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A História do programa nuclear israelita

Complexo nuclear de Dimona


A história do programa nuclear israelita começa muito antes de Dimona aparecer nos mapas de inteligência norte‑americanos.  Em 1952, apenas quatro anos após a criação do Estado de Israel, David Ben‑Gurion criou a Comissão de Energia Atómica de Israel.  A decisão não surgiu de preocupações energéticas, pois Israel não possuía uma indústria capaz de justificar um grande programa nuclear civil e a produção de electricidade não era a prioridade.  Para Ben‑Gurion, a questão era estratégica.  

O novo Estado tinha uma população pouco numerosa, território limitado e estava rodeado por países com forças armadas muito superiores em número.  A conclusão a que chegou foi simples: a longo prazo, a sobrevivência de Israel não poderia depender apenas da capacidade militar convencional ou das garantias de aliados estrangeiros.  

Durante os anos seguintes, Israel desenvolveu uma rede internacional de cooperação científica e tecnológica que lhe permitiu adquirir conhecimento nuclear muito acima daquilo que seria expectável para um país da sua dimensão.  O primeiro passo importante ocorreu através do programa norte‑americano “Atoms for Peace”, que permitiu a construção do reactor de investigação de Soreq.  Oficialmente, o programa israelita apresentava‑se como um projecto científico semelhante aos existentes em dezenas de outros países.  No entanto, paralelamente, desenvolvia‑se uma segunda via muito mais ambiciosa.  

A crise do Canal do Suez, em 1956, aproximou estrategicamente Israel e França.  Os dois países, juntamente com o Reino Unido, participaram na operação militar contra o Egipto, de Gamal Abdel Nasser.  A cooperação militar estabelecida nesse período abriu caminho para um acordo muito mais importante.  Em 1957, França aceitou fornecer tecnologia, assistência técnica e apoio à construção de um reactor nuclear muito mais avançado do que aquele que existia em Soreq.  Nascia então o projecto Dimona.  

Quando as obras começaram no deserto do Negev, Israel procurou manter o máximo secretismo possível.  A dimensão da instalação acabou por tornar impossível esconder a sua existência.  Em 1960, aviões U‑2 norte‑americanos e outras fontes de inteligência identificaram o complexo.  A administração Eisenhower pediu explicações.  As respostas israelitas variaram ao longo do tempo.  Em diferentes momentos foram apresentadas justificações relacionadas com investigação científica, desenvolvimento industrial e utilização pacífica da energia nuclear.  Nenhuma delas convenceu completamente os especialistas norte‑americanos.  

Relatórios internos da CIA e da Comissão de Energia Atómica dos Estados Unidos, concluíram rapidamente que a escala do projecto não era compatível com os objectivos declarados.  A preocupação aumentou quando ficou claro que o reactor poderia produzir plutónio em quantidades adequadas à construção de armas nucleares.  A questão deixou de ser se Dimona tinha potencial militar.  A questão passou a ser saber até onde esse potencial estava a ser desenvolvido.  

O Presidente John F. Kennedy, tornou‑se o principal opositor internacional do programa nuclear israelita.  Entre 1961 e 1963, pressionou repetidamente o governo israelita para permitir inspeções regulares e abrangentes.  A administração Kennedy receava que o aparecimento de uma potência nuclear no Médio Oriente desencadeasse uma corrida armamentista regional.  Os israelitas acabaram por aceitar visitas periódicas de especialistas norte‑americanos, mas os acontecimentos posteriores demonstraram que essas visitas estavam longe de corresponder àquilo que Washington imaginava.  

Durante décadas, os inspectores acreditaram que tinham observado os elementos essenciais do complexo de Dimona.  Investigações posteriores, documentação desclassificada e trabalhos de investigadores como Avner Cohen, William Burr e Seymour Hersh, revelaram uma realidade muito diferente.  O complexo incluía instalações subterrâneas destinadas ao reprocessamento de plutónio que nunca foram mostradas aos visitantes norte‑americanos.  Algumas áreas foram deliberadamente ocultadas.  Segundo várias fontes, as equipas de inspeção foram conduzidas através de percursos cuidadosamente preparados e terão sido utilizadas salas de controlo falsas destinadas a criar uma imagem enganadora do programa.  O objectivo era simples: convencer os norte‑americanos de que Dimona não possuía capacidade operacional para produzir material destinado a armas nucleares.  

