Como é que a Europa se tornou tão fraca e cega?
A Europa não se tornou fraca de um dia para o outro. Décadas de baixas taxas de natalidade, um consenso das elites contra a afirmação cultural e o hábito de tratar a imigração em massa como um bem moral, em vez de um facto demográfico e político, deixaram grandes partes do continente incapazes de impor a ordem básica. O resultado de tudo isso está claramente visível em França.
A agitação estudantil que começou no final de Setembro (2026) por causa das condições nas escolas — sobrelotadas, falta de professores, edifícios degradados, etc. — transformou-se em violência de rua concentrada nos subúrbios.
Mais de mil liceus foram afectados, cerca de 220 bloqueados no pior dia e, cerca de 400 escolas secundárias encerradas na sexta-feira. Os números do Ministério do Interior apontam para perto ou acima de 2 mil detenções, na grande maioria adolescentes. Centenas de agentes da polícia ficaram feridos (305 registados só na quinta-feira, segundo algumas contagens), e entre o pessoal da educação contam-se dezenas de feridos. As autoridades chamam-lhe agora violência urbana, e não um protesto escolar, e apontaram a agitação da extrema-esquerda, incluindo movimento França Insubmissa, fundado por Jean-Luc Mélenchon, como um factor que alargou a desordem.
Os incidentes mais graves dos últimos dias incluem vários incêndios em escolas, pessoal do liceu Victor Hugo, em Marselha, alegadamente salpicado com gasolina, vídeos de professores agredidos por alunos, fogo de artifício do tipo morteiro disparado contra as linhas da polícia, vedações derrubadas, lojas saqueadas em alguns locais e perturbações nos transportes públicos em Marselha e Estrasburgo, após vandalismo e ameaças.
Seine-Saint-Denis, em Paris, tem sido um centro dos bloqueios e dos confrontos. A demografia dessa zona não é segredo, grandes populações norte-africanas e subsarianas, elevadas concentrações de residentes muçulmanos e um longo historial de motins quando a ordem fraqueja. As queixas imediatas invocadas por muitos alunos são reais — tectos com infiltrações, professores ausentes, turmas sobrelotadas. Os métodos (incêndios contra escolas, ataques ao pessoal, fogo de artifício usado como arma) correspondem mais a padrões vistos em anteriores episódios de violência urbana francesa do que à política estudantil comum.
A comparação com o Irão em 1979 é inevitável. No Irão, facções de esquerda e islamistas cooperaram contra o Xá Mohammad Reza Pahlavi. Depois de tomarem o poder, muitos desses esquerdistas foram presos ou executados. Na Europa Ocidental, o paralelo existente é de natureza política — sectores da esquerda radical trataram redes islâmicas como aliadas contra o Estado liberal, policiando o discurso sobre a integração e, ao mesmo tempo, minimizando os padrões de criminalidade, normas paralelas e incidentes antissemitas associados a esses mesmos grupos. É provável que o pacto termine da mesma forma, perante o inferno que se desenrola agora nas ruas de França.
A esquerda quis ter o seu próprio exército privado para comandar.
Mas irá ser devorada pela força que criou.
■
