A Quarta Teoria Política (um resumo)



Para quem não conhece os conceitos da Quarta Teoria Política (Teoria do Mundo Multipolar) ou para quem nunca leu o livro “A Quarta Teoria Política”, de Aleksandr Dugin, aqui está um curtíssimo resumo.  

Então, “A Quarta Teoria Política”, de Aleksandr Dugin, é um livro que nasce da sensação de fim de uma época.  O seu ponto de partida é a ideia de que as grandes ideologias políticas do século XX — liberalismo, comunismo e fascismo — entraram em colapso ou esgotaram-se historicamente, deixando um vazio intelectual e político.  Dugin escreve como quem olha para os destroços do século passado e pergunta não apenas o que restou, mas o que ainda pode ser construído depois da ruína.  Nesse sentido, o livro não é só uma proposta política: é também um diagnóstico civilizacional, quase um manifesto contra a uniformização do mundo contemporâneo.  

A tese central é simples de formular, embora complexa nas consequências: se o liberalismo venceu os seus rivais históricos, isso não significa que tenha vencido a história.  Para Dugin, o liberalismo tornou-se a ideologia dominante, mas essa dominância produziu um mundo empobrecido espiritualmente, tecnocrático e sem profundidade metafísica.  O indivíduo, celebrado como centro absoluto, passa a existir isolado, dissolvido em consumo, mercado e administração.  A política, nessa visão, perde substância e torna-se gestão.  O livro insiste que esse esvaziamento não é neutro: ele representa uma forma específica de poder, que se apresenta como universal, mas que destrói diferenças culturais, identidades coletivas e tradições locais.  

Dugin tenta então abrir espaço para uma “quarta” teoria, isto é, uma alternativa às três grandes ideologias modernas.  Todavia, essa alternativa não é apresentada como um sistema fechado, pronto e conclusivo.  Ela aparece mais como uma busca, uma arquitetura em construção, uma convocação para pensar além das categorias herdadas da modernidade.  Em vez de repetir o jogo já conhecido entre Estado, mercado e revolução, ele propõe recuperar algo anterior e mais profundo: a noção de povo, tradição, destino histórico, enraizamento e pertença.  A sua crítica mira sobretudo o sujeito liberal, abstrato, individualizado, desligado de laços orgânicos, porque para ele esse sujeito é a peça central do domínio moderno.  

O livro também é fortemente marcado por uma rejeição da ideia de que a história caminha inevitavelmente para uma ordem única.  Contra o universalismo liberal, Dugin defende uma visão plural do mundo, formada por civilizações distintas, cada uma com a sua verdade histórica e a sua missão própria.  Aqui há uma das dimensões mais importantes da obra: o desejo de substituição do modelo homogéneo por uma política das diferenças civilizacionais.  O mundo, nessa leitura, não deveria ser uma cópia ampliada do Ocidente liberal, mas sim, uma constelação de centros culturais com direito à autonomia espiritual e política.  

Ao mesmo tempo, o livro opera num terreno perigoso e controverso.  Dugin tenta afastar-se explicitamente do fascismo e do comunismo clássicos, mas o seu vocabulário frequentemente reaproveita temas de tradição, organicismo, unidade colectiva e anti-individualismo, que podem soar inquietantemente próximos de formas autoritárias de pensamento.  É precisamente aí que a obra divide os leitores: para alguns, trata-se de uma crítica ousada ao esvaziamento da política moderna; para outros, de uma tentativa de reembalar impulsos antiliberais em linguagem filosófica (o.d.a. - Mas qual é o mal de ser antiliberal?).  O texto não seduz pela moderação, mas pela força da ruptura.  

Interpretativamente, o livro pode ser lido como uma recusa do presente.  Dugin escreve como se a modernidade tivesse produzido não apenas progresso técnico, mas também desorientação metafísica.  O ser humano, afastado de qualquer centro sagrado, passa a flutuar entre identidades provisórias.  Ou seja, a Quarta Teoria Política surge como uma crítica à forma dominante de organizar a política, especialmente ao liberalismo moderno.  O que está em jogo não é apenas uma disputa entre sistemas políticos, mas a reconstrução do sentido.  