Ao mesmo tempo que ocultava partes essenciais da instalação, Israel procurava garantir o acesso aos materiais necessários para sustentar o programa.  Uma das operações mais importantes envolveu a aquisição de concentrado de urânio proveniente da Argentina.  Cerca de uma centena de toneladas foram adquiridas em condições que despertaram suspeitas em Washington.  Paralelamente, a Noruega forneceu água pesada, um componente fundamental para o funcionamento do reactor.  Décadas mais tarde, a própria Noruega viria a questionar a forma como esse material tinha sido utilizado.  

Nenhum episódio gerou tantas suspeitas quanto o caso NUMEC.  Entre as décadas de 1950 e 1970, desapareceram centenas de quilogramas de urânio altamente enriquecido das instalações da Nuclear Materials and Equipment Corporation, na Pensilvânia.  Investigações do FBI, da CIA e de outras agências, nunca conseguiram determinar de forma conclusiva o destino desse material.  Ao longo dos anos acumularam‑se indícios de contactos entre responsáveis da empresa e agentes israelitas ligados ao sector nuclear e aos serviços de informações.  Nenhuma prova definitiva foi apresentada.  Contudo, também nunca surgiu uma explicação satisfatória para justificar o desaparecimento de uma quantidade de material suficiente para desempenhar um papel relevante num programa nuclear militar.  

Em meados da década de 1960, os responsáveis norte‑americanos já compreendiam que Israel se encontrava muito próximo de alcançar capacidade nuclear.  A Guerra dos Seis Dias, em 1967, tornou essa realidade particularmente sensível.  Estudos históricos posteriores indicam que existiram planos de contingência para uma demonstração nuclear no Sinai caso a situação militar se deteriorasse gravemente.  A rápida vitória israelita tornou esses cenários irrelevantes, mas o simples facto de terem sido considerados demonstra o grau de desenvolvimento atingido pelo programa.  

Em 1969 ocorreu o momento decisivo.  Golda Meir reuniu‑se com Richard Nixon e foi alcançado um entendimento informal que moldaria a política nuclear israelita até aos dias de hoje.  Israel não realizaria testes nucleares públicos, não declararia oficialmente a posse de armas nucleares e manteria a sua política de ambiguidade estratégica.  Em troca, os Estados Unidos deixariam de exercer pressão significativa sobre a questão.  A partir desse momento, o programa nuclear israelita deixou de ser um problema a resolver e passou a ser uma realidade silenciosamente aceite.  

A política de ambiguidade transformou‑se numa das características mais peculiares da estratégia israelita.  Israel nunca confirmou possuir armas nucleares.  Nunca assinou o Tratado de Não Proliferação Nuclear.  Nunca aceitou o regime de inspeções imposto a outros países.  Apesar disso, sucessivas administrações norte‑americanas e governos ocidentais passaram a tratar o assunto como uma questão encerrada.  

Em 1979 surgiu outro episódio controverso.  Um satélite norte‑americano detectou um duplo clarão sobre o Atlântico Sul, um fenómeno frequentemente associado a testes nucleares atmosféricos.  Rapidamente surgiram suspeitas de uma possível cooperação entre Israel e a África do Sul do tempo do apartheid.  Embora nunca tenha sido apresentada uma conclusão definitiva, numerosos especialistas continuam a considerar plausível a hipótese de um teste nuclear conjunto.  

A cooperação entre Israel e a África do Sul constituiu, aliás, uma das áreas mais polémicas da história do programa nuclear israelita.  Documentação revelada posteriormente demonstrou a existência de uma relação militar e tecnológica profunda entre os dois países durante os anos 70 e 80.  O debate sobre o alcance exacto dessa cooperação continua aberto, mas a associação entre um Estado que se apresentava como aliado privilegiado do Ocidente e um dos regimes mais isolados do planeta, permanece um dos capítulos mais desconfortáveis da Guerra Fria.  

A confirmação pública mais significativa surgiu apenas em 1986.  Mordechai Vanunu, técnico que trabalhara em Dimona, forneceu ao Sunday Times fotografias e informações detalhadas sobre as instalações nucleares israelitas.  As imagens permitiram aos especialistas concluir que a capacidade do programa era significativamente superior à estimada anteriormente.  Pouco depois da divulgação, Vanunu foi atraído para Itália por uma agente do Mossad, sequestrado, transportado para Israel e condenado a dezoito anos de prisão, grande parte dos quais cumpridos em isolamento.  

Actualmente, Israel continua a manter a mesma posição adoptada há mais de meio século.  Não confirma, mas também não nega.  Estimativas independentes apontam para um arsenal de várias dezenas ou mesmo mais de uma centena de ogivas nucleares, apoiado por mísseis balísticos, aeronaves e submarinos capazes de assegurar uma capacidade de resposta mesmo após um ataque devastador.  Foi neste contexto que Seymour Hersh, popularizou a expressão “Samson Option”, uma referência à figura bíblica de Sansão, que derruba o templo sobre si próprio e sobre os seus inimigos.  A expressão descreve a ideia de que, perante uma ameaça existencial, Israel poderá recorrer a uma retaliação nuclear maciça destinada a garantir que a destruição do Estado não ocorra sem consequências catastróficas para os seus adversários.  

A história do programa nuclear israelita não é apenas a história de um arsenal construído em segredo.  É também a história de uma sucessão de operações clandestinas, acordos diplomáticos silenciosos, instalações ocultadas, inspeções condicionadas, materiais adquiridos por vias controversas e decisões políticas que permitiram a criação da única potência nuclear do Médio Oriente fora do regime internacional de não proliferação.  Mais do que qualquer outro caso da era nuclear, demonstra que a diferença entre aquilo que é considerado aceitável e aquilo que é considerado uma ameaça raramente depende apenas das regras.  Depende quase sempre de quem as está a violar.  



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O drama das mulheres alemãs

Soldados aliados e uma mulher alemã (1945)


Quando Berlim caiu em 1945, muitos acreditaram que o pior finalmente tinha passado.  Depois de anos de bombardeios, destruição e perdas humanas, o fim da guerra parecia anunciar a tão esperada paz.  

Para milhões de mulheres alemãs, porém, esse momento marcou o início de um novo tormento.  

As cidades estavam devastadas.  Bairros inteiros haviam sido transformados em ruínas pelos ataques aéreos.  Grande parte dos homens na frente de combate haviam morrido, desaparecido ou sido capturados como prisioneiros de guerra e fuzilados posteriormente.  Restavam na Alemanha, em sua maioria, mulheres, crianças e idosos.  

Foi nesse cenário frágil e arrasado que chegaram as tropas dos países vencedores.  

O que se seguiu nos meses posteriores é hoje reconhecido por muitos historiadores como um dos episódios mais dolorosos e pouco discutidos do pós-guerra europeia.  Em diversas cidades sob ocupação, incontáveis mulheres foram vítimas de violência sexual.  

Muitos historiadores afirmam que o próprio Estaline — líder da URSS — instruía e incentivava a que os seus militares violassem as mulheres e crianças dos países derrotados.  

As estimativas apontam para números muito expressivos.  Alguns estudos indicam que cerca de dois milhões de mulheres alemãs podem ter sido violadas nos meses e anos que sucederam o fim do conflito.  E isso não ocorreu de forma isolada, as tropas aliadas também fizeram o mesmo!... 

Em muitas regiões ocupadas, a violência sexual e física tornou-se parte da rotina.  As vítimas incluíam mulheres de todas as idades — crianças, jovens do sexo feminino e masculino, mães e idosas.  Algumas sofreram agressões repetidas.  Muitas jamais relataram o que viveram, seja por vergonha, medo ou por saberem que dificilmente seriam ouvidas.  

As consequências foram profundas e dolorosas.  

No pós-guerra, centenas de milhares de crianças nasceram sem um pai reconhecido legalmente.  Muitas foram criadas somente pelas mães.  Outras acabaram sendo adoptadas ou cresceram sem conhecer a sua história de origem. 

Nos hospitais alemães, médicos relataram estar sobrecarregados com mulheres procurando ajuda após os abusos ou pedindo a interrupção de gestações forçadas.  E essa realidade não se restringiu somente à Alemanha. 

Em diversas cidades da Europa Central e do Leste, como Viena, na Áustria, relatos da época mencionam milhares de mulheres agredidas durante a ocupação militar dos aliados.  Em algumas regiões da Itália, após a passagem das tropas, também houve numerosas denúncias de violações.  

Durante aqueles meses, a linha entre libertação e desordem era extremamente ténue.  

Quando o Exército Vermelho avançou em direcção a Berlim, em 1945, a cidade abrigava cerca de 2,7 milhões de pessoas — na sua maioria mulheres, crianças e idosos.  As notícias vindas das áreas já ocupadas espalhavam pânico e desespero.  

Muitas mulheres viviam sob constante medo do que poderia acontecer.  Algumas assim que presentiam o perigo, escondiam-se em porões, túneis e igrejas.  Outras tentaram desesperadamente encontrar formas de se protegerem ou escaparem de uma ameaça que parecia inevitável.  

Durante décadas, esses relatos foram mantidos quase no silêncio.  A dor daquelas mulheres muitas vezes foi ignorada ou deixada de lado, apagada pela urgência de branquear os crimes de guerra, reconstruir a Europa e seguir em frente.  

Somente muito tempo depois, graças a relatos pessoais, diários e pesquisas históricas, o mundo começou a compreender a extensão dessa tragédia.  

A guerra não arrasa apenas cidades ou territórios.  Ela destrói vidas, desmantela famílias e marca física e psicologicamente gerações inteiras.  

Recordar essas histórias não significa reescrever o passado ou minimizar outras atrocidades de período histórico. Significa reconhecer que, mesmo nos momentos celebrados como vitória, existiram sofrimentos profundos que permaneceram invisíveis por demasiado tempo.  

Porque lembrar — mesmo quando dói — é o único meio de impedir que certas feridas desapareçam da memória do mundo.  E que muitas vezes, aqueles que nos parecem heróis são também vilões!  



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Salazar e Estado Novo

António de Oliveira Salazar
António de Oliveira Salazar


NASCIMENTO  DE  SALAZAR

Deus quis que a criança viesse ao mundo quando já não era esperada, o pai António de Oliveira e a mãe Maria do Resgate, já não eram jovens e tinham 50 e 44 anos respectivamente.  No decorrer de 9 anos de casamento tiveram 4 filhas, Marta, Elisa, Leopoldina e Laura.  O parto correu sem problemas em casa da família, no Vimieiro, uma localidade perto de Santa Comba Dão.  Era domingo, dia 28 de Abril de 1889, e o relógio apontava aproximadamente três horas da tarde.  

O menino seria batizado a 16 de Maio desse ano e chamar-se-ia António de Oliveira Salazar.  António de Oliveira como o pai e Salazar como o avô materno.  Foram escolhidos para seus padrinhos a ilustre e abastada família dos Perestrelos, pai e filha, cujos nomes eram, António Xavier Perestrelo Corte-Real e Maria de Pinna Perestrelo.  

Os Perestrelos não obstante aceitarem o convite para padrinhos, fizeram-se representar por um carpinteiro de nome Francisco Alves da Silva e pela sua esposa Luísa da Piedade.  Os Perestrelos não foram à igreja porque a pesar do feitor António de Oliveira não ser propriamente pobre, o carpinteiro e a sua esposa estariam mais ao nível dele.  



QUEDA  DA  MONARQUIA


Em 1908, a situação económica, política e social de Portugal estava a deteriorar-se dia após dia.  Os homens da Igreja, monárquicos, temem pela sorte da família real e vivem em constante sobressalto com as constantes ameaças de derrube do regime monárquico por meios revolucionários, a serem levados a cabo por parte dos republicanos.  Estes eram influenciados em certa medida por forças estrangeiras.  O rei D. Carlos não sabia como resolver esse gravíssimo problema.  

Entretanto, em 28 de Janeiro de 1908, falha uma tentativa para derrubar o regime monárquico.  Três dias depois, a 1 de Fevereiro, o rei D. Carlos e o príncipe herdeiro D. Luís Filipe, foram assassinados no Terreiro do Paço.  Com o assassinato do rei praticamente acabou o regime monárquico em Portugal.  O seu filho mais novo D. Manuel II, ainda foi coroado rei, mas devido à sua tenra idade e falta de preparação não conseguiu aguentar o regime por muito mais tempo.  O político Afonso Costa, um marrano,[1] rufia violento e de modos rudes, já antes tinha, meio que ameaçado de “morte” o rei D. Carlos, proferindo a seguinte frase:  

“ Por muito menos crimes do que os cometidos pelo senhor D. Carlos,
rolou no cadafalso, em França, a cabeça do rei Luís XVI. ”


Afonso Costa era membro da Maçonaria e foi por alguns poucos considerado o principal suspeito de ser o mandante desse assassinato levado a cabo por membros da Carbonária.  

Essa organização criminosa era considerada o braço armado da Maçonaria e tinha sido recém criada em Portugal.  Após o assassinato do rei D. Carlos, a Carbonária foi rapidamente extinta no nosso país.  

Os republicamos (em sua grande maioria maçons e anti-Igreja Católica), através dos jornais e publicações da época, andavam há já algumas décadas a envenenar as cabeças do povo português contra a monarquia e contra a Igreja Católica.  Assim, desta forma, os republicanos de corrente ideológica liberal e anti-Igreja Católica, em 5 de Outubro de 1910, os maçons republicanos liberais, conseguiram derrubar a monarquia e instaurar em Portugal a primeira República.  

Em poucos dias o novo regime republicano, liberal e maçónico, atacou a Igreja Católica, Afonso Costa que ocupava a pasta pasta da Justiça e Cultos, ajudou com afinco na promulgação da Lei abolindo o ensino religioso em Portugal.  Em 20 de Abril de 1911, foi promulgada a Lei da Separação entre o Estado e a Igreja.  Em 16 de Outubro, Afonso Costa, clama no Parlamento por uma política de total intransigência contra os "conspiradores" monárquicos.  

Porém, contrariamente aquilo que o ignorante e ingénuo povo português pensava, o regime republicano, liberal, ateu e anti-Igreja Católica, não resolveu nenhum problema do país, bem pelo contrário, os principais problemas do país agravaram-se ainda mais.



INSTAURAÇÃO  DA  DITADURA


O ano de 1916, foi particularmente terrível para Portugal, sucediam-se greves por mesquinhices, a criminalidade nas ruas era altíssima, havia muita agitação social e os partidos políticos não se entendiam.  A situação económica do país era gravíssima, chegou-se ao ponto de Portugal só ter farinha de trigo para pouco mais que uma semana.  Muitas padarias foram saqueadas e a farinha teve de ser racionada.  O comércio de trigo teve se ser limitado até 30 litros por família a fim de assegurar a viabilidade de pequenas sementeiras e de algum pão para o povo.  

Foi então que, Afonso Costa, em pânico com a ameaça de fome e eventual guerra civil, viu-se obrigado a pedir um empréstimo de 3 milhões de Libras a Inglaterra, que só foi concedido com a contrapartida de Portugal entrar na Primeira Guerra Mundial ao lado dos ingleses.  

Portugal comprometeu-se e enviou para a frente de combate 55.000 homens. Lamentavelmente a participação portuguesa na guerra foi catastrófica e houve um elevadíssimo número de baixas nos soldados nacionais.  

O descontentamento do povo era geral.  Foi então que, uma parte considerável da população portuguesa começou a ser da opinião que tinha sido um grande erro instaurar a República.  

Entretanto, face à péssima situação política e social de Portugal, surgiu um marechal chamado Gomes da Costa — monárquico convicto — que encabeçou um grupo de militares que eram da opinião que em Portugal fosse instaurada uma ditadura militar que governasse o país com pulso de ferro a fim de impor disciplina no povo.  

Foi então que, com esse objetivo em mente o marechal Gomes da Costa reuniu um pequeno exército e avançou para a tomada do poder em 28 de Maio de 1926.  Os militares revoltosos saíram da cidade de Braga e dirigiram-se para Lisboa com o objetivo de derrubar o governo e tomar o poder.  Todavia, esse pequeno exército não estava sozinho, militares por todo o país aderiram ao golpe de Estado que terminou com um desfile pelas ruas de Lisboa e com aplausos dos populares.  

Na altura o Presidente da República era o maçon Bernardino Machado, que de imediato se demitiu e entregou o lugar ao também maçon, almirante José Mendes Cabeçadas, que tinha liderado a revolta militar em Lisboa.  

A partir dessa altura foram proibidos os partidos políticos e acabaram as eleições.  Os governantes passaram a ser escolhidos e nomeados pelos militares.  A par disso, foram também proibidos os sindicatos, as greves e as manifestações, assim como as emissoras de rádio, os jornais e outras publicações, passaram a ser controladas e censuradas.  Ou seja, a população ficou limitada nas suas liberdades de expressão e de ação, principalmente se fossem contra o governo.  

É claro que, estas duras medidas foram absolutamente necessárias para pôr o país e a sociedade em geral no rumo certo.  Portugal rapidamente entrou na ordem, porém os graves problemas económicos persistiam e continuavam por resolver.  

Entretanto, em 1928, o general Óscar Carmona foi eleito Presidente da República.  Endereçou um convite para o Ministério das Finanças a um jovem professor da Universidade de Coimbra, chamado António de Oliveira Salazar e que a pesar de jovem já gozava de grande reputação.  

Salazar, orgulhosamente aceitou o cargo e estava decidido a resolver os problemas económicos que atormentavam o país.  

Rapidamente Salazar conseguiu fazer aquilo que nenhum outro ministro das finanças tinha feito até então, ou seja, aumentou as receitas, reduziu as despesas e assim equilibrou as contas do Estado.  Salazar tornou-se o ministro mais importante do governo, sendo-lhe atribuído o cognome de “salvador da pátria”, ele tornou-se numa espécie de herói nacional.   

Salazar tinha uma inteligência acima da média e uma habilidade nata para assuntos de economia, então muito naturalmente sobressaiu entre todos os homens de Estado.  Tal facto fez com que em 1932, o Presidente da República Óscar Carmona o tenha nomeado como Presidente do Conselho de Ministros, que na altura era um cargo muito semelhante ao de Primeiro-Ministro na actualidade.  

Para aceitar o novo cargo Salazar exigiu ser o senhor absoluto do governo e assim aconteceu.  Ele passou a controlar tudo e ninguém lhe fazia frente.  Criou o Partido União Nacional, que passou a ser o único partido autorizado em Portugal.  Criou também uma polícia política que tinha informadores secretos e perseguia todos aqueles que fossem ou falassem contra o regime.  Em 1933, mandou escrever uma nova Constituição e iniciou um novo regime político em Portugal — uma ditadura — ao qual chamou de Estado Novo.  

Todavia, nem tudo foi pacifico para Salazar.  Em 4 de Julho de 1937, foi alvo de um atentado à bomba quando se deslocava de automóvel para assistir à missa dominical.  O atentado foi feito por um grupo de militantes da CGT - Confederação Geral do Trabalho, cujo líder era Emídio Santana.  Este grupo era de inspiração anarcosindicalista.  

Neste novo regime, deixou de haver liberdade de expressão em Portugal, o que aliás, já não havia mesmo antes dele assumir o governo, os jornais e revistas tinham de enviar previamente para o gabinete de censura quatro cópias de cada página com tudo o que iam publicar.  Por sua vez, o censor, caso lesse algo que na sua ideia pudesse prejudicar o regime impedia a publicação, ou então, cortava com um “lápis azul” o que ele julgasse que não poderia ser publicado.  Para além dos jornais e revistas, a Censura também se fazia sentir em: filmes, peças de teatro, canções, livros, anúncios publicitários, pinturas, caricaturas, etc, etc.  

O povo português também deixou de ter a liberdade de falar sobre política ou dizer mal do regime.  Os que arriscavam a falar eram perseguidos, presos e torturados.  Muitos deles foram enviados para a prisão do Tarrafal, que se situava na ilha de Santiago, em Cabo-Verde.  

Salazar também criou a Mocidade Portuguesa, uma espécie de escuteiros mas com orientação política nacionalista e pró-regime, onde ensinavam as crianças dos 7 aos 14 anos a amar a nação, a respeitar as ideias do regime e a obedecerem-lhes.  

Entretanto, começou a Segunda Guerra Mundial.  Inteligentemente Salazar — com a graça de Deus — manteve Portugal neutro e livrou o nosso povo dos horrores da guerra.  Também, sabiamente, aproveitou-se da situação e exportou alimentos e outros produtos para os principais países envolvidos na guerra e, principalmente, volfrâmio, que era um minério utilizado para endurecer o aço do armamento militar.  Essas exportações renderam ao país muito dinheiro e Salazar aplicou todo esse dinheiro em obras publicas, tais como hospitais, estradas, caminhos de ferro, pontes, aeroportos, etc.  

Não obstante o país ter recebido muito dinheiro proveniente das exportações, a generalidade do povo português vivia com bastantes carências e foi nessa altura — pós-guerra — que se deu inicio à “onda” emigratória principalmente para países da Europa Ocidental e Brasil.  



OPOSIÇÃO  AO  REGIME
E
GUERRA  COLONIAL


O povo estava descontente e foi então que os opositores ao regime apoiados por várias potencias estrangeiras (EUA, Inglaterra e outros), juntaram-se aos revolucionários comunistas apoiados pela URSS[2] e começam novamente a envenenar as cabeças do povo português, tal como já o haviam feito no tempo da monarquia.  Como consequência disso, começou a haver instabilidade social e greves um pouco por todo o país.  

Foi então que, corria o ano de 1958, um general — traidor ao regime — chamado Humberto Delgado, secretamente apoiado por potencias estrangeiras, candidata-se a presidente da República.  Num celebre dia, quando Humberto Delgado é questionado por um jornalista sobre o que ele faria ao Presidente do Conselho de Ministros — ou seja, a Salazar — caso ganhasse as eleições, ele respondeu “Obviamente, demito-o!”.  Porém, a pesar de um bom apoio popular, Humberto Delgado perde as eleições para Américo Tomás, que era o candidato escolhido por Salazar e apoiado pelo regime.  

Após as eleições e com o apoio e “liderança” do “general sem medo” como era conhecido Humberto Delgado, Portugal nunca mais teve sossego social.  

O regime tinha imensos opositores interna e externamente, que trabalhavam afincadamente para interesses estrangeiros e cujo objectivo era derrubar o regime.  Por esse facto o regime teve de enfrentar várias manifestações estudantis e algumas tentativas falhadas de golpes de Estado.  Graças a Deus todas elas mal sucedidas.  Entretanto, Humberto Delgado acaba por ser assassinado em Espanha pela PIDE,[3] que era a polícia secreta portuguesa.

Logo após o fim da Segunda Guerra Mundial, constituiu-se a ONU[4] e ficou acordado pelos países fundadores que mundialmente todas as colónias tinham direito à autodeterminação e a serem independentes.  

Assim, vários países que na altura tinham colónias começaram os respetivos processos de descolonização, entregando o poder político e administrativo aos povos autóctones, tornando assim esses países independentes.  Salazar não aderiu a essa ideia, uma vez que Portugal era um país sem recursos naturais e era das ex-colónias que Portugal adquiria uma boa parte dos recursos que necessitava nomeadamente petróleo, ferro, café, açúcar, chá e frutas diversas, entre outras coisas.  

Entretanto, potências como EUA e URSS, levadas pela ganância e ambição de dominarem o mundo inteiro, começaram a criar e armar movimentos políticos e de guerrilha que reivindicavam a independência nas ex-colónias.  Principalmente em Angola e Moçambique, que eram os países onde se encontravam muitos recursos naturais que essas potências ambicionavam explorar.  

Nessa altura Portugal era dos poucos países que ainda tinham colónias e foi então pelos motivos anteriormente mencionados que em África a revolta dos povos autóctones contra a “ocupação” portuguesa ia aumentado gradualmente.  

Aos poucos, os EUA e a URSS, foram armando as milícias de africanos autóctones que mais tarde fizeram guerra aos colonos portugueses.  A guerra colonial era previsível.  

Posto isso, foi então que em 15 de Março de 1961, em Angola, a UPA,[5] que era uma milícia de guerrilheiros autóctones — pretos — atacou e assassinou barbaramente um grande número de colonos portugueses nas fazendas do Norte de Angola.  Foi um ataque essencialmente traiçoeiro e racista contra civis — brancos — desarmados invés de ser dirigido ás forças militares e policiais do regime.  

Em resposta a esse ataque sanguinário e brutal, Salazar comunicou ao povo português que iria enviar tropas para Angola.  Nessa comunicação ficou celebre a frase “Para Angola, rapidamente e em força”.  Começou então a Guerra Colonial, que se estendeu a todas as colónias portuguesas com excepção de Macau.  

A Guerra Colonial prolongou-se por 13 anos e envolveu todas as colónias portuguesas nos continentes da África e da Ásia, ou seja, Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Timor, Goa, Damão e Diu.  Havia outros dois enclaves portugueses na Índia, que se chamavam Nagar Aveli e Dadrá, mas já tinham sido perdidos no ano de 1954.  

A função dos contingentes de soldados portugueses enviados para África, foi de impedir que os guerrilheiros independentistas se apoderassem daquilo que Salazar achava que era — a extensão do — território português, ou seja, o território português ia desde a Metrópole até Timor.  

A Guerra Colonial foi um dos momentos mais traumáticos da nossa história e deixou marcas muito profundas na sociedade portuguesa, principalmente porque houve milhares de soldados mortos e feridos.  Praticamente todas as famílias portuguesas tiveram alguém a combater na Guerra Colonial.  Muitos portugueses ofereciam-se para ir combater nas ex-colónias, mas muitos outros emigraram clandestinamente para fugir da guerra.  Naquele tempo o serviço militar era obrigatório para todos os homens portugueses e quem se recusasse a cumprir o serviço militar ia preso.  

Todavia, não obstante os constantes protestos de descontentamento popular dentro e fora do país, o regime estava disposto a manter a todo o custo as colónias, até porque, Salazar, estava bem ciente que os recursos naturais das ex-colónias eram indispensáveis a Portugal.  



MORTE  DE  SALAZAR
E
FIM  DO  REGIME


Salazar já há algum tempo que dava sinais de fadiga física e mental e decide instalar-se no Forte de Santo António do Estoril.  

Na manhã de 4 de Agosto de 1968, aconteceu algo inesperado.  Após olhar a barra do Tejo, Salazar senta-se, deixando-se cair — como era hábito dele — sobre uma velha cadeira toda desconchavada, do tipo realizador de cinema, já com a lona ressequida pelo tempo, a cadeira quebrou-se, ele caiu e bateu com a cabeça no chão.  Passado esse evento, ainda nessa mesma manhã, Salazar recebe a visita do seu barbeiro, depois, em pé, leu o jornal que este lhe tinha trazido e ao sentar-se numa cadeira que momentos antes tinha sido arredada para o lado, caiu totalmente desamparado e bateu novamente com a cabeça no chão.  Dias depois, Salazar queixa-se de dores de cabeça e arrasta ligeiramente a perna direita.  A 6 de Setembro, Salazar foi internado no Hospital da Cruz Vermelha e submetido a uma intervenção cirúrgica.  No dia 16, sofre uma trombose e ficou impedido de continuar a governar.  

Os relatórios e opiniões dos médicos indicavam que dificilmente Salazar iria voltar a ter condições psíquicas e físicas para continuar a assumir a liderança do país.  

Face a este problema, o Presidente da República Américo Tomás, reúne-se com todo o Aparelho de Estado e rapidamente o regime tomou as medidas necessárias para substituir o líder e nomeou para Presidente do Conselho de Ministros um famoso professor de Direito, chamado Marcelo Caetano.  

Não se realizaram eleições em virtude do regime ser uma ditadura e, logo portanto, Marcelo Caetano foi nomeado diretamente pelo Presidente da República, Américo Tomás.  

Em 27 de Julho de 1970, é comunicado ao país o falecimento de Salazar.  



CONSIDERAÇÕES  FINAIS


Com a mudança do Presidente do Conselho de Ministros e o falecimento de Salazar, o povo português teve a esperança que a ditadura acabaria e consequentemente também a Guerra Colonial, mas foi uma pura ilusão.  Muito pouco mudou com estes dois eventos.  

Finalmente, o fim do regime político criado por este grande estadista português, veio 4 anos após a sua morte.  

Um grupo de oficiais militares com o pretexto de haver injustiças ao nível de promoções nas carreiras militares, conspiram contra o regime em conluio com um discreto apoio de forças estrangeiras.  Então, em 25 de Abril de 1974, levaram a cabo um golpe de Estado que foi bem sucedido e que ficou conhecido como o Movimento dos Capitães de Abril.  

Como nota final, é imperativo dizer que gostemos ou não de Salazar, ele foi um dos melhores, senão mesmo o melhor estadista português de todos os séculos.  Sozinho contra o mundo, sozinho contra todos os escroques de Portugal e sozinho contra todos os conspiradores internos e externos, mas, mesmo assim, conduziu sempre a sua nação pelo bom caminho.  

Salazar fez o seu melhor por Portugal e pelo seu povo.  Erros, todos nós cometemos e ele também os cometeu, porém, cuidou de Portugal como se da sua própria casa se tratasse, e, cuidou do seu povo como se dos seus próprios filhos se tratassem.  Devemos pois, estar-lhe gratos!...  

Porém, o seu maior feito foi curar o seu pobre país de uma “doença crónica” chamada endividamento sistemático.  “Doença” essa que regressou mais tarde, e, mais uma vez com um regime Republicano, Democrático e Liberal, imposto ao povo português por forças estrangeiras em 25 de Abril de 1974.  Regime que em poucas décadas mostrou ser um fracasso total, não só em Portugal, mas em todo o Ocidente.  



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NOTAS  DE  RODAPÉ: 
[1] - Português descendente de judeus, ou judeu nascido em Portugal.  Também denominado de
          Cristão-novo.  B'nei anussim (em tradução literal, “filhos dos forçados”) ou marranos, são
          expressões hebraicas que designam os descendentes de judeus convertidos compulsivamente
          a outras religiões (anusim), sobretudo ao cristianismo e islamismo.  Mais especificamente,
          costumam referir-se aos descendentes dos judeus sefarditas portugueses e espanhóis, que 
          foram obrigados a abandonar a Lei judaica e a converterem-se ao cristianismo, contra a sua
          vontade, para escapar às perseguições movidas pela Inquisição.  Muitos desses marranos dos
          reinos cristãos da Península Ibérica cripto-judaizavam, ou seja, continuavam a observar e praticar
          clandestinamente os seus antigos costumes e a sua religião anterior que era o judaísmo.  
          Para saber mais ver:  https://pt.wikipedia.org/wiki/Afonso_Costa

[2] - URSS – União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, era a antiga denominação da Rússia, dado
          que era composta por vários países (repúblicas).  

[3] - PIDE - Polícia Internacional de Defesa do Estado.  PIDE era a sigla que designava a polícia secreta
          portuguesa, criada para defender Portugal das ameaças internas e externas.  

[4] - ONU – Organização das Nações Unidas.  Foi criada com o objectivo de instaurar a paz e a ordem
          entre todas as nações do mundo.  Também há quem a considere que é uma forma subtil de 
          Governo Mundial.  

[5] - UPA - União das Populações de Angola.  Foi fundado em 1954, com o nome de, União das
         Populações do Norte de Angola (UPNA), assumindo posteriormente, em 1958, o nome de, União
         das Populações de Angola (UPA).  Actualmente chama-se: Frente Nacional de Libertação de
         Angola (FNLA), e é um partido político angolano orientado no espectro de centro-direita, 
         à direita.  



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