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Xerxes I, da Pérsia

Xerxes I,  da Pérsia
Retratado por Hollywood   vs   Retratado por Historiadores honestos.

Xerxes I, da Pérsia, era um homem extraordinariamente alto — não era um gigante lendário, mas alguém cuja estatura chamava a atenção em qualquer assembleia. 

Os gregos, sempre dramáticos nos seus relatos sobre os inimigos, exageraram ao ponto de afirmar que ele teria mais 2,50 metros de altura.  Do mesmo modo, a versão apresentada por Hollywood, no famoso filme "300" — um tirano caricatural, cheio de piercings e com um visual quase alienígena — é pura distorção e fantasia estética.  Nem mesmo as fontes helénicas que eram suas inimigas o retratavam assim.  

Apesar das distorções, há um consenso entre os registos antigos: Xerxes I, era muito alto, forte e de presença notável.  Não era apenas um nobre ornamental; ele havia cumprido os dez anos obrigatórios de serviço militar persa, passando por treinamentos severos que moldavam os seus guerreiros desde cedo.  Era versado no arco, no uso da lança, na equitação e nas tácticas militares — habilidades indispensáveis para qualquer membro da aristocracia Aqueménida.  

A sua barba, longa e cuidadosamente trançada, seguia o padrão de distinção da realeza persa.  Essa aparência imponente influenciava até os seus adversários: alguns autores gregos chegavam a admitir, com certo respeito relutante, que “para um persa, temer é o mesmo que ser escravo”, um elogio indirecto à coragem e à disciplina que o império de Xerxes I cultivava.  

Na prática, Xerxes I estava muito mais próximo de uma figura heroica e robusta — algo mais parecido com o Leónidas interpretado por Gerard Butler — do que com a figura afectada e estilizada que Hollywood perpetuou.  Essa versão visual distorcida em que o filme se baseou, veio directamente da banda desenhada "300 de Esparta", escrita e ilustrada por Frank Miler, que não teve o cuidado de adoptar qualquer base histórica real.  

As fontes gregas, inclusive, descrevem Xerxes I como um homem de “tamanho extraordinário” para a sua época.  Os seus relevos e representações o colocam claramente acima da média, mas nas fontes históricas não há evidência de gigantismo ou anomalias físicas.  Se tivesse acromegalia, por exemplo, não teria vivido com saúde até quase aos 50 anos — idade avançada para os padrões de esperança de vida da sua época — antes de ser assassinado numa conspiração palaciana.  

Concluindo: Xerxes I, não foi o monstro dourado que Hollywood nos apresentou  no filme "300", nem um gigante mítico.  Foi um líder militar de grande porte, vigoroso, temido e respeitado — exactamente o tipo de presença que se espera de um rei que comandou o maior império da Terra do seu tempo.  



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Qual era a raça dos antigos gregos e romanos?



Filmes recentes sobre a Grécia Antiga, tais como "Troia", "Helena de Troia" e "300", usaram actores de ascendência anglo-saxônica ou celta (por exemplo, Brad Pitt, Gerard Butler).  Filmes recentes sobre a Roma Antiga, tais como "Gladiador" e a série "Roma" da HBO, fizeram o mesmo (por exemplo, Russell Crowe).  Os directores estavam certos, do ponto de vista histórico?  Os antigos gregos e romanos eram de origem norte europeia (nórdica)?  

A maioria dos historiadores clássicos permanece hoje em silêncio sobre o assunto.  Por exemplo, Paul Cartledge, professor de cultura grega em Cambridge, escreve sobre a sua especialidade, Esparta, para leitores cultos, porém não académicos, mas em nenhum lugar que eu encontre ele discute as origens raciais dos espartanos.  Alguns anos atrás, perguntei a vários professores de clássicos sobre a raça dos antigos gregos, apenas para receber um encolher de ombros, que sugeria que ninguém sabia e que não valia a pena investigar aquilo.  Hoje, o interesse pela raça dos antigos parece ser visto como um sinal pouco saudável, e qualquer evidência de suas origens nórdicas é descartada por medo de que isso possa gerar sentimentos perigosos.  

Há cem anos atrás, porém, os europeus do norte consideravam natural que muitos gregos e romanos eram da mesma raça que eles.  A famosa 11ª edição da Encyclopedia Brittanica, publicada em 1911, observou que "a sobrevivência de cabelos claros, pele clara e olhos claros entre as classes altas em Tebas e algumas outras localidades mostra que o tipo loiro de humanidade, característico do noroeste da Europa, já havia penetrado nas terras gregas antes da época clássica".  Acrescentou que os primeiros gregos, ou helenos, eram nórdicos, uma das "tribos de cabelos claros da Europa Superior conhecidas pelos antigos como Keltoi".  Sessenta anos atrás, até Bertrand Russell, o filósofo e socialista britânico, acreditava que os helenos "eram invasores loiros do Norte, que trouxeram a língua grega consigo" (História da Filosofia Ocidental, 1946).  

Os estudiosos hoje recuam diante desse consenso pré-anos 1960.  O Penguin Historical Atlas of Ancient Greece, escrito em 1996, zomba das "teorias raciais indubitavelmente duvidosas que sustentam grande parte dessa reconstrução", mas não oferece nenhuma teoria para substituí-la, admitindo apenas que "a origem dos gregos continua sendo um tema muito debatido".  O autor da Penguin faz esta admissão surpreendente, no entanto: "Muitas das ideias sobre origens raciais foram desenvolvidas no século XIX e, embora possam ter tido alguma base na tradição histórica, arqueologia ou linguística, frequentemente foram combinadas com pressupostos mais duvidosos".  O autor não lista essas suposições duvidosas.  Beth Cohen, autora do Not The Classical Ideal: Athens and the Construction of the Other in Greek Art (2000), afirma que os trácios, primos distantes dos gregos, tinham "os mesmos cabelos escuros e as mesmas feições faciais dos antigos gregos".  

Na verdade, havia uma boa base para a Britannica de 1911, escrever sobre loiros em Tebas.  Tebas foi a principal cidade da Beócia, uma rica região agrícola no centro-sul da Grécia.  Fragmentos de um antigo diário de viagem de 150 a.C. descrevem as mulheres de Tebas como "As mais altas, bonitas e graciosas de toda a Hélades.  O cabelo amarelo está preso num coque no topo da cabeça".  Píndaro, um poeta lírico tebano do século V, refere-se aos gregos como "os Danaoi de cabelos claros", usando um nome poético para os helenos.  Da mesma forma, em sua Partheneia, ou "Canções da Donzela", o poeta espartano do século VII a.C., Alcman, elogiou a beleza das atletas espartanas, com seus "cabelos dourados" e "olhos violetas".  Ele também escreveu sobre mulheres espartanas com "olhos prateados", que significa cinza claro.  O poeta grego do século VII a.C., Arquóco, elogia o "cabelo amarelo" de uma de suas amantes, e Safo — também do século VII a.C. — escreve sobre a sua "bela filha, dourada como uma flor".  

Ainda no século IV d.C., Adamâncio, um médico e cientista de Alexandria, escreveu em sua Physiognominica que "de todas as nações, os gregos têm os olhos mais belos", acrescentando que "onde quer que a raça helênica e jônica tenha sido mantida pura, vemos homens altos de porte relativamente largo e recto...  de pele relativamente clara e cabelo loiro".  Vários séculos de mistura presumivelmente mudaram o caráter racial de muitos gregos, mas os loiros ainda sobreviveram, e Xanthos, que significa "amarelo" em grego, era um nome pessoal comum.  

A professora Nell Painter, de Princeton, autora de The History of White People (ver "Whiting Out White People", American Renaissance, julho de 2010), reclama que "não poucos ocidentais tentaram racializar a antiguidade, transformando a história antiga em história racial branca".  Ela aponta que os gregos frequentemente pintavam as suas estátuas de mármore — "os originais eram frequentemente de cor escura" — que a tinta se desgastava com o tempo, e os europeus concluíam erroneamente pelo mármore branco que os gregos eram brancos.  

Sim, os gregos pintaram as suas estátuas, mas as estátuas originais não eram escuras.  A Afrodite de Praxiteles, da cidade grega de Knidos, foi a estátua mais famosa e mais copiada do mundo antigo.  Centenas de cópias sobrevivem.  Especialistas determinaram a partir de partículas microscópicas de tinta que Afrodite foi pintada de loiro.  Os romanos tinham o seu próprio nome para essa deusa, Vênus, e da mesma forma as suas "imagens de culto" eram omnipresentes e "pintadas com pele de cor clara e cabelos loiro-dourados" (ver On Blondes, de Joanna Pitman, American Renaissance, 2003).  

A obra-prima de Fidias, a Atena Partenos, permaneceu no Partenon por quase 1.000 anos até ser perdida, provavelmente no século V d.C.  Quando o escultor americano Alan LeQuire, decidiu fazer uma cópia fiel para a réplica em tamanho real do Partenon no Centennial Park, em Nashville, ele a modelou com base nas descrições da obra original.  A Athena, de 43cm de altura, apresentada em 1990, tem pele clara, olhos azuis e cabelos dourados.  

Muitas pequenas estatuetas de terracota da Grécia do século IV a.C. sobreviveram com vestígios de tinta.  Elas apresentam cabelos claros, geralmente castanho-avermelhados, e olhos azuis, assim como estátuas maiores da época das Guerras Persas, no início do século V a.C.  Mesmo um exame superficial de relevos antigos de mármore, estátuas e bustos revela traços europeus.  Muitos dos rostos poderiam muito bem ser de chefes celtas ou reis vikings.  

Há mais evidências do aparecimento dos gregos.  Xenófanes, um filósofo grego jónico que viveu no século V a.C., achou divertido notar que diferentes povos acreditavam que os deuses se parecem consigo mesmos: "Nossos deuses têm narizes achatados e pele preta, dizem os etíopes.  Os trácios (apesar das observações do Prof. Cohen acima) dizem que nossos deuses têm cabelos ruivos e olhos cor de avelã".  De facto, um afresco do século IV a.C. de uma mulher trácia, encontrado no Monte Ostrusha, no centro da Bulgária, mostra cabelos nitidamente ruivos e traços europeus.  

O poeta grego Hesíodo (700 a.C.) chamou Troia de "terra das mulheres bonitas".  Segundo o historiador romano Diodoro Sicílio, que viveu no século I a.C., o deus egípcio Set tinha "cabelos avermelhados", uma cor "rara no Egito, mas comum entre os helenos".  Plutarco (46–120 d.C.) conta-nos que, enquanto o general tebano Pelópidas (falecido em 364 a.C.) fazia campanha no centro da Grécia, teve um sonho em que um fantasma o incentivava a sacrificar uma virgem ruiva se quisesse ser vitorioso na batalha do dia seguinte.  


DOIS  TIPOS  RACIAIS

Havia dois tipos raciais na Grécia Antiga: brancos de cabelos escuros e brancos de cabelos claros, além de graus intermédios.  Os primeiros habitantes conhecidos eram do primeiro tipo.  Entre eles estavam os minoicos, que não eram gregos de forma alguma, e que construíram uma civilização impressionante na ilha de Creta.  Os pelasgos, nome que gregos posteriores deram à população pré-helenica da Grécia continental, também eram sombrios.  Tendiam a ter cabelos pretos, cacheados e olhos em formato de oliva.  O seu tipo é claramente visível em muitos vasos áticos (atenienses), o que levou alguns estudiosos a concluir que todos os gregos tinham a mesma aparência que eles.  

Nem os minoicos nem os pelasgos falavam grego — as inscrições lineares em 'A' dos minoicos ainda não foram decifradas — então a língua grega deve ter chegado com os conquistadores de cabelos claros que migraram do norte, muito provavelmente do médio vale do rio Danúbio.  Segundo o mito nacional grego, os helenos descendiam de Helen (não confundir com Helena de Troia), filho de Deucalião.  Helen teve filhos e netos, que correspondem às quatro principais divisões tribais da Grécia Antiga: os eólios, os aqueus, os jónicos e os dórios.  

Os estudiosos hoje tendem a descartar tais mitos, mas eles não teriam sobrevivido se não fossem geralmente consistentes com as longas memórias populares dos povos antigos.  Neste caso, eles apontam para o que estudiosos clássicos há muito acreditam ser uma série de descendências helénicas na Grécia continental e nas ilhas do Egeu.  Os primeiros helenos a chegar foram os jónios e os eólicos; alguns séculos depois, os aqueus e, por fim, os dórios.  

A civilização grega do início da Idade do Bronze (1600-1200 a.C.) certamente foi influenciada pelas culturas minoicas e outras do Mediterrâneo oriental, mas era inconfundivelmente grega.  'Linear B', que começou a dominar a cultura cretense por volta de 1500 a.C., foi decifrado e se descobriu ser uma forma antiga do grego.  Por volta do ano 1200 a.C., essa cultura, conhecida como micénica, entrou em colapso; as suas cidades foram destruídas e abandonadas, e a Grécia entrou numa Era das Trevas de 400 anos.  Terremotos e erupções vulcânicas provavelmente tiveram papel na destruição, e gregos posteriores atribuíram isso a invasões vindas do norte.  Ondas de guerreiros helénicos varreram e queimaram as cidadelas micénicas, tornando-se a raça dominante na Grécia.  Eles também saquearam a cidade de Troia, e a obra Ilíada de Homero é sobre eles.  Eles também parecem ter extinguido grande parte da cultura micénica: os gregos pararam de escrever e abandonaram as artes, a vida urbana e o comércio com o mundo exterior.  

Sabemos algo sobre os primeiros helenos pela obra Ilíada.  Foi escrito pela primeira vez no final do século VIII a.C., no final da Idade das Trevas Grega, depois que os fenícios ensinaram os gregos a escrever novamente.  Ele relata eventos cerca de quatrocentos a quinhentos anos atrás.  Embora pensemos no poema como sendo sobre os gregos, os heróis guerreiros de Homero pertencem à nobreza aqueia, o que sugere que foram os aqueus que derrubaram a civilização micénica, e não os dórios, que desceriam sobre a Grécia e deslocariam os aqueus cem anos depois.  A arqueologia confirma essa suposição, pois Troia foi queimada por volta de 1200 a.C., e a data tradicional para a Guerra de Troia é 1184 a.C.  A invasão dórica é datada por vários historiadores antigos em 1149, 1100 ou 1049 a.C.  

Há bons motivos para pensar que Homero estava registrando histórias passadas durante a Idade das Trevas.  Ele era um bardo que vivia na Jónia, uma região na costa do Egeu do que hoje é a Turquia, e se estivesse inventando as histórias, teria afirmado que os heróis eram jónios.  Em vez disso, ele canta louvores à nobreza aqueia de cabelos claros: Aquiles, o seu maior guerreiro, tem "cabelos vermelho-dourados", Odisseu, o seu maior estrategista, tem "cabelos castanhos", a sua esposa Penélope tem "bochechas brancas da cor da neve pura", Agamede, curandeira e especialista em plantas medicinais, é "loira", e o rei Menelau de Esparta, marido de Helen, tem "cabelos ruivos".  Helen, da mesma forma, tem "cabelo claro", e até as escravas são de pele clara: "Hecamede de cabelos claros", "Criseis de bochechas claras" e "Briseide loira".  Isso é significativo, pois se até alguns dos escravos eram loiros, significaria que o tipo nórdico não era exclusivo dos aqueus, mas sim, também em outras partes do mundo egeu.