“Em vez da liberdade abstrata, pertença”: não basta ser formalmente livre para escolher; as pessoas também precisam de se sentir ligadas a uma comunidade, cultura, povo ou tradição. 

“Em vez da igualdade formal, diferença histórica”: em vez de tratar todos como indivíduos iguais perante regras universais, valoriza-se o facto de os povos e as culturas terem histórias e características próprias.  

“Em vez do consumo, destino”: a vida não deveria ser orientada sobretudo pela compra, pelo conforto e pelo mercado, mas por um sentido coletivo de missão ou futuro.  

“Em vez da neutralidade, visão de mundo”: nenhuma política seria realmente neutra; toda a sociedade deveria assumir uma interpretação explícita sobre o ser humano, a história e o futuro.  

Assim, a política não deve limitar-se a administrar leis, eleições e economia.  Deve também responder a perguntas como: Quem somos?...  A que comunidade pertencemos?...  Que história partilhamos?...  Para onde queremos ir?...  

A ideia central é que a política contemporânea teria ficado demasiado abstrata, técnica e centrada no indivíduo. Por isso, essa teoria tentaria “devolver densidade ao mundo”: dar às pessoas e às comunidades uma identidade, uma história e um propósito mais fortes.

Há, porém, uma tensão interna decisiva no livro: Dugin critica a modernidade com força, mas precisa usar categorias modernas para construir a sua crítica.  Ele rejeita o universalismo liberal, mas formula a sua alternativa em termos igualmente abrangentes e ambiciosos.  Quer superar a política moderna, mas ainda fala em teoria, modelo, sistema e horizonte civilizacional.  Essa tensão dá ao livro a sua energia e também o seu limite.  Ele não é uma doutrina acabada; é uma provocação intelectual que depende da insatisfação com o mundo actual.  

Em termos de estilo, a obra funciona como um chamado.  Não pretende apenas argumentar; pretende mobilizar.  O seu tom é profético, às vezes apocalíptico, frequentemente inflamado.  O leitor não é conduzido por uma exposição neutra, mas por uma narrativa de decadência e possibilidade.  Primeiro vem a constatação do colapso: as ideologias modernas falharam.  Depois, a pergunta essencial: O que vem depois?...  A resposta de Dugin não é tecnicamente detalhada, mas simbolicamente forte.  Ele quer reabrir o espaço da decisão histórica, como se dissesse que a humanidade ainda não terminou de escolher quem deseja ser.  

A sua ambição é contestar o monopólio do liberalismo sobre o imaginário político contemporâneo.  Mesmo para quem discorda radicalmente das suas conclusões, a obra obriga a pensar sobre uma questão incómoda: o que acontece quando uma ordem vence todas as outras e passa a parecer natural, inevitável, sem alternativa?...  Dugin responde tentando reintroduzir a possibilidade do conflito de ideias em escala civilizacional.  

Como resumo interpretativo, pode-se dizer que A Quarta Teoria Política é o "esforço" de construir uma política para depois do fim das ideologias clássicas, mas também uma denúncia da pobreza espiritual da modernidade liberal.  O livro combina crítica do individualismo, exaltação da tradição, defesa do pluralismo civilizacional e recusa da hegemonia ocidental.  A sua força está na ambição, o seu risco está na proximidade com visões autoritárias.  Lido como texto filosófico, ele é uma tentativa de restaurar profundidade ao debate político.  Lido como projecto histórico, ele é um lembrete de como a busca por alternativa pode facilmente deslizar para formas rígidas de poder.  Ainda assim, é justamente nessa ambiguidade que o livro permanece relevante: ele não oferece conforto, mas inquietação.  E, em matéria de pensamento político, a inquietação às vezes vale mais do que a certeza.  

No fundo, o livro é menos uma solução do que uma guerra contra a resignação.  



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Estamos falidos!



Já escrevi por aqui que estamos falidos e que a declaração de insolvência está prestes a rebentar.  Não se tem falado muito na imprensa, mas o dedo que vai enterrar de vez os partidos tradicionais na Europa já está no gatilho e chama-se dívida pública.  

Temo que vá haver autoritarismo durante uns tempos, porque dificilmente será possível despedir funcionários públicos e cortar regalias sem alguma forma de repressão que mantenha o país em funcionamento.  Falta apenas saber qual o lado que vai prevalecer, entre o lado que tem apoio dos wokes ou o lado que tem o apoio dos militares e das forças de segurança.  Aceitam-se apostas, porque o duelo adivinha-se renhido.  

Desejo-vos a todos uma transição com a paz e a segurança possíveis, na certeza de que uma insolvência do Estado sem possibilidade de resgate internacional (porque ninguém vai conseguir acudir como antes), será sempre dolorosa.  E não percam a esperança.  O ocidente é pródigo em transformar grandes crises num mundo melhor, e uma crise destas tem sempre a vantagem de também permitir a limpeza necessária de instituições e de problemas que nos têm amarrado à miséria.  

Saibamos aproveitar o mau para algo bom.  



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Fonte: 



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Operação Vagô



Corria o ano de 1961 e dois generais traidores à nação portuguesa, chamados Humberto Delgado e Henrique Galvão de Melo, dividem no exílio a liderança do Movimento Nacional Independente (MNI).  Estes generais eram apoiados por forças políticas de países estrangeiros e alinhados com as ideologias mundialistas, comunistas e libertinas.  

Os dois sempre mantiveram uma relação tensa, pois competiam pela liderança absoluta do movimento, mas na prática Humberto Delgado era o responsável político do movimento e o Henrique Galvão era o responsável pela organização militar e operacional.  A relação entre ambos deteriorou‑se bastante após o sequestro do paquete Santa Maria, porque Humberto Delgado considerou‑a um fracasso e Galvão de Melo tinha opinião contrária.

Por volta de finais de Maio, Galvão de Melo comunicou a Humberto Delgado que tinha um plano para desviar um avião da TAP (Transportes Aéreos Portugueses) e lançar panfletos revolucionários sobre várias cidades portuguesas — baptizado de Operação Vagô.  

Humberto Delgado não concordou com o plano de Galvão de Melo em virtude dele também ter um plano para organizar um pronunciamento do Exército em Portugal.  Porém, Galvão de Melo tentou convencer Delgado a concretizar os dois planos simultaneamente e nesse entretanto reivindica o comando operacional do movimento.  

Mas, Humberto Delgado recusou dar‑lhe o comando operacional do movimento e na sequência desse desentendimento extinguiu o cargo de secretário‑geral do MNI.  Galvão de Melo inconformado respondeu‑lhe: 

      - Deixei de ser o que, efectivamente, nunca fui, como titular de um cargo que, efectivamente, nunca existiu, 
        num movimento que, pelos vistos, está reduzido, também, a uma inexistência efectiva.  



Após este episódio de crispação, no mês de Setembro, Galvão de Melo funda uma nova organização revolucionária denominada Frente Anti‑totalitária dos Portugueses Livres no Exílio, mais conhecida pela sua sigla FAPLE. 

Por esta ocasião, Humberto Delgado e Galvão de Melo estavam em Marrocos, hospedados no Hotel Minzah, em Tânger.  Delgado preparava uma sublevação militar em Portugal e, Galvão de Melo planeava o desvio de um avião — a dita Operação Vagô.  Os elementos operacionais que intervieram na dita operação conheciam‑se bem, pois todos eles estiveram exilados no Brasil e tentaram por tudo que os dois chefes unissem esforços para fazerem uma operação em conjunto, porém sem sucesso!

