Operação Vagô



Corria o ano de 1961 e dois generais traidores à nação portuguesa, chamados Humberto Delgado e Henrique Galvão de Melo, dividem no exílio a liderança do Movimento Nacional Independente (MNI).  Estes generais eram apoiados por forças políticas de países estrangeiros e alinhados com as ideologias mundialistas, comunistas e libertinas.  

Os dois sempre mantiveram uma relação tensa, pois competiam pela liderança absoluta do movimento, mas na prática Humberto Delgado era o responsável político do movimento e o Henrique Galvão era o responsável pela organização militar e operacional.  A relação entre ambos deteriorou‑se bastante após o sequestro do paquete Santa Maria, porque Humberto Delgado considerou‑a um fracasso e Galvão de Melo tinha opinião contrária.

Por volta de finais de Maio, Galvão de Melo comunicou a Humberto Delgado que tinha um plano para desviar um avião da TAP (Transportes Aéreos Portugueses) e lançar panfletos revolucionários sobre várias cidades portuguesas — baptizado de Operação Vagô.  

Humberto Delgado não concordou com o plano de Galvão de Melo em virtude dele também ter um plano para organizar um pronunciamento do Exército em Portugal.  Porém, Galvão de Melo tentou convencer Delgado a concretizar os dois planos simultaneamente e nesse entretanto reivindica o comando operacional do movimento.  

Mas, Humberto Delgado recusou dar‑lhe o comando operacional do movimento e na sequência desse desentendimento extinguiu o cargo de secretário‑geral do MNI.  Galvão de Melo inconformado respondeu‑lhe: 

" Deixei de ser o que, efectivamente, nunca fui, como titular de um
cargo que, efectivamente, nunca existiu, num movimento que, pelos
vistos, está reduzido, também, a uma inexistência efectiva ".


Após este episódio de crispação, no mês de Setembro, Galvão de Melo funda uma nova organização revolucionária denominada Frente Anti‑totalitária dos Portugueses Livres no Exílio, mais conhecida pela sua sigla FAPLE. 

Por esta ocasião, Humberto Delgado e Galvão de Melo estavam em Marrocos, hospedados no Hotel Minzah, em Tânger.  Delgado preparava uma sublevação militar em Portugal e, Galvão de Melo planeava o desvio de um avião — a dita Operação Vagô.  Os elementos operacionais que intervieram na dita operação conheciam‑se bem, pois todos eles estiveram exilados no Brasil e tentaram por tudo que os dois chefes unissem esforços para fazerem uma operação em conjunto, porém sem sucesso!

Humberto  Delgado  e  Henrique  Galão  de  Melo


O general Galvão de Melo, nomeou para executarem a Operação Vagô, os seguintes elementos operacionais terroristas: 

   - Hermínio da Palma Inácio
   - Camilo Mortágua 
   - Amândio Silva
   - João Martins
   - Francisco Vasconcelos
   - Helena Vidal



Enquanto que, Humberto Delgado enviou para Portugal os seguintes elementos operacionais terroristas, com a missão de organizarem o pronunciamento militar:  

   - Manuel Serra
   - José da Silva Graça 
   - Raul Marques 



Galvão de Melo aceitou aguardar algumas semanas pela sublevação militar, todavia, os operacionais enviados por Humberto Delgado tiveram muitas dificuldades em convencer alguns quartéis a aderirem.  Entretanto, em Novembro de 1961, Galvão de Melo decidiu avançar com a sua Operação Vagô.  Somente no final do ano é que os enviados de Humberto Delgado vieram a conseguir uma intentona militar, que ocorreu a 1 de Janeiro de 1962, com um assalto ao quartel do Regimento de Beja.  A intentona foi um fracasso, não obstante o quartel ter estado tomado pelos revolucionários durante algumas horas.  

Relativamente à Operação Vagô, o plano terrorista era partir de avião de Casablanca e seguir a rota normal para Lisboa, depois simular a aterragem no aeroporto da Portela (em Lisboa) e em voo rasante sobre a cidade, largar os panfletos.  Também estava no plano da operação lançar os panfletos sobre as cidades do Barreiro, Setúbal, Beja e Faro.  Em seguida o avião voaria para Tânger, em Marrocos, onde Palma Inácio e o restante grupo de terroristas esperavam obter asilo político.  

A ocasião escolhida para esta operação foi intencional, pois o país estava nas vésperas das eleições para a Assembleia Nacional.  Os panfletos apelavam à revolta popular para impedir, “de qualquer maneira”, a “farsa do acto eleitoral”.  

Boeing  Super  Constellation  da  TAP


Era uma sexta‑feira, 10 de Novembro, ás 9:15 Horas da manhã, o avião Boeing Super Constellation da TAP, batizado Mouzinho de Albuquerque, descolava da pista do aeroporto de Casablanca, em Marrocos, com destino a Lisboa.  Era previsto o voo durar 1 hora e 30 minutos.  