Homero (e Píndaro) descrevem a maioria dos deuses e deusas olímpicos como de cabelos claros e "olhos brilhantes", significando azul, cinza ou verde.  A deusa Deméter tem "cabelos loiros" ou "amarelos", assim como Leto, mãe de Apolo, que também é descrita como "de cabelos dourados".  Afrodite tem cabelos "dourados pálidos", e Atena é conhecida como "a bela de olhos brilhantes" e a "deusa de olhos cinzentos".  Dois dos deuses, Poseidon e Hefesto, são descritos como tendo cabelos pretos.  Como mencionado acima, Xenófanes reclamou que todos os povos imaginam os deuses como se parecessem consigo mesmos.  

Foram os dórios, os últimos invasores gregos, que encerraram o domínio aqueu e provavelmente provocaram uma migração em massa de helenos, eólicos e jónicos — sem dúvida incluindo os ancestrais de Homero — através do Mar Egeu até a costa da Ásia Menor.  Os dórios que se estabeleceram no fértil vale do Eurotas, no sul do Peloponeso, foram ancestrais directos dos espartanos da era clássica, e afirmavam ser os únicos dóricos puros.  

Werner Jaeger, director do Instituto de Estudos Clássicos de Harvard, escreve:

O tipo nacional do invasor permaneceu mais puro em Esparta.  A raça dórica
deu a Pindar o seu ideal de guerreiro loiro e orgulhoso descendente, que ele
usava para descrever não apenas o Menelau Homérico, mas o maior herói grego,
Aquiles, e de facto todos os 'daneus de cabelos claros' [ outro nome para os aqueus
que lutaram em Troia ] da era heroica.
Paideia: Os Ideais da Cultura Grega, 1939


Os gregos clássicos não reivindicavam ser autóctones, ou os habitantes originais daquela terra.  Na verdade, eles orgulhavam-se de serem epelúdios, descendentes de colonos ou conquistadores posteriores.  Duas excepções notáveis foram os arcadianos e os atenienses, cujos solos rochosos presumivelmente ofereciam pouca tentação para colonizadores armados.  O historiador Heródoto (484-420 a.C.) registou que os atenienses eram "um povo pelasgo [que] ocupou a Ática e nunca se removeu dela", assim como os arcadianos.  A língua reforça essa visão, pois tanto atenienses quanto arcadianos falavam dialetos únicos.  Eles aprenderam grego com os invasores do norte, mas mantiveram elementos pelásgos.  

Assim, a Grécia clássica foi uma fusão, tanto cultural quanto racial, desses dois tipos de pessoas brancas.  Algumas cidades-Estado, como Tebas e Esparta, eram predominantemente nórdicas.  Outras, como Atenas, eram predominantemente mediterrâneas, e outras ainda eram a mistura das duas.  


OS  PATRÍCIOS  ROMANOS

Nell Painter, autor da já mencionada History of White People, acha "surpreendente" que o nórdico americano Madison Grant (1865-1937) tenha argumentado em The Passing of The Great Race (1916), que a nobreza romana era de origem nórdica, mas há boas evidências para essa visão.  Existem muitos, livros ricamente ilustrados sobre a Roma antiga, com exemplos de máscaras mortuárias, bustos e estátuas, que retratam claramente os patrícios romanos não apenas como europeus, mas como europeus do norte (nórdicos).  

O excelente estudo de R. Peterson, The Classical World (1985), que inclui uma análise de 43 figuras gregas e 32 romanas, é convincente.  O Dr. Peterson explica que os romanos pintavam as suas máscaras mortuárias para preservar a cor, assim como a forma, dos rostos dos seus ancestrais.  Olhos azuis, cabelos claros e tez clara, são comuns.  Um bom exemplo de tipo racial é o famoso busto retrato de Lúcio Júnio Bruto, fundador da República Romana, que data do século IV a.C.  O rosto de Bruto é identificável como germânico, assim como a cor dos seus olhos.  O escultor usava marfim para os brancos e vidro azul para as pupilas.  Ou pegue na famosa cabeça de mármore de uma mulher patrícia do final do primeiro século d.C., frequentemente incluída em levantamentos ilustrados da Roma imperial para demonstrar a moda dos cabelos cacheados.  Os seus traços são tipicamente do norte da Europa: nariz delicado e aquilino, maçãs do rosto altas e rosto angular e longo, em vez de arredondado.  Outro exemplo clássico é o famoso afresco da Villa dos Mistérios, em Pompeia, que mostra quatro mulheres passando por flagelações rituais.  São altas, de pele clara e de cabelos castanhos.  

Há também evidências de nomes romanos.  Rutilus significa "vermelho, dourado, avermelhado" e deriva do verbo rutilo, que significa "brilhar com um brilho avermelhado".  Rufus, que significa vermelho, era um cognome ou apelido romano comum usado para uma característica pessoal, como cabelo ruivo.  Os Flavianos eram um clã aristocrático cujo sobrenome derivava de flavus, que significa amarelo-dourado. Os Flaminianos eram outra família nobre cujo nome de clã vinha de flamma, que significa chama, sugerindo cabelo ruivo.  

Segundo Plutarco, Marco Porcio Catão, tinha "cabelos ruivos e olhos cinza", Lúcio Cornélio Sula, o general e ditador, tinha "olhos azul-acinzentados e cabelos loiros", e Caio Otavio (Augusto), o primeiro imperador romano, tinha "olhos brilhantes e cabelos amarelos".  Análises recentes de um busto antigo de mármore do imperador Calígula encontraram partículas do pigmento original presas na pedra.  Especialistas restauraram as cores para mostrar que o governante demente tinha pele avermelhada e cabelos ruivos.  

A poesia de amor de Públio Ovídio Naso, mais conhecido como Ovídio (43 a.C. a 17 d.C.) oferece muitas evidências sobre a cor das mulheres romanas da alta sociedade durante os primeiros anos do império.  O facto de Ovídio atribuir cabelos loiros a muitas deusas — Aurora, Minerva, Ceres, Diana e Vênus — nos diz algo sobre o ideal romano de beleza; o facto de ele descrever muitas das suas amantes da mesma forma nos diz que o tipo nórdico ainda era encontrado na Roma imperial.  "Sou louco por garotas de cabelos claros e de pele pálida", ele escreve em seu Amores, de 15 a.C., mas "morenas também são amantes maravilhosas".  Ele admirava o contraste entre "cabelos escuros e pescoço branco como a neve" e adora meninas jovens que coram.  Uma das suas amantes favoritas é "alta", com "pele pêssego e creme", "bochechas marfim" e "olhos brilhantes".  Outra era uma "loira grega inteligente".  

Então, de onde vieram os romanos?  Eles eram um povo latino, embora, segundo a lenda, isso possa ter alguma base na realidade, também havia colonos gregos e refugiados troianos entre as raças fundadoras.  Os latinos foram uma das oito tribos itálicas nórdicas — Apúlios, Brutos, Lucanianos, Sabinos, Samnitas, Úmbrios/Oscienos e os Venetos — que migraram para a península italiana por volta de 1000 a.C.  Claro, a Itália não estava vazia.  Os etruscos viviam ao norte de Roma, no que hoje é a Toscana, e havia outros brancos de pele mais escura vivendo na península.  Os etruscos provavelmente eram carianos da Ásia Menor.  

O que aconteceu com os gregos e romanos nórdicos?  Os seus números foram reduzindo e reduzindo por guerra, imperialismo, imigração e escravidão.  A guerra interna prolongada foi devastadora.  Os helenos perderam relactivamente poucos homens nas suas duas guerras contra o Império Persa (490, 480-479 a.C.), mas foram dizimados pela série ruinosa de guerras inter-helénicas que se seguiram.  A Guerra do Peloponeso (431-404 a.C.) colocou Atenas e as suas cidades jónicas subjugadas contra a confederação dória espartana.  Seguiram-se 35 anos de guerras intermitentes entre Esparta e Tebas (396-362 a.C.), que colocaram nórdicos contra nórdicos.  Essas guerras enfraqueceram tanto as repúblicas gregas que elas caíram sob domínio macedónio cerca de 20 anos depois (338 a.C.), encerrando a era clássica da Grécia.  

O dinheiro era, como sempre, um solvente racial.  Theognis, um nobre poeta da cidade dórica de Megara, escreveu no século VI a.C.: 

" O homem mais nobre se casará com a filha mais humilde de uma
família humilde, se ela trouxer dinheiro.  E uma dama divide sua cama
com um homem rico e imundo, preferindo ouro a linhagem.  Dinheiro é tudo.  
Boas raças cruzam com as más e a raça está perdida. "


A experiência romana foi igualmente trágica.  Todos os seus historiadores posteriores concordaram que as terríveis perdas infligidas por Aníbal durante a Segunda Guerra Púnica (218-201 a.C.) foram menores em comparação com as perdas horrendas que Roma infligiu a si mesma durante quase 100 anos de guerra civil que se seguiram ao assassinato do reformista tribuno Tibério Graco em 133 a.C.  

A imigração foi a inevitável reação do imperialismo, à medida que escravos, aventureiros e comerciantes invadiam Roma.  Com o tempo, escravos foram libertados, estrangeiros deram à luz nativos, não romanos ganharam cidadania e as sanções legais e sociais contra casamentos mistos desapareceram.  No início do império, tudo o que restava da linhagem romana original eram algumas famílias patrícias.  

O historiador Apiano lamentou que "as massas da cidade agora estão completamente misturadas com sangue estrangeiro, o escravo liberto tem os mesmos direitos de um cidadão nativo, e aqueles que ainda são escravos não têm aparência diferente de seus senhores".  Cipião Emiliano (185–129 a.C.), estadista e general do famoso clã dos Emílios, chamou esses heterogêneos súditos de "enteados de Roma".  

Cento e cinquenta anos depois, Horácio (65–8 a.C.) escreveu no Livro III das Odes:

Nossos avôs tiveram filhos frágeis; deles
Éramos ainda mais fracos — nós mesmos; E agora nossa maldição
Deve ser para gerar herdeiros ainda mais degenerados.


Os últimos escritores romanos, portanto, passaram a ver o seu próprio povo como moral e fisicamente degenerado.  O subtexto do tratado etnológico Germânia de Tácito (56-117 d.C.), é um anseio pelo vigor e pureza do norte que os romanos haviam perdido.  Ele via os gauleses e germânicos como superiores aos romanos em moral e físico, e as mulheres romanas compartilhavam dessa admiração.  Cabelos loiros viraram moda, e mulheres escravas germânicas e gaulesas tiveram cortados os seus cabelos loiros ou castanho-avermelhados para fazer perucas para mulheres ricas.  Na época de Tertuliano (160-225 d.C.), tantas mulheres romanas pintavam o cabelo que ele reclamava: "elas até têm vergonha do seu país, lamentando não terem nascido na Alemanha ou na Gália".  No início do século II d.C., o satirista Juvenal, reclamava da diminuição do "sangue patrício mais azul", que é uma expressão figurativa para a nobreza, cujas veias parecem azuis por causa da pele clara.  

Visto em um contexto histórico, é quase como se os europeus do norte de hoje tivessem se empenhado perfeitamente em imitar as maneiras como gregos e romanos se destruíram.  Tanto na Europa quanto na América, jovens patriotas massacraram-se em terríveis guerras fratricidas.  Na América do Norte, os descendentes de escravos são a maioria em muitas grandes cidades.  Ambos os continentes pagaram por ambições imperiais com a imigração em massa de estrangeiros.  Seremos capazes de resistir às forças que derrubaram os antigos?...  



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A República de Platão

Kallipolis
( Ilustração meramente decorativa )



A  REPÚBLICA
Platão
-  R E S U M O  -


Este ensaio é um pequeno resumo sobre o que consta na obra “A República”,[1] do conhecido filósofo Platão, que viveu na antiga Grécia.

A obra “A República” é um diálogo filosófico — cujos estudiosos acreditam ser imaginado — em que o autor Platão, por meio do personagem Sócrates, investiga o que é a justiça e como seria uma cidade perfeitamente justa, articulando ética, política, psicologia da alma e teoria do conhecimento.  A obra é composta por dez livros e é considerada um dos textos centrais da filosofia ocidental, pois define um modelo de cidade ideal (a Kallipolis[2]), governada por filósofos-reis.

A obra ”A República” é narrada pelo personagem Sócrates em primeira pessoa e escrita em forma de diálogo com diversos interlocutores, tais como Glauco, Adimanto, Polemarco e Trasímaco.  O objectivo declarado é responder se a vida justa é melhor do que a vida injusta, o que leva Platão a definir a justiça tanto na alma individual, quanto na organização da cidade.  A discussão desenrola-se em dez livros, nos quais o tema da justiça conecta-se com questões de educação, formas de governo, conhecimento, imortalidade da alma e papel da filosofia. 

Comecemos então o resumo do conteúdo desses dez livros: 



LIVRO  I  
PROBLEMA  DA  JUSTIÇA 

O Livro I da obra “A República” apresenta um diálogo em que o personagem Sócrates procura definir o que é a justiça, discutindo e refutando sucessivas definições dadas pelos seus interlocutores.  No final, a investigação permanece em aberto, funcionando como preparação para as análises mais profundas dos livros seguintes.  

Quando o personagem Sócrates visita a casa do velho Céfalo, onde começa perguntando-lhe se a justiça consiste em dizer a verdade, pagar as dívidas, etc, cuja ideia está ligada à vida honesta de um homem justo e piedoso.  

Entretanto, Polemarco, que é o filho de Céfalo, aperfeiçoa essa definição, sustentando que justiça é “ajudar os amigos e prejudicar os inimigos”, entendendo o justo como alguém que beneficia os bons e causa dano aos maus.  

Trasímaco, sofista, irrompe no diálogo afirmando que justiça é apenas “o interesse do mais forte”, isto é, aquilo que o governante estabelece em benefício próprio.  

Sócrates mostra que a definição de Céfalo leva a absurdos (como devolver armas a um amigo enlouquecido), indicando que a justiça não pode ser apenas cumprir obrigações formais.  

Em seguida, Polemarco refuta, argumentando que o justo não pode consistir em prejudicar ninguém, porque tornar alguém pior moralmente não pode ser uma ação verdadeiramente justa.  

Sócratres insurge-se contra Trasímaco, e, observa que governantes podem errar sobre o próprio interesse, e que, se a justiça for apenas vantagem do mais forte, então o justo às vezes exigiria contrariar o próprio benefício dos governantes.  

A posição de Trasímaco, que exalta a injustiça como mais vantajosa e lucrativa, é enfraquecida por Sócrates, mas não totalmente “derrotada” de modo definitivo.  

Sócrates conclui declarando que ainda não sabe o que é justiça, mas que a discussão mostrou a insuficiência das opiniões correntes e a necessidade de uma investigação mais rigorosa.  

Assim, o Livro I funciona como uma introdução crítica: recolhe, examina e desmonta concepções usuais de justiça, abrindo caminho para a construção positiva da teoria da justiça e da cidade ideal (a Kallipolis) nos livros seguintes da obra.  



LIVRO II
CIDADE  IDEAL  E  ALMA  TRIPARTIDA  

No Livro II, Glauco e Adimanto, desafiam Sócrates a demonstrar que a justiça é um bem em si mesma, melhor para o ser humano do que a injustiça, mesmo sem recompensas externas.  Glauco reforça o desafio com o mito do anel de Giges,[3] mostrando que, se alguém pudesse agir injustamente sem ser visto ou punido, tenderia a abusar desse poder, o que sugere que a maioria só é justa por medo da punição ou por conveniência social.  

Para responder a esse desafio, Sócrates propõe investigar a justiça primeiro “na cidade” e depois “na alma” individual, construindo em discurso uma cidade simples (Kallipolis) baseada na cooperação e na divisão de trabalho, onde cada um faz aquilo em que é mais apto.  A partir da passagem dessa cidade simples a uma cidade luxuosa, surge a necessidade de defesa e, com isso, do grupo dos guardiões, cuja índole deve combinar coragem, mansidão com os amigos e agressividade controlada contra inimigos.  

O livro encerra-se com a introdução do tema da educação desses guardiões, fundada em música e ginástica, e com o início da crítica à poesia e aos mitos que apresentam deuses enganadores ou imorais, pois tais narrativas corromperiam a alma dos futuros defensores da cidade.  Assim, o livro prepara o terreno tanto para a teoria da cidade justa quanto para a análise da alma justa, respondendo gradualmente ao desafio de provar a superioridade intrínseca da justiça.



LIVRO  III
EDUCAÇÃO  E  O  PAPEL  DOS  GUARDIÕES

Neste livro, o autor (Platão) continua o tema da educação (paideia) que é o eixo da formação dos guardiões dos guardiões, detalhando que tipo de poesia, música e ginástica, deve ser permitida na cidade justa a fim de moldar o carácter e fortalecer o corpo.  O personagem Sócrates defende uma rigorosa censura aos poetas: não se devem narrar histórias que tornem os deuses injustos, covardes ou enganadores, nem que incentivem o medo da morte, o excesso de riso, o luxo, a embriaguez ou a desmedida das paixões, pois tudo isso corromperia a alma dos futuros guardiões.  

Quanto à música, Sócrates distingue letras, harmonia e ritmo, aceitando apenas os modos musicais que reforcem a coragem, o autocontrole e a simplicidade, e rejeitando os que promovem moleza, lamentação ou licenciosidade.  Em seguida, passa à ginástica, defendendo uma educação física voltada para a saúde, a sobriedade e a disciplina, evitando tanto o excesso de dureza quanto o de suavidade, para formar almas equilibradas.  

Na parte final, o diálogo aborda a escolha dos governantes dentre os guardiões, que devem ser os mais sábios, firmes e leais ao bem da cidade.  Sócrates introduz então o chamado “Mito dos Metais[4] ou “Conto Fenício”, segundo o qual os cidadãos nascem com ouro, prata, ferro ou bronze na alma, o mito educativo usado para justificar as três classes (governantes, guardiões auxiliares e trabalhadores) e reforçar a ideia de que cada um deve ocupar o lugar para o qual é naturalmente mais talhado.  A cidade justa (ou cidade ideal), dirige a educação desde cedo, seleccionando progressivamente aqueles com mais aptidão para o conhecimento até formar os futuros governantes-filósofos, após um longo percurso que chega até 50 anos.  



LIVRO  IV
EDUCAÇÃO  E  O  PAPEL  DOS  GUARDIÕES  

No Livro IV, Sócrates retoma a organização da cidade justa para responder à objecção de que os guardiões viveriam de modo pobre e, portanto, infeliz, ao não possuírem propriedades privadas.  Ele argumenta que o objectivo não é a felicidade isolada de um grupo, mas a harmonia do conjunto da cidade, o que exige que os guardiões estejam livres da corrupção, da riqueza e da degradação da miséria.  

A partir daí, são analisadas as condições que preservam essa cidade: evitar extremos de riqueza e pobreza, manter a unidade política e cuidar rigidamente da educação e dos costumes, para impedir divisões internas como se a cidade se partisse em “duas cidades”, a dos ricos e a dos pobres.  Nessa estructura, Platão identifica quatro virtudes na pólis: sabedoria (nos governantes), coragem (nos guardiões auxiliares), moderação (como acordo entre todas as classes) e justiça, definida como cada classe a ocupar-se da função que lhe é própria, sem usurpar o lugar das demais.  

Na segunda parte do livro, Sócrates transfere essa análise para o interior da alma humana, propondo que ela também possui três partes: a racional, a irascível (ou colérica) e a apetitiva.  Assim como na cidade, a justiça na alma consiste numa ordem em que a parte racional governa, auxiliada pela parte irascível, mantendo sob controle os apetites, o que gera um estado interno de equilíbrio e saúde moral, superior à vida do injusto.   



LIVRO  V
COMUNHÃO,  IGUALDADE  E  FILÓSOFOS-REIS  

O personagem Sócrates introduz três propostas audaciosas ligadas à cidade justa: a possibilidade de que mulheres e homens recebam a mesma educação e possam exercer as mesmas funções políticas e militares; a comunidade de mulheres e filhos entre os guardiões; e a exigência de que os filósofos sejam os governantes da cidade (filósofos-reis).  

A primeira tese afirma que a diferença entre homens e mulheres não impede que ambos possam ser guardiões e governantes, desde que tenham a mesma natureza para as mesmas tarefas, o que justifica uma formação idêntica em música, ginástica e filosofia.  

A segunda tese aprofunda o “comunismo” dos guardiões: entre eles não haveria família privada, nem propriedade, mas comunidade de bens, mulheres e filhos, para evitar conflitos de interesses.  Todos são regulados em benefício do bem comum, e os filhos são criados colectivamente para fortalecer a unidade da pólis.  Platão também defende que as mulheres aptas devem receber a mesma educação que os homens e podem igualmente tornar-se guardiãs, contrariando os costumes da sua época.  

Surge então a terceira tese que sustenta que a cidade só será plenamente justa se os filósofos governarem ou se os governantes se tornarem verdadeiros filósofos.  Apenas quem conhece o “Bem” em si — o filósofo — está qualificado para governar e ordenar a cidade conforme esse conhecimento.  Assim, a cidade justa precisa ser governada por filósofos-governantes (ou filósofos-reis).  

Ao longo do livro, discute-se ainda como essa constituição ideal favorece a máxima união entre os cidadãos, que devem alegrar-se e sofrer em conjunto, como um só corpo, reforçando a ideia de que a justiça é uma harmonia tanto da cidade quanto da alma.  



LIVRO  VI
CONHECIMENTO  

Neste livro, Sócrates retoma a tese de que os filósofos devem governar e procura definir com mais precisão quem é o verdadeiro filósofo, distinguindo-o dos falsos filósofos e dos sofistas.  O autêntico filósofo ama o saber, busca contemplar o que é imutável e eterno, é moderado, justo, avesso à ambição vulgar e, por isso, seria o mais apto a guardar as leis e ordenar corretamente a cidade.  

Em seguida, o livro investiga por que, nas cidades reais, as naturezas filosóficas costumam corromper-se ou tornarem-se inúteis, usando imagens como a do “Navio de Estado”,[5] em que o verdadeiro piloto é desprezado por marinheiros ignorantes que disputam o comando. Sócrates argumenta que apenas numa constituição bem ordenada essas naturezas poderão desenvolver-se plenamente e assumir o governo, unindo saber e poder.  

Na parte final, surge o tema central do “Bem”.  Platão distingue a opinião (doxa), ligada ao mundo sensível, do conhecimento (episteme), ligado às “Formas” ou “Ideias”, a chamada “Analogia do Sol[6] e apresenta o esboço da “Linha Dividida[7] para graduar níveis de realidade e de saber, que preparam o terreno para a hierarquia dos modos de conhecimento e para a “Alegoria da Caverna[8] do livro VII, indicando que a educação filosófica é uma ascensão gradual até a contemplação do “Bem” em si.  Mais que as outras ideias, ele é a causa da verdade e da inteligibilidade, sendo comparado ao Sol que torna visíveis as coisas e permite à visão enxergá-las.  



LIVRO  VII
O  BEM  E  ALEGORIA  DA  CAVERNA  

Sócrates apresenta a célebre alegoria da caverna para ilustrar o processo educativo da alma, que passa das sombras da opinião ao conhecimento das “Formas” e, por fim, à contemplação do “Bem”.  Os prisioneiros acorrentados, que tomam sombras por realidade, simbolizam os seres humanos presos ao mundo sensível.  A difícil subida para fora da caverna representa a longa formação filosófica, culminando na visão do Sol como imagem do “Bem”.  

O livro enfatiza que o filósofo, após contemplar o “Bem”, não deve permanecer na “região luminosa”, mas tem o dever de retornar à caverna, isto é, à cidade, para governar e educar os demais, mesmo enfrentando incompreensão e hostilidade.  

Sócrates detalha então o currículo dos futuros filósofos-governantes (ou filósofos-reis): após a formação inicial em música e ginástica, eles estudam aritmética, geometria, astronomia e harmonia, culminando no exercício rigoroso da dialética, distribuído em etapas que vão da juventude até cerca dos cinquenta anos, quando estão aptos a assumir o governo da cidade ideal.  



LIVROS  VIII
FORMAS  DE  GOVERNO  E  PSICOLOGIA  

Neste livro, Sócrates passa da descrição da cidade justa para o estudo da sua decadência, apresentando uma sequência de regimes políticos degenerados em relação à aristocracia dos filósofos-governantes. Cada forma de governo corresponde a um tipo de alma, de modo que a corrupção política é também uma corrupção moral individual.  

Primeiro, a aristocracia[9] degenera em timocracia, regime dominado pelo espírito guerreiro e pela busca de honra, no qual ainda há algum respeito pela lei, mas cresce a ambição e o gosto pela vitória.  

Em seguida, a timocracia transforma-se em oligarquia (governo dos ricos), marcado pela valorização extrema da riqueza, pela exclusão dos pobres do poder e pelo aumento das desigualdades sociais.  

Da oligarquia nasce a democracia, quando os pobres, revoltados, derrubam os ricos e instauram um regime de ampla liberdade, onde quase todas as formas de vida são toleradas e a igualdade é levada ao extremo.  

Por fim, da liberdade excessiva da democracia surge a tirania.[10]  O povo entrega o poder a um “protector” que, pouco a pouco, elimina opositores, concentra autoridade em si e converte-se no tirano, expressão máxima da desordem da alma dominada por apetites desenfreados.  



LIVRO  IX
CRÍTICA  AO  TIRANO  

Neste livro, Sócrates aprofunda a análise do tirano e mostra como ele nasce a partir do homem democrático, dominado por desejos desordenados que se transformam em paixões tirânicas.  Esses desejos selvagens e sem lei, que em muitos aparecem apenas nos sonhos, assumem o controle da alma tirânica, tornando-a escrava de apetites incessantes e incapaz de verdadeira amizade ou liberdade interior.  

A partir daí, o texto compara os prazeres do filósofo, do ambicioso e do amante do lucro, argumentando que o prazer ligado ao conhecimento e à parte racional da alma é o mais verdadeiro, ao passo que os prazeres do tirano são pobres, instáveis e inferiores.  Conclui-se que o tirano, embora seja poderoso externamente, é na verdade o mais infeliz dos homens, enquanto o justo, mesmo sofrendo injustiças, e especialmente o filósofo, possui a vida mais ordenada e prazerosa, confirmando a tese central de que a justiça é melhor e mais feliz do que a injustiça.  



LIVRO  X
CRÍTICA  À  POESIA  E  MITO  DE  ER  

O personagem Sócrates retoma e radicaliza a crítica à poesia e às artes miméticas, sustentando que o poeta imitador está “três graus” afastado da verdade, pois imita não a realidade em si, mas as aparências sensíveis, produzindo imagens que excitam a parte irracional da alma e enfraquecem o juízo racional.  Por isso, a poesia trágica e épica, especialmente a de Homero,[11] é vista como perigosa para a cidade justa, devendo ser excluída ou rigorosamente controlada, a menos que se possa demonstrar alguma utilidade moral e educativa.  

Em seguida, o livro aborda a imortalidade da alma, argumentando que o mal não consegue destruí-la e que, portanto, ela subsiste após a morte, devendo prestar contas da sua vida justa ou injusta.  Para ilustrar o destino das almas, Sócrates narra o “Mito de Er”,[12] o guerreiro Panfílio que morre em batalha, contempla os juízos e escolhas de novas vidas no além e retorna para contar o que viu, mostrando que cada alma escolhe o seu futuro modo de vida e é responsável pela sua própria sorte.  

Com esse mito, Platão conclui a obra e retoma a crítica à poesia mimética,[13] acusando poetas trágicos e épicos, de imitarem aparências e despertarem emoções inferiores, o que afasta a alma da verdade e da racionalidade.  Platão reforça a tese central de que é sempre melhor ser justo do que injusto: a justiça traz ordem e felicidade à alma neste mundo e prepara a alma para um destino melhor no outro.  

Termina assim “A República”, unindo a política, a ética e a escatologia, ao mostrar que a escolha da vida justa não é apenas racionalmente superior, mas decisiva para o percurso eterno da alma.  



CONCLUSÃO  E  IMPORTÂNCIA  DA  OBRA 

Entre os temas centrais estão: a justiça como harmonia interna e social, a cidade ideal (Kallipolis) dividida em classes funcionais, a educação estatal rigorosa, a teoria das “Formas”, a primazia do “Bem”, acrítica à democracia ateniense e a defesa de um governo dos sábios.  A obra articula estreitamente ética e política, ao mostrar que uma cidade justa depende de cidadãos cujas almas sejam governadas pela razão, analogia que marcou toda a tradição posterior.  

A obra “A República” influenciou profundamente a filosofia política, a teoria da educação e a metafísica ocidental, sendo lida tanto como utopia normativa quanto como projecto problemático que suscita debates sobre o autoritarismo, tecnocracia e o papel do conhecimento no exercício do poder.  

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NOTAS  DE  RODAPÉ:
[1] - Em grego, o título original é, Πολιτεία (Politeia), que significa “Constituição”, “Cidade” ou
          “Regime Político”.  
[2] - Entenda-se: Cidade-Estado, pois era assim que as cidades existiam naquela época.  
[3] - O Anel de Giges é um mito apresentado por Platão na obra “A República” para discutir se alguém
          continuaria a agir com justiça mesmo tendo o poder de cometer injustiças sem ser visto ou
          punido.  A história resume-se a um pastor chamado Giges que vivia numa cidade chamada Lídia,
          um dia ele encontrou um anel mágico que quando girado o tornava invisível. Com esse poder ele
          seduziu a rainha, matou o rei e toma o trono da cidade Lídia.  
[4] - O “mito dos metais” é uma história criada por Platão para justificar, de forma simbólica, a divisão
          das classes sociais e promover a harmonia dentro da cidade ideal.  O mito é apresentado como
          uma “nobre mentira”, ou seja, uma narrativa útil para manter a coesão social.  
[5] - O “Navio de Estado” é uma metáfora usada por Platão, para explicar porque a maioria das cidades
          é mal governada e porque apenas os filósofos deveriam governar.  É uma das imagens mais fortes
          da obra e funciona quase como uma crítica política disfarçada.  
[6] - A “analogia do Sol”, é uma das três grandes metáforas que explicam a sua teoria do conhecimento,
          juntamente com a “Linha Dividida” e a “Alegoria da Caverna”.  Ela funciona como uma ponte
          entre o mundo sensível e o mundo inteligível. Platão pede que imaginemos o Sol como uma
          imagem do “Bem”, a realidade suprema no mundo das Ideias.  
[7] - A “Linha Dividida” é uma das explicações mais elegantes e profundas que Platão apresenta na obra
          “A República” para mostrar como funciona o conhecimento humano e como a mente progride da
          ilusão até a compreensão filosófica.  Ela é a ponte conceptual entre a “Analogia do Sol” e a 
          “Alegoria da Caverna”.  
[8] - Na “Alegoria da Caverna”, Platão descreve um grupo de pessoas que vive acorrentada dentro de
          uma caverna desde o nascimento, olhando apenas para uma parede.  Atrás delas há uma fogueira,
          e entre a fogueira e os prisioneiros passam pessoas carregando objetos.  Os prisioneiros veem
          apenas sombras projectadas na parede e acreditam que essas sombras são a realidade.  
[9] - Aristocracia, no sentido clássico, é uma forma de governo em que o poder está nas mãos dos
          “melhores”.  Pelo menos de acordo com a definição original da palavra grega: áristos =
          “melhores” e kratos = “poder” ou “governo”.  
[10] - Na Grécia antiga, a tirania não tinha inicialmente o sentido negativo que tem hoje.  Ela era 
            vista como um governo em que um indivíduo tomava o poder de forma não hereditária e
            fora das leis da pólis, mas muitas vezes com o apoio popular e como alternativa às oligarquias
            aristocráticas.  
[11] - Homero, é o autor dos dois maiores poemas épicos da Grécia Antiga — Ilíada e Odisseia — obras
            que moldaram toda a literatura ocidental.  Esses poemas, transmitidos oralmente por séculos, são
            a base da poesia épica grega e continuam a influenciar arte, filosofia e narrativa até aos tempos
            actuais.  
[12] - O mito de Er, descreve a jornada de um guerreiro que morre, visita o além e retorna à vida para
            contar como as almas são julgadas, recompensadas, punidas e escolhem as suas próximas vidas.
            Ele funciona como uma grande reflexão sobre justiça, destino e responsabilidade moral.  
[13] - Poesia mimética é a poesia entendida como mímesis, ou seja, como imitação ou representação da
            realidade, das acções humanas ou das aparências — um conceito central na teoria estética grega,
            especialmente em Platão e Aristóteles.  

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O Proto-Comunismo de Platão

O  PROTO-COMUNISMO  DE  PLATÃO



Começo este post fazendo referência a duas pequenas menções do Dr. António de Oliveira Salazar, proferidas em 1932 e 1937, na imprensa escrita daquele tempo e num discurso à nação portuguesa respectivamente.  Transcrevo abaixo: 



Podemos também observar mais esta: 



De facto, o filosofo Platão, na antiga Atenas (“Grécia”), descreveu na sua obra “República”, o que podemos chamar de um proto‑comunismo, ou seja, algo muito parecido com as fantasiosas teorias políticas que Karl Marx viria a escrever no século XIX.  Podemos perfeitamente especular que Karl Marx tomou a ideia de Platão, fez algumas adaptações a fim de a adequar melhor à realidade social da Alemanha do século XIX e aos objectivos políticos de quem o contratou e, reescreveu‑a no seu famoso livro o “Manifesto Comunista”.  

A obra “República” é um diálogo filosófico — que se crê ser imaginado — em que o seu autor, ou seja, Platão, por meio do personagem Sócrates (que é o narrador), investiga o que é a justiça e como seria uma cidade perfeitamente justa, articulando ética, política, psicologia da alma e teoria do conhecimento.  A obra é composta por dez livros e é considerada um dos textos centrais da filosofia ocidental, pois define um modelo de cidade ideal (a Kallipolis), governada por filósofos‑reis.  

Então, Kallipolis é a cidade ideal concebida por Platão na obra “República”, pensada como o espaço em que a justiça se realiza de forma plena na vida colectiva da cidade.  Nela, a ordem política, a educação e a organização social, são estruturadas para permitir que cada cidadão viva de acordo com a sua natureza e contribua para o bem comum.  

A investigação sobre a justiça leva Platão a projectar uma pólis (cidade) em que o justo não é apenas uma virtude individual, mas a harmonia do todo social.  A cidade é “bela” (“kalli‑polis”), porque a sua forma política espelha a ordem racional da alma, integrando razão, coragem e desejo em perfeito equilíbrio.  

Para conseguir esse perfeito equilíbrio, Platão propôs estructurar a Kallipolis em três grandes classes, cada um delas tendo um função especifica, conforme demonstrado abaixo:  

Produtores: 
Composta por agricultores, artesãos, comerciantes e demais trabalhadores (escravos) responsáveis pela subsistência material da cidade.  
Guardiões (auxiliares): 
Composta por responsáveis pela defesa interna e externa, devendo cultivar coragem e disciplina.  Entre os guardiões não haveria família privada, nem propriedade, mas comunidade de bens, mulheres e filhos, para evitar conflitos de interesses.
Governantes‑Filósofos: 
Composta por uma minoria (filósofos) é responsável por governar a cidade e, escolhida pelo amor ao saber e pela capacidade de conhecer o “Bem” em si.  


Logo portanto, a justiça, nesse modelo, consiste em que cada classe cumpra com a sua própria função sem usurpar o papel das outras, garantindo por essa forma a coesão da cidade.  

O regime político de Kallipolis é descrito como uma espécie de aristocracia do saber, em que governam os melhores em conhecimento e virtude.  Esses filósofos‑reis passam por um longo processo educativo, que inclui matemática, dialética e formação moral, antes de assumir qualquer função de comando.  

Platão argumenta que somente quem conhece a ideia de “Bem” está apto a legislar para todos, pois enxerga o que é realmente vantajoso para a cidade como um todo, e não apenas para alguns grupos ou indivíduos em particular.  

A educação em Kallipolis é central e rigorosamente controlada desde a infância, pois é por meio dela que se formam cidadãos ajustados à sua função natural.  Mitos, poesias e narrativas são selecionados ou censurados conforme contribuam ou não para o desenvolvimento de virtudes como temperança, coragem e justiça.  

Os guardiões, por exemplo, são educados para unir a mansidão com a firmeza, de modo a proteger a cidade sem se tornarem tirânicos.  A propriedade privada e a vida familiar dos governantes e guardiões são severamente restringidas para impedir conflitos de interesse e favorecer o cuidado com o bem comum.  Isto é, os governantes e os guardiões estariam proibidos de possuir bens ou propriedades.  

A Kallipolis nasce como resposta crítica à experiência histórica de Atenas, marcada, aos olhos de Platão, por uma democracia degenerada e por regimes tirânicos.  Ao imaginar uma cidade inteiramente ordenada pela razão, Platão delineia a primeira grande utopia política do pensamento ocidental, na qual a política é extensão da filosofia e da educação moral.  

Mais do que um projecto urbanístico ou institucional detalhado, a cidade ideal funciona como modelo: uma imagem no limite que permite “julgar” a distância entre as cidades reais e uma ordem verdadeiramente justa.  

Claro que as ideias mencionadas na “República”, sobretudo no que toca ás classes dos filósofos‑reis e dos guardiões, assemelham‑se — aos olhos de muitos — ás ideias de Estado Comunista propagadas por Karl Marx (e seus correligionários) no seu livro “Manifesto Comunista”, e mencionadas por Salazar e muitos outros.  

Todavia, é importante que o leitor não se iluda.  A cidade Kallipolis descrita na obra “República” não passa de um exercício da imaginação fértil de Platão.  

No Mundo real, a cidade Kallipolis e o Estado Comunista, são somente duas utopias muitíssimo improváveis de se realizarem!...  

