Recordações fenícias

Barco moliceiro, na ria de Aveiro


O nosso país tem coisas muito interessantes, e entre elas está o carro fenício com rodas fixas ao eixo, o qual se revolve nas suas duas caixas presas ao carro!  

É muito singular que a locomoção mais moderna (o comboio por exemplo) também aplica o mesmo sistema nos seus carris de ferro.  Só que com rodas em cunha, caso contrário descarrilava nas curvas!  

Temos mais uma recordação fenícia entre nós, a qual, na realidade, é bem mais interessante que o nosso velho carro de bois, a quem o Chiado, em Lisboa, deve o seu apelido.  Essa recordação é o barco de pesca da Afurada, com os seus dois bem proporcionados bicos.  Um na prôa e o outro na ré.  

Provavelmente este barco deve ser a mãe da gondola de Veneza, a qual mantêm os dois bicos, e numa forma mais elegante, para a complacência das lindas venezianas dos tempos remotos e talvez (quem sabe) das de hoje.  

O que é certo é que o pescador no Douro trás debaixo dos pés uma barca clássica.  

É de notar como este pequeno barco serviu de molde para tantas derivações.  Assim, em tempos idos, achavamos uns barcos de pesca muito grandes na praia de Espinho, os quais venciam as ondas quebradas do Atlântico de uma maneira admirável e traziam para terra os cabos das redes cheias de milhões de sardinhas.  

Também serviu o clássico barco de molde para os barcos que povoam a ria de Aveiro, os quais teem debaixo do bico da prôa um dormitório muito confortável e espaçoso.  

Os fenícios, evidentemente, tinham a mente prática, artística, económica e expansiva!  


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A democracia acabou



Em 1999, com o fim do chamado “Bloco de Leste”, o mundo passou a ser unipolar, ou seja, passou a ser “ponto assente” que a única solução é a economia de mercado e o liberalismo (selvagem).  

Estava visto que a politica alternativa, o comunismo, era ineficaz e tinha falido.  Até mesmo a China, o grande gigante que continua oficialmente a ser comunista, na realidade passou a admitir ser “um regime, dois sistemas”, pois teve de se render à economia de mercado para não entrar em colapso financeiro como aconteceu à ex-URSS.  Então a China passou a ser uma espécie de fascismo ao modo asiático.  

Com o fim do bloco comunista (URSS, China e restantes países satélites), as democracias ocidentais deixaram de ter uma verdadeira dialética sobre o sistema, e as esquerdas-marxistas passaram a depender exclusivamente dos banqueiros e magnatas ocidentais para se financiarem.  

Na realidade, em termos económicos, já não existe diferenças significativas entre os partidos tradicionais (entenda-se os PUARes dos países ocidentais).  Basta ver que, quer estejam os partidos de esquerda, ou quer estejam os partidos de direita, nos governos, as políticas económicas são sempre de economia de mercado, liberais e de grandes negócios com grandes empresas de capitais privados.  

Aparentemente, os partidos tradicionais estão corrompidos nas suas ideologias e deixaram de ser democráticos, pois já não são uma alternativa real entre si, apenas têm pequenas diferenças de intensidade nisto ou naquilo.  Digamos que: Mesquinhices!...  

O mais grave é que com níveis de abstenção na ordem de 65% nas eleições legislativas, atinge-se os 43% de votos expressos com apenas 15% do eleitorado, ou seja, uma pequena percentagem de eleitores fica a mandar no país com maioria absoluta, como se fosse mais de metade do eleitorado que os escolhesse.  

Isto é o fim da democraticidade do sistema, pois só existe uma visão.  Quem pensa diferente é considerado um marginal e não tem meios de divulgar à sua mensagem.  Por causa disto a população desinteressou-se, deixou de considerar-se representada por estes partidos, criando-se assim uma ditadura de uma pequena minoria legitimada como se democrática fosse.  

Os partidos tradicionais vêm para os meios de comunicação social apelar o voto, dizer que se tem de combater à abstenção, mas na verdade isso é puro teatro.  Para eles, o sistema está muito bem assim, estão no poder alternadamente e cada vez necessitam de menos votos para ganhar as eleições e terem a maioria dos deputados na Assembleia da República.  

Quantos menos votos necessitarem, mais fácil será controlá-los.  Aos votos e ao povo.  

Para eles está óptimo!...


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