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| Kallipolis ( Ilustração meramente decorativa ) |
A REPÚBLICA
Platão
- R E S U M O -
Este ensaio é um pequeno resumo sobre o que consta na obra “A República”,[1] do conhecido filósofo Platão, que viveu na antiga Grécia.
A obra “A República” é um diálogo filosófico — cujos estudiosos acreditam ser imaginado — em que o autor Platão, por meio do personagem Sócrates, investiga o que é a justiça e como seria uma cidade perfeitamente justa, articulando ética, política, psicologia da alma e teoria do conhecimento. A obra é composta por dez livros e é considerada um dos textos centrais da filosofia ocidental, pois define um modelo de cidade ideal (a Kallipolis[2]), governada por filósofos-reis.
A obra ”A República” é narrada pelo personagem Sócrates em primeira pessoa e escrita em forma de diálogo com diversos interlocutores, tais como Glauco, Adimanto, Polemarco e Trasímaco. O objectivo declarado é responder se a vida justa é melhor do que a vida injusta, o que leva Platão a definir a justiça tanto na alma individual, quanto na organização da cidade. A discussão desenrola-se em dez livros, nos quais o tema da justiça conecta-se com questões de educação, formas de governo, conhecimento, imortalidade da alma e papel da filosofia.
Comecemos então o resumo do conteúdo desses dez livros:
LIVRO I
PROBLEMA DA JUSTIÇA
O Livro I da obra “A República” apresenta um diálogo em que o personagem Sócrates procura definir o que é a justiça, discutindo e refutando sucessivas definições dadas pelos seus interlocutores. No final, a investigação permanece em aberto, funcionando como preparação para as análises mais profundas dos livros seguintes.
Quando o personagem Sócrates visita a casa do velho Céfalo, onde começa perguntando-lhe se a justiça consiste em dizer a verdade, pagar as dívidas, etc, cuja ideia está ligada à vida honesta de um homem justo e piedoso.
Entretanto, Polemarco, que é o filho de Céfalo, aperfeiçoa essa definição, sustentando que justiça é “ajudar os amigos e prejudicar os inimigos”, entendendo o justo como alguém que beneficia os bons e causa dano aos maus.
Trasímaco, sofista, irrompe no diálogo afirmando que justiça é apenas “o interesse do mais forte”, isto é, aquilo que o governante estabelece em benefício próprio.
Sócrates mostra que a definição de Céfalo leva a absurdos (como devolver armas a um amigo enlouquecido), indicando que a justiça não pode ser apenas cumprir obrigações formais.
Em seguida, Polemarco refuta, argumentando que o justo não pode consistir em prejudicar ninguém, porque tornar alguém pior moralmente não pode ser uma ação verdadeiramente justa.
Sócratres insurge-se contra Trasímaco, e, observa que governantes podem errar sobre o próprio interesse, e que, se a justiça for apenas vantagem do mais forte, então o justo às vezes exigiria contrariar o próprio benefício dos governantes.
A posição de Trasímaco, que exalta a injustiça como mais vantajosa e lucrativa, é enfraquecida por Sócrates, mas não totalmente “derrotada” de modo definitivo.
Sócrates conclui declarando que ainda não sabe o que é justiça, mas que a discussão mostrou a insuficiência das opiniões correntes e a necessidade de uma investigação mais rigorosa.
Assim, o Livro I funciona como uma introdução crítica: recolhe, examina e desmonta concepções usuais de justiça, abrindo caminho para a construção positiva da teoria da justiça e da cidade ideal (a Kallipolis) nos livros seguintes da obra.
LIVRO II
CIDADE IDEAL E ALMA TRIPARTIDA
No Livro II, Glauco e Adimanto, desafiam Sócrates a demonstrar que a justiça é um bem em si mesma, melhor para o ser humano do que a injustiça, mesