deliberadamente ocultadas.  Segundo várias fontes, as equipas de inspeção foram conduzidas através de percursos cuidadosamente preparados e terão sido utilizadas salas de controlo falsas destinadas a criar uma imagem enganadora do programa.  O objectivo era simples: convencer os norte‑americanos de que Dimona não possuía capacidade operacional para produzir material destinado a armas nucleares.  

Ao mesmo tempo que ocultava partes essenciais da instalação, Israel procurava garantir o acesso aos materiais necessários para sustentar o programa.  Uma das operações mais importantes envolveu a aquisição de concentrado de urânio proveniente da Argentina.  Cerca de uma centena de toneladas foram adquiridas em condições que despertaram suspeitas em Washington.  Paralelamente, a Noruega forneceu água pesada, um componente fundamental para o funcionamento do reactor.  Décadas mais tarde, a própria Noruega viria a questionar a forma como esse material tinha sido utilizado.  

Nenhum episódio gerou tantas suspeitas quanto o caso NUMEC.  Entre as décadas de 1950 e 1970, desapareceram centenas de quilogramas de urânio altamente enriquecido das instalações da Nuclear Materials and Equipment Corporation, na Pensilvânia.  Investigações do FBI, da CIA e de outras agências, nunca conseguiram determinar de forma conclusiva o destino desse material.  Ao longo dos anos acumularam‑se indícios de contactos entre responsáveis da empresa e agentes israelitas ligados ao sector nuclear e aos serviços de informações.  Nenhuma prova definitiva foi apresentada.  Contudo, também nunca surgiu uma explicação satisfatória para justificar o desaparecimento de uma quantidade de material suficiente para desempenhar um papel relevante num programa nuclear militar.  

Em meados da década de 1960, os responsáveis norte‑americanos já compreendiam que Israel se encontrava muito próximo de alcançar capacidade nuclear.  A Guerra dos Seis Dias, em 1967, tornou essa realidade particularmente sensível.  Estudos históricos posteriores indicam que existiram planos de contingência para uma demonstração nuclear no Sinai caso a situação militar se deteriorasse gravemente.  A rápida vitória israelita tornou esses cenários irrelevantes, mas o simples facto de terem sido considerados demonstra o grau de desenvolvimento atingido pelo programa.  

Em 1969 ocorreu o momento decisivo.  Golda Meir reuniu‑se com Richard Nixon e foi alcançado um entendimento informal que moldaria a política nuclear israelita até aos dias de hoje.  Israel não realizaria testes nucleares públicos, não declararia oficialmente a posse de armas nucleares e manteria a sua política de ambiguidade estratégica.  Em troca, os Estados Unidos deixariam de exercer pressão significativa sobre a questão.  A partir desse momento, o programa nuclear israelita deixou de ser um problema a resolver e passou a ser uma realidade silenciosamente aceite.  

A política de ambiguidade transformou‑se numa das características mais peculiares da estratégia israelita.  Israel nunca confirmou possuir armas nucleares.  Nunca assinou o Tratado de Não Proliferação Nuclear.  Nunca aceitou o regime de inspeções imposto a outros países.  Apesar disso, sucessivas administrações norte‑americanas e governos ocidentais passaram a tratar o assunto como uma questão encerrada.  

Em 1979 surgiu outro episódio controverso.  Um satélite norte‑americano detectou um duplo clarão sobre o Atlântico Sul, um fenómeno frequentemente associado a testes nucleares atmosféricos.  Rapidamente surgiram suspeitas de uma possível cooperação entre Israel e a África do Sul do tempo do apartheid.  Embora nunca tenha sido apresentada uma conclusão definitiva, numerosos especialistas continuam a considerar plausível a hipótese de um teste nuclear conjunto.  

A cooperação entre Israel e a África do Sul constituiu, aliás, uma das áreas mais polémicas da história do programa nuclear israelita.  Documentação revelada posteriormente demonstrou a existência de uma relação militar e tecnológica profunda entre os dois países durante os anos 70 e 80.  O debate sobre o alcance exacto dessa cooperação continua aberto, mas a associação entre um Estado que se apresentava como aliado privilegiado do Ocidente e um dos regimes mais isolados do planeta, permanece um dos capítulos mais desconfortáveis da Guerra Fria.  

A confirmação pública mais significativa surgiu apenas em 1986.  Mordechai Vanunu, técnico que trabalhara em Dimona, forneceu ao Sunday Times fotografias e informações detalhadas sobre as instalações nucleares israelitas.  As imagens permitiram aos especialistas concluir que a capacidade do programa era significativamente superior à estimada anteriormente.  Pouco depois da divulgação, Vanunu foi atraído para Itália por uma agente do Mossad, sequestrado, transportado para Israel e condenado a dezoito anos de prisão, grande parte dos quais cumpridos em isolamento.  

Actualmente, Israel continua a manter a mesma posição adoptada há mais de meio século.  Não confirma, mas também não nega.  Estimativas independentes apontam para um arsenal de várias dezenas ou mesmo mais de uma centena de ogivas nucleares, apoiado por mísseis balísticos, aeronaves e submarinos capazes de assegurar uma capacidade de resposta mesmo após um ataque devastador.  Foi neste contexto que Seymour Hersh, popularizou a expressão “Samson Option”, uma referência à figura bíblica de Sansão, que derruba o templo sobre si próprio e sobre os seus inimigos.  A expressão descreve a ideia de que, perante uma ameaça existencial, Israel poderá recorrer a uma retaliação nuclear maciça destinada a garantir que a destruição do Estado não ocorra sem consequências catastróficas para os seus adversários.  

A história do programa nuclear israelita não é apenas a história de um arsenal construído em segredo.  É também a história de uma sucessão de operações clandestinas, acordos diplomáticos silenciosos, instalações ocultadas, inspeções condicionadas, materiais adquiridos por vias controversas e decisões políticas que permitiram a criação da única potência nuclear do Médio Oriente fora do regime internacional de não proliferação.  Mais do que qualquer outro caso da era nuclear, demonstra que a diferença entre aquilo que é considerado aceitável e aquilo que é considerado uma ameaça raramente depende apenas das regras.  Depende quase sempre de quem as está a violar.  



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Um comentário sobre o 25 de Abril de 1974



O fenómeno do 25 de Abril de 1974, corresponde tecnicamente a um golpe de estado militar, feito por oficiais superiores das Forças Armadas portuguesas no activo contra o governo reconhecido do Estado português.  Todas as características, sem excepção, permitem qualificar o evento como um golpe de Estado.  A sua origem próxima parece estar em fenómenos de natureza corporativa militar.  Todavia, o Governo do Estado Novo, depois da morte do Dr. Oliveira Salazar, anunciou uma abertura para, depois, se enfiar num beco sem saída, no que toca à questão da chamada Guerra do Ultramar ou Guerra Colonial. 

1º)  A sociedade portuguesa apresentava um atraso muito evidente em termos gerais, e ultimamente gritante, desde logo comparando com a vizinha Espanha.  Em 1974 não havia uma única auto-estrada concluída.  Vivíamos num país de pobreza e de emigração sistemática e com um crescimento desinteressante para a generalidade da população.  O regime havia falhado na criação duma grande classe média dominante e na progressiva democratização do Estado.  Era também evidente uma pressão externa para a descolonização e democratização da parte dos nossos aliados.  Desde o malogrado presidente Kennedy que os Estados Unidos da América, a nossa potência directora na NATO em plena guerra fria, havia feito um ultimato a Portugal para descolonizar e democratizar. 

2º)  Depois da festa urbana da chamada liberdade, iniciaram-se dois eventos que mudariam a história mundial: em primeiro lugar a chamada “descolonização exemplar” que consistiu exclusivamente na entrega sem quaisquer votações das antigas colónias aos movimentos respectivos marxistas-leninistas, provocando a catástrofe dos retornados, a desgraça de centenas de milhar de famílias que haviam optado pela vida noutro continente e que, de um momento para o outro, se viram despojados de praticamente tudo.  Foi assim que o império colonial português transitou para a esfera marxista, representada desde logo pelos partidos PAIGC, MPLA,UNITA, FRETILIN e em 1999 para o Partido Comunista da China.  Como o critério era exclusivamente político, ninguém explicou, nem era preciso, porque é que uns territórios outrora totalmente vazios, descobertos por Portugal, de natureza insular, colonizados por nós, com povos mestiços (Cabo Verde, e, São Tomé e Príncipe) eram considerados colónias e os outros, colonizados por mestiços mais claros (Açores e Madeira) não o eram.  O segundo evento foi o chamado PREC, ou seja, o Processo Revolucionário Em Curso.  

3º)  O PREC construído paulatinamente em 1974 e entronizado oficialmente pelo golpe de Estado de 11 de março de 1975, constituiu uma folia colectiva em que só não foram proibidos e ilegalizados partidos de esquerda e um do centro, em que a Assembleia Constituinte foi cercada e sequestrada pelas massas populares organizadas, em que se ocupou maioria do Alentejo e da Beira Baixa com a Reforma Agrária, confiscando as propriedades, o gado, as alfaias agrícolas, as instalações, a terra, e os seus produtos, aos legítimos proprietários, sem qualquer indemnização, ao mesmo tempo que se confiscavam as empresas privadas designadamente toda a banca, todas as seguradoras, todas as empresas de industrias pesadas, sem contar com um conjunto enorme de empresas detidas por estas.  A função pública e as empresas privadas foram sujeitas a depurações e saneamentos, despedimentos e expulsões políticas sem direito a contraditório e indemnização de milhares e milhares de pessoas por suspeita de ligações ao antigo regime.  As prisões encheram-se de presos políticos acusados de ”ligações à reacção”.  Criaram-se movimentos armados clandestinos de direita, designadamente o ELP, Exército de Libertação de Portugal, e o MDLP Movimento Democrático para a Libertação de Portugal, que actuavam sobretudo no norte.  Foi criada uma espécie de fronteira em Rio Maior e o Verão quente de 1975 caracterizou-se pelo avanço da revolução no Centro e Sul e o avanço violento da contrarrevolução no Norte.  Estava instalado o caos e o caminho para uma guerra civil.  Um pequeno grupo de militares adiantou um contragolpe em 25 Novembro de 1975, para pôr fim ao governo comunista do General Vasco Gonçalves, primeiro-ministro afecto ao PCP, restaurar o liberalismo, impedir guerra civil, e abrir caminho à democratização do Estado em termos ocidentais.

4º)  Daquilo que sei hoje, se o processo histórico não tivesse ocorrido desta maneira acredito que estaríamos agora com resultados em tudo idênticos.  É o funcionamento do princípio da força normativa dos factos.  Mas isso dava outro artigo, eventualmente bem mais interessante. 


António C. A. de Sousa Lara 
        (Prof. Universitário)


 ■ FIM ■ 



Preservar o modo de vida japonês importa mais

Sanae  Takaichi
Primeira-Ministra  do  Japão


As frases abaixo publicadas foram proferidas pela Primeira-Ministra do Japão, Sanae Takaichi.  Leal ao seu povo e à sua raça. 


É melhor que a população diminua do que encher o país
com imigrantes pouco qualificados provenientes de culturas
estrangeiras.

Preservar o modo de vida japonês importa mais do que a
mão-de-obra barata.

Podemos resolver a crise da taxa da natalidade sem depender
de estrangeiros incompatíveis.

Deixas de ter um pais quando te tornas a minoria.



A ela a minha vénia, GRANDE MULHER ! ...



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Fontes:









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