A bordo, entre os 19 passageiros (estrangeiros e portugueses) viaja um grupo de 6 terroristas revolucionários chefiado por Hermínio Palma Inácio.  Na bagagem de mão, além das armas, levavam cerca de 100 mil panfletos destinados a serem largados sobre algumas cidades portuguesas.

Aproximadamente com uma hora de voo, o chefe dos operacionais terroristas — Palma Inácio — levantou‑se calmamente do seu lugar e dirigiu‑se ao cockpit e sacou de um revolver de cano longo, abriu a porta e entrou decidido, encostando o cano da arma à cabeça do comandante de voo — João Marcelino — e disse‑lhe o seguinte: 

      - Isto é uma acção revolucionária.  Não pretendo fazer mal a ninguém.
      - Façam o que Vos vou dizer.  

O co‑piloto Teles Grilo, o engenheiro de voo António Coragem e o mecânico de voo Alberto Coelho, não disseram uma única palavra.  Apenas o comandante João Marcelino, que estava ameaçado com o revolver, tentou com serenidade demover Palma Inácio, dizendo‑lhe:  

      - O avião não tem combustível para chegar a Tânger.

Porém, Palma Inácio estava seguro daquilo que estava a fazer.  Ele era mecânico de aviões, e além disso também tinha tirado um curso de piloto de linha aérea nos Estados Unidos, e disse:  

      - Mostre‑me os registos de voo.

O comandante entregou‑lhe os registos de voo e ele verificou que os tanques do avião foram atestados em Casablanca.  Então, disse para o comandante:  

      - Há combustível suficiente.  
      - Vai fazer o que eu lhe ordenei!

Todavia, o comandante João Marcelino tentou mais uma vez dissuadir Palma Inácio com outro argumento, dizendo‑lhe:  

      - Como é que vai lançar os panfletos?...  
      - Eu não posso abrir as portas e as janelas do avião.

Mas, Palma Inácio entendia de aeronáutica e retorquiu:  

      - Pode sim senhor!  
      - Vai voar o mais baixo possível, despressuriza as cabinas e abrimos as janelas de emergência.



E foi assim, desta maneira que Palma Inácio ficou com a situação controlada e bem encaminhada no cockpit.  Entretanto, lá atrás na cabina, a operação terrorista estava a correr ás mil maravilhas.  Os outros cinco revolucionários terroristas nem sequer foram obrigados a levantar a voz ou a mostrar as armas.  O comissário de bordo — Orlof Esteves — e as duas assistentes — Maria del Pilar e Luísa Infante — “aceitaram” colaborar com aquele momento histórico, bem como os treze passageiros, que não se mostraram muito preocupados com a situação.  

Então, o voo seguiu normalmente e a faltar pouco menos meia hora para chegar a Lisboa, momentos antes de iniciar os procedimentos para a descida, o comandante João Marcelino informou a torre de controlo e recebeu autorização para aterrar na pista nº.5, mas no último momento o avião borregou sobre a pista, ganhou altitude e afastou‑se do aeroporto.  

Logo de seguida o comandante João Marcelino comunicou à torre de controlo e tentou explicar ao controlador de serviço — por meias palavras — que a bordo estava um grupo de terroristas e o obrigaram a fazer um voo rasante sobre Lisboa e sobre outras cidades do Sul do país.  Nesse entretanto, a comunicação foi interrompida pela voz do general Costa Macedo, da FAP (Força Aérea Portuguesa), que aos comandos de um monomotor, apercebeu‑se de tudo e deu o alerta.  Poucos minutos depois, dois caças F-84 levantaram voo da Base Aérea de Monte Real.  Descolaram com ordens para abaterem o avião da TAP no caso de não conseguirem obrigá‑lo a aterrar em solo português.  

Foi então que o Boeing Super Constellation da TAP, iniciou um perigosíssimo jogo do gato e do rato, voando baixo a aproximadamente 100 metros de altura, para evitar ser detectado pelos radares e iludir os dois caças.  

Fez um voo rasante sobre a estátua do Marquês de Pombal, sobrevoou a baixa lisboeta e logo a seguir guinou sob Alcântara.  Foi então que uma chuva de milhares de panfletos foram lançados das janelas do avião e caíram sobre Lisboa, depois sobre o Barreiro, Setúbal, Beja e Faro.  A missão terrorista foi cumprida com êxito!... 

Por fim, conforme planeado no roteiro da Operação Vagô, por volta das 12:50 Horas, o Boeing Super Constellation da TAP, aterrou no aeroporto de Tânger, em Marrocos, com todos os que iam a bordo sãos e salvos.  

Nos dias seguintes, para alegria e satisfação dos revolucionários, a Operação Vagô mereceu honras por parte da imprensa internacional que ajudava no complô internacional contra Portugal.  

Os mesmos políticos e magnatas que após 1945 em poucas décadas destruíram cultural e socialmente, todos os países de matriz civilizacional ocidental.


 ■ ■ ■  



Sem comentários:

Enviar um comentário

Obrigado, pelo seu comentário!