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Para ver um resumo da obra "A República" de Platão click aqui

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Criacionismo vs Evolucionismo


CRIACIONISMO  vs  EVOLUCIONISMO



Ninguém sabe ao certo como surgiu a vida e o Homem no planeta Terra, todavia existem duas teorias muito populares, mais ou menos concorrentes entre si, sendo que cada uma delas advoga ser a verdadeira.  São elas a Teoria Criacionista e a Teoria Evolucionista.[1]  A Teoria Criacionista é uma teoria (ou crença religiosa) que explica a origem do Universo, da Terra e de todos os seres vivos, incluindo o ser humano, como sendo o resultado da criação por uma entidade divina ou sobrenatural.  Esta teoria opõe-se à explicação científica evolucionista, conhecida como a Teoria Evolucionista de Charles Darwin.[2]  A Teoria Evolucionista foi escrita em 1859, no livro “A Origem das Espécies”, sendo o seu autor evidentemente Charles Darwin.  

Apesar da Teoria Evolucionista nos estar a ser empurrada “goela abaixo” pelo establishment[3] desde o século XIX como sendo a verdade, nem todos os cientistas, naturalistas e antropólogos, admitem que a Teoria da Evolução esteja cem porcento correcta, uma vez que, após terem sido feitas ao longo de muitos anos, imensas tentativas em ambiente de laboratório para produzir vida a partir dos aminoácidos primordiais, todas elas fracassaram.  Além de que, biologicamente falando, somente se observou evoluções (mutações / transformações) em organismos simples como por exemplo: os vírus e as bactérias.  Até à presente data não foi observada nenhuma “evolução” ou dizendo mais corretamente, transformação em organismos um pouquinho mais complexos como por exemplo algas ou outros seres vivos com estrutura celular mais simples.  

Também é importante sabermos que o iluminismo[4] estava em plena força naquela época e como tal todos aqueles que odiavam o Deus da Bíblia e o catolicismo, ou seja, o establishment,  tinham todo o interesse em promover tudo o que pudesse negar a existência de Deus e a religião católica.  Então, a teoria evolucionista era perfeita para esse efeito.  

Mais recentemente, alguns dos defensores da Teoria Criacionista, procuram fundamentar as suas crenças não apenas em argumentos religiosos, mas também em supostas evidências científicas e filosóficas.  Ora nessa abordagem, conhecida como “Criacionismo Científico” ou também como “Design Inteligente”, tenta se reconciliar a crença religiosa com aspetos da ciência moderna.  Um desses cientistas é o antropólogo e professor universitário Stephen C. Meyer, que aborda o tema no seu livro “O Regresso à Hipótese de Deus”, que foi publicado em Portugal pela editora, Edições 70.  



A HISTÓRIA DA TEORIA EVOLUCIONISTA

O jovem Charles Darwin foi convidado a embarcar no navio HMS Beagle como naturalista durante a famosa expedição que ocorreu entre os anos 1831 e 1836.  Darwin foi substituir o naturalista Robert FitzRoy.  O principal objetivo da expedição era fazer um levantamento cartográfico das costas da América do Sul, como continuidade do trabalho de levantamentos anteriores, produzindo mapas e gráficos para guerras navais, comércio e desenhos de colinas da perspectiva do mar, com medidas das suas alturas.  

Uns anos antes da expedição do navio HMS Beagle, um outro pesquisador, também naturalista, na altura com 35 anos de idade, chamado Alfred Russel Wallace,[5] fazia o seu trabalho de pesquisa numa ilha remota, no arquipélago da Malásia.  Entretanto, em 1958, Wallace encontrava-se doente e bastante debilitado com malária.  Foi nessa altura que Wallace teve um “flash” e ocorreu-lhe a ideia da: sobrevivência do mais apto.  

Entretanto, Wallace, a pesar de doente, começou a escrever um artigo detalhado com os seus pensamentos e conclusões inspirados pelo seu “flash”.  Então, Wallace queria enviar esse seu artigo para Inglaterra no primeiro navio que passasse pelo arquipélago, a fim de que fosse publicado.  

Todavia, Wallace não queria enviar o seu artigo para uma qualquer publicação cientifica popular da época, mas sim, para o mais consagrado geólogo britânico da época, que era o Sir Charles Lyell, que tinha a influência e o poder de apresentar o seu artigo ao mundo inteiro.    

Porém, havia um sério problema, Wallace não conhecia Lyell, e naquela ilha remota era-lhe completamente impossível obter o endereço dele.  Assim sendo, Wallace que já se tinha correspondido algumas vezes com Charles Darwin e com o seu avô Erasmus Darwin, ocorreu lhe a ideia de enviar o artigo para Darwin e pedir lhe para entregar a Lyell.  Assim fez, o artigo foi enviado no primeiro navio britânico que por ali passou.

Todavia, Wallace cometeu um tremendo erro.  Na carta endereçada a Darwin, Wallace dizia para este fazer o favor de ler o artigo e de o entregar a Lyell caso julgasse merecedor.  Ora, quando Darwin recebeu e leu o artigo de Wallace, ele já estava a trabalhar no seu livro “A Origem das Espécies”, e pensou: “Esta é a minha ideia!... Se eu entregar este artigo a Lyell, eu serei o segundo e não o primeiro a elaborar e apresentar a Teoria da Evolução”.  Então, Darwin reteve o artigo de Wallace em seu poder e apressou se a terminar o seu livro que incluía a dita Teoria Evolucionista, apresentando o ao mundo no ano seguinte.  

Ora perante o conhecimento destes factos, podemos concluir que a hipótese “mais provável” é que os dois naturalistas tiveram a mesma ideia sensivelmente ao “mesmo tempo”, todavia, Darwin foi desonesto e trapaceou o seu colega.  

Não obstante, independentemente da desonestidade de Charles Darwin e sem querer desprestigiar os trabalhos dos dois naturalistas, na falta de provas cientificas inequívocas, podemos (e devemos) argumentar que a Teoria Evolucionista que nos é falaciosamente apresentada hoje (e promovida por forças anticristãs) como uma certeza absoluta, em última análise, essa teoria não passa de uma história de ficção cientifica do século XIX,[6] que saiu diretamente da fértil imaginação de dois naturalistas britânicos.  


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NOTA  DE  RODAPÉ:
[1] - Note que trata-se apenas de uma teoria.  Charles Darwin nunca afirmou que a sua teoria é a verdade absoluta sobre a evolução das espécies e da vida na Terra.  Provar que a teoria é a verdade foi uma tarefa que Darwin deixou para as gerações de futuros naturalistas, biólogos e cientistas.

[2] - Charles Robert Darwin, foi um naturalista, geólogo e biólogo britânico.  Nasceu em Shrewsbury, em 12 de Fevereiro de 1809, e faleceu em Downe, em 19 de Abril de 1882.  

[3] - Entenda-se: comunidades cientificas, comunidades anticristãs e comunidades antiteístas.  

[4] - O Iluminismo foi um movimento intelectual e filosófico europeu dos séculos XVII e XVIII, também conhecido como o “Século das Luzes” ou “Século da Razão”, que defendia o uso da razão e do conhecimento científico para superar a fé e a tradição.  As suas ideias principais incluíam a defesa da liberdade individual, da tolerância religiosa, um governo constitucional e a separação entre Igreja e Estado.  

[5] - Alfred Russel Wallace, foi um naturalista, geógrafo, antropólogo e biólogo britânico.  Nasceu em Usk, no País de Gales, em 8 de Janeiro de 1823, e faleceu em Broadstone, Inglaterra, em 7 de Novembro de 1913.

[6] - Compreendo que seja difícil para o leitor com a mente previamente formatada pelo establishment académico (e não só) acreditar na Teoria Criacionista, todavia, sugiro que o leitor faça uma pesquisa por si próprio e decerto chegara ás mesmas conclusões que eu cheguei.  
Na internet encontrará imensa informação académica sobre os assuntos.   



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