Humberto  Delgado  e  Henrique  Galão  de  Melo


O general Galvão de Melo, nomeou para executarem a Operação Vagô, os seguintes elementos operacionais terroristas: 

   - Hermínio da Palma Inácio
   - Camilo Mortágua 
   - Amândio Silva
   - João Martins
   - Francisco Vasconcelos
   - Helena Vidal



Enquanto que, Humberto Delgado enviou para Portugal os seguintes elementos operacionais terroristas, com a missão de organizarem o pronunciamento militar:  

   - Manuel Serra
   - José da Silva Graça 
   - Raul Marques 



Galvão de Melo aceitou aguardar algumas semanas pela sublevação militar, todavia, os operacionais enviados por Humberto Delgado tiveram muitas dificuldades em convencer alguns quartéis a aderirem.  Entretanto, em Novembro de 1961, Galvão de Melo decidiu avançar com a sua Operação Vagô.  Somente no final do ano é que os enviados de Humberto Delgado vieram a conseguir uma intentona militar, que ocorreu a 1 de Janeiro de 1962, com um assalto ao quartel do Regimento de Beja.  A intentona foi um fracasso, não obstante o quartel ter estado tomado pelos revolucionários durante algumas horas.  

Relativamente à Operação Vagô, o plano terrorista era partir de avião de Casablanca e seguir a rota normal para Lisboa, depois simular a aterragem no aeroporto da Portela (em Lisboa) e em voo rasante sobre a cidade, largar os panfletos.  Também estava no plano da operação lançar os panfletos sobre as cidades do Barreiro, Setúbal, Beja e Faro.  Em seguida o avião voaria para Tânger, em Marrocos, onde Palma Inácio e o restante grupo de terroristas esperavam obter asilo político.  

A ocasião escolhida para esta operação foi intencional, pois o país estava nas vésperas das eleições para a Assembleia Nacional.  Os panfletos apelavam à revolta popular para impedir, “de qualquer maneira”, a “farsa do acto eleitoral”.  

Lockheed  Super  Constellation  da  TAP


Era uma sexta‑feira, 10 de Novembro, ás 9:15 Horas da manhã, o avião Lockheed Super Constellation da TAP, batizado Mouzinho de Albuquerque, descolava da pista do aeroporto de Casablanca, em Marrocos, com destino a Lisboa.  Era previsto o voo durar 1 hora e 30 minutos.  

A bordo, entre os 19 passageiros (estrangeiros e portugueses) viaja um grupo de 6 terroristas revolucionários chefiado por Hermínio Palma Inácio.  Na bagagem de mão, além das armas, levavam cerca de 100 mil panfletos destinados a serem largados sobre algumas cidades portuguesas.

Aproximadamente com uma hora de voo, o chefe dos operacionais terroristas — Palma Inácio — levantou‑se calmamente do seu lugar e dirigiu‑se ao cockpit e sacou de um revolver de cano longo, abriu a porta e entrou decidido, encostando o cano da arma à cabeça do comandante de voo — João Marcelino — e disse‑lhe o seguinte: 

      - Isto é uma acção revolucionária.  Não pretendo fazer mal a ninguém.
      - Façam o que Vos vou dizer.  

O co‑piloto Teles Grilo, o engenheiro de voo António Coragem e o mecânico de voo Alberto Coelho, não disseram uma única palavra.  Apenas o comandante João Marcelino, que estava ameaçado com o revolver, tentou com serenidade demover Palma Inácio, dizendo‑lhe:  

      - O avião não tem combustível para chegar a Tânger.

Porém, Palma Inácio estava seguro daquilo que estava a fazer.  Ele era mecânico de aviões, e além disso também tinha tirado um curso de piloto de linha aérea nos Estados Unidos, e disse:  

      - Mostre‑me os registos de voo.

O comandante entregou‑lhe os registos de voo e ele verificou que os tanques do avião foram atestados em Casablanca.  Então, disse para o comandante:  

      - Há combustível suficiente.  
      - Vai fazer o que eu lhe ordenei!

Todavia, o comandante João Marcelino tentou mais uma vez dissuadir Palma Inácio com outro argumento, dizendo‑lhe:  

      - Como é que vai lançar os panfletos?...  
      - Eu não posso abrir as portas e as janelas do avião.

Mas, Palma Inácio entendia de aeronáutica e retorquiu:  

      - Pode sim senhor!  
      - Vai voar o mais baixo possível, despressuriza as cabinas e abrimos as janelas de emergência.



E foi assim, desta maneira que Palma Inácio ficou com a situação controlada e bem encaminhada no cockpit.  Entretanto, lá atrás na cabina, a operação terrorista estava a correr ás mil maravilhas.  Os outros cinco revolucionários terroristas nem sequer foram obrigados a levantar a voz ou a mostrar as armas.  O comissário de bordo — Orlof Esteves — e as duas assistentes — Maria del Pilar e Luísa Infante — “aceitaram” colaborar com aquele momento histórico, bem como os treze passageiros, que não se mostraram muito preocupados com a situação.  

Então, o voo seguiu normalmente e a faltar pouco menos meia hora para chegar a Lisboa, momentos antes de iniciar os procedimentos para a descida, o comandante João Marcelino informou a torre de controlo e recebeu autorização para aterrar na pista nº.5.  Nesse momento Palma Inácio exclama: 

      - Que está a fazer?  
      - Se aterra somos todos presos.  



Mas no último momento o avião borregou sobre a pista, ganhou altitude e afastou‑se do aeroporto.  

Logo de seguida o comandante João Marcelino comunicou à torre de controlo e tentou explicar ao controlador de serviço — por meias palavras — que a bordo estava um grupo de terroristas e o obrigaram a fazer um voo rasante sobre Lisboa e sobre outras cidades do Sul do país.  Nesse entretanto, a comunicação foi interrompida pela voz do general Costa Macedo, da FAP (Força Aérea Portuguesa), que aos comandos de um monomotor, apercebeu‑se de tudo e deu o alerta.  Poucos minutos depois, dois caças F-84 levantaram voo da Base Aérea de Monte Real.  Descolaram com ordens para abaterem o avião da TAP no caso de não conseguirem obrigá‑lo a aterrar em solo português.  

Foi então que o Lockheed Super Constellation da TAP, iniciou um perigosíssimo jogo do gato e do rato, voando baixo a aproximadamente 100 metros de altura, para evitar ser detectado pelos radares e iludir os dois caças.  

Fez um voo rasante sobre a estátua do Marquês de Pombal, sobrevoou a baixa lisboeta e logo a seguir guinou sob Alcântara.  Foi então que uma chuva de milhares de panfletos foram lançados das janelas do avião e caíram sobre Lisboa, depois sobre o Barreiro, Setúbal, Beja e Faro.

Entretanto, já de regresso a Marrocos, os pilotos avistam dois navios de guerra portugueses prontos para abater o avião.  Só havia uma hipótese de escapar.  Era voar a poucos de metros acima da água por entre os dois navios, impedindo‑os, assim, de utilizarem a artilharia, pois se o fizessem disparavam um contra o outro.  Foi a incrível proeza que o comandante João Marcelino conseguiu.  A calma, sempre mantida a bordo deveu‑se ao bom ambiente entre os “terroristas”, que nunca mostraram as suas armas aos passageiros, e a tripulação que além de ajudar a distribuir os folhetos, manteve os passageiros “entretidos” distribuindo‑lhes bebidas.  

Por fim, conforme planeado no roteiro da Operação Vagô, por volta das 12:50 Horas, o Lockheed Super Constellation da TAP, aterrou no aeroporto de Tânger, em Marrocos, com todos os que iam a bordo sãos e salvos.  Foi então no meio dos festejos pelo êxito da operação, que os passageiros, na maioria estrangeiros, perceberam o que se tinha passado.  A missão terrorista foi cumprida com êxito!... 

Nos dias seguintes, para alegria e satisfação dos terroristas revolucionários, a Operação Vagô mereceu honras por parte da imprensa internacional (e “nacional”) que ajudava no complô político internacional contra Portugal. 

Regressado o avião a Lisboa, o comandante João Marcelino acabou sendo interrogado pela PIDE (Polícia Internacional de Defesa do Estado), por suspeita de colaboracionismo com os “piratas do ar”, mas a verdade é que o comandante Marcelino não era sequer suposto estar naquele voo.  Ele trocou o voo para acompanhar a hospedeira Maria Luísa Infante, por quem estava apaixonado e com quem acabou por casar.  

Quanto aos terroristas, apesar das pressões do Governo português para que Marrocos extraditasse Palma Inácio e os restantes terroristas, eles ficaram retidos em Marrocos durante cerca de uma semana e depois foram autorizados a regressar ao Brasil onde estavam exilados.  

Em resumo, os conspiradores internos e externos contra o regime de então, são os mesmos políticos e magnatas internacionalistas que após 1945, em poucas décadas destruíram cultural e socialmente, todos os países de matriz civilizacional ocidental.  A prova desta afirmação é o que se assiste hoje em dia.  


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Recordações fenícias

Barco moliceiro, na ria de Aveiro


O nosso país tem coisas muito interessantes, e entre elas está o carro fenício com rodas fixas ao eixo, o qual se revolve nas suas duas caixas presas ao carro!  

É muito singular que a locomoção mais moderna (o comboio por exemplo) também aplica o mesmo sistema nos seus carris de ferro.  Só que com rodas em cunha, caso contrário descarrilava nas curvas!  

Temos mais uma recordação fenícia entre nós, a qual, na realidade, é bem mais interessante que o nosso velho carro de bois, a quem o Chiado, em Lisboa, deve o seu apelido.  Essa recordação é o barco de pesca da Afurada, com os seus dois bem proporcionados bicos.  Um na prôa e o outro na ré.  

Provavelmente este barco deve ser a mãe da gondola de Veneza, a qual mantêm os dois bicos, e numa forma mais elegante, para a complacência das lindas venezianas dos tempos remotos e talvez (quem sabe) das de hoje.  

O que é certo é que o pescador no Douro trás debaixo dos pés uma barca clássica.  

É de notar como este pequeno barco serviu de molde para tantas derivações.  Assim, em tempos idos, achavamos uns barcos de pesca muito grandes na praia de Espinho, os quais venciam as ondas quebradas do Atlântico de uma maneira admirável e traziam para terra os cabos das redes cheias de milhões de sardinhas.  

Também serviu o clássico barco de molde para os barcos que povoam a ria de Aveiro, os quais teem debaixo do bico da prôa um dormitório muito confortável e espaçoso.  

Os fenícios, evidentemente, tinham a mente prática, artística, económica e expansiva!  


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Um esbulho para a nação


Imigrantes africanos


Dir-se-á que enquanto os governos falarem uns com os outros, não haverão guerras.  Poderá um dia resultar, mas alguém acredita que estamos perto disso?... 

Deve ser por tal desiderato que deixaram ir para a ONU o nosso António Guterres, conhecido na gíria por "picareta falante", mas não passa disso.  Puseram lá um ser com ar de "bonzinho", o que só demonstra a nossa irrelevância política, ao contrário do que para aí muitos quiseram fazer crer, engalanando em arco.  

Algo que já tinha ocorrido com a nomeação do Professor Freitas do Amaral como Presidente da Assembleia Geral, um cargo que só encontra paralelo na função reprodutora dos altos dignitários da Igreja que se portam segundo os ditames que juraram e não se envolvem nos tão propalados (e lamentáveis) actos de pedofilia.  A Santa Sé (ou a Igreja no seu Magistério?), por sinal, parece estar muto em apoio deste malfadado "Pacto de Marraquexe".  Porque será?...  

Bom, mas voltemos ao Pacto das Migrações.  Pacto que deve merecer, desde já, a revolta de todos os "coletes amarelos" e de todas as outras cores.  

Como é possível que um acordo complexo como este, de âmbito tão lato e que toca a soberania e toda a ordem social e cultural das nações, seja negociado durante um ano (ao que se diz) e só se comece a ouvir falar dele uns dias antes de ser assinado?...  E porquê em Marraquexe?...  

Porque em vez de terem assinado esta aberração, não fizeram um pacto para criminalizar e enclausurar quem anda a fomentar as migrações desregradas e as organizações mafiosas de tráfego humano?...  

Concentremo-nos no caso português.  Quem é que o governo português e restantes órgãos de soberania julgam representar ao terem tomado esta atitude?...  A atitude de tudo esconder, de não auscultar, de desinformar?...  Atitude do facto consumado?...  Sobretudo atitude do lesa-pátria!  

O que faltará para se querer impor que cada família acolha e sustente um alienígena qualquer que lhe bata à porta?...  Qual é a diferença?...  Ou andam (os políticos) armados em "chicos espertos" pensado que os imigrantes não querem vir para cá?...  Enxerguem-se!  

Por ventura há na Constituição da República algum artigo que permita, ou quiçá aconselhe, um comportamento destes?...  Pois não parece que haja!  

Esta atitude de prepotência e de brutal descaminho do interesse nacional deve merecer a revolta de todos os bons portugueses.  E antevendo o protesto dos povos, vêm com falinhas mansas dizer que o Pacto não é vinculativo e não põe em causa a soberania dos Estados?...  Mentirosos!   Se não põe, para que serve o Pacto?...  Não bastava deixar tudo como estava?...  

O Pacto, assinado por cerca de 160 países, só se repercutirá efectivamente em 20 ou 30, que são os apelidados de "primeiro mundo", nomeadamente os europeus, pois são estes que recebem imigrantes.  É uma batota despudorada e pelos vistos não há um único político no país que dê conta e a denuncie.  Será que andamos a eleger grunhos, distraídos e vendidos (vá-se lá saber a quê ou a quem)?...   

Mas alguém (imigrante) quer ir para Àfrica, para a Ásia (excluindo o Japão, que tinha a coisa controlada) ou para a maioria dos países da América Latina, muito menos para os países comunistas ou de religião islâmica, que tratam os não crentes como tratam os cães?...  

Mas será que esta gente, que anda a incentivar estas insanidades, é doida?...  Não, é simplesmente repulsiva, pois por falsos conceitos de humanidade querem acabar com as nações, com as fronteiras, amalgamar tudo.  Visa-se sobretudo mestiçar todo o mundo, acabando com as raças, mas visando sobretudo a raça branca, ou melhor dizendo, a espécie humana branca.  Isto é de uma evidência que até doi.  

A ONU visa objectivamente (isto é, quem a manipula) o Governo Mundial que contribuirá tendencialmente para ter um único povo (a Humanidade), uma só religião (?), uma só moeda (e depois a ausência desta), uma só justiça, uma só polícia (presume-se que os exércitos acabarão por serem desnecessários), etc, etc...  

Essa gente é tarada e é perigosa!...  

Os únicos que, à partida, estão a salva desta hecatombe são os judeus, pois são o único povo que até hoje sobreviveu durante 2.000 anos sem Estado e sem território, está protegido pela sua religião e pela sua tradição de descendência matriarcal (Israel não assinou o Pacto).  Para além do facto de dominarem grande parte da finança mundial.  

O Pacto agora assinado embora cerca de 30 nações não o tenham feito, tem dentes aguçados: prevê a propaganda da imigração; a equiparação de nacionalidade; o aconchego dos que chegam (quem vai pagar?); a criminalização dos que se opuserem e outros mimos.  Ilustrem-se.  Tudo muito democrático... 

Isto representa um futuro esbulho para a Nação Portuguesa, um esbulho da sua nacionalidade, da sua matriz cultural, da sua terra, dos seus bens, da sua identidade e, finalmente, da sua individualidade, do seu futuro.  

Não admira que queiram desarmar a população, pois têm medo de que esta possa ter qualquer veleidade de se opor a crimes de lesa-Pátria como este.  

Quando Portugal, na sua velha sabedoria e missão de séculos, foi construindo uma nação plurirracial e pluricontinental de matriz lusíada, que representava um exemplo para o mundo e não ameaçava ninguém, as principais potências do globo, outras invejosas da sua inferioridade, racistas, colonialistas, etc., e a porcaria da ONU, atacaram-nos sem dó nem piedade, e só descansaram quando nos esbulharam de todo o património ultramarino.  

E agora essa desgraça, irresponsável e desacreditada organização - cuja Wall Street (outra entidade que quer dominar o mundo...) foi fundada em parte por judeus portugueses que quiseram acompanhar os holandeses expulsos do Brasil no século XVII - que tem à frente um português desnaturado ("um peixinho vermelho em pia de água benta", lembram-se?), quer inundar estes 92.000 km2 com a ralé do globo, alegando causas e efeitos a que a "Terra de Santa Maria" é alheia, extinguindo-nos a prazo!  Já não lhes bastava andarem a vender o país aos bocadinhos!...  

Só por cima do meu cadáver!  O brado de "Mouros em terra, moradores ás armas", nunca foi tão actual.  Com a situação mais gravosa - que tresanda a 1580 - de que agora a "moirama" está infiltrada nos órgãos de soberania.  Isto não é a feijões.  

Razão tem a Primeira-Ministra nipónica!  



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Fonte: 
João José Brandão Ferreira, 
in Jornal O Diabo, de 5 de Junho de 2026



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A democracia acabou



Em 1999, com o fim do chamado “Bloco de Leste”, o mundo passou a ser unipolar, ou seja, passou a ser “ponto assente” que a única solução é a economia de mercado e o liberalismo (selvagem).  

Estava visto que a politica alternativa, o comunismo, era ineficaz e tinha falido.  Até mesmo a China, o grande gigante que continua oficialmente a ser comunista, na realidade passou a admitir ser “um regime, dois sistemas”, pois teve de se render à economia de mercado para não entrar em colapso financeiro como aconteceu à ex-URSS.  Então a China passou a ser uma espécie de fascismo ao modo asiático.  

Com o fim do bloco comunista (URSS, China e restantes países satélites), as democracias ocidentais deixaram de ter uma verdadeira dialética sobre o sistema, e as esquerdas-marxistas passaram a depender exclusivamente dos banqueiros e magnatas ocidentais para se financiarem.  

Na realidade, em termos económicos, já não existe diferenças significativas entre os partidos tradicionais (entenda-se os PUARes dos países ocidentais).  Basta ver que, quer estejam os partidos de esquerda, ou quer estejam os partidos de direita, nos governos, as políticas económicas são sempre de economia de mercado, liberais e de grandes negócios com grandes empresas de capitais privados.  

Aparentemente, os partidos tradicionais estão corrompidos nas suas ideologias e deixaram de ser democráticos, pois já não são uma alternativa real entre si, apenas têm pequenas diferenças de intensidade nisto ou naquilo.  Digamos que: Mesquinhices!...  

O mais grave é que com níveis de abstenção na ordem de 65% nas eleições legislativas, atinge-se os 43% de votos expressos com apenas 15% do eleitorado, ou seja, uma pequena percentagem de eleitores fica a mandar no país com maioria absoluta, como se fosse mais de metade do eleitorado que os escolhesse.  

Isto é o fim da democraticidade do sistema, pois só existe uma visão.  Quem pensa diferente é considerado um marginal e não tem meios de divulgar à sua mensagem.  Por causa disto a população desinteressou-se, deixou de considerar-se representada por estes partidos, criando-se assim uma ditadura de uma pequena minoria legitimada como se democrática fosse.  

Os partidos tradicionais vêm para os meios de comunicação social apelar o voto, dizer que se tem de combater à abstenção, mas na verdade isso é puro teatro.  Para eles, o sistema está muito bem assim, estão no poder alternadamente e cada vez necessitam de menos votos para ganhar as eleições e terem a maioria dos deputados na Assembleia da República.  

Quantos menos votos necessitarem, mais fácil será controlá-los.  Aos votos e ao povo.  

Para eles está óptimo!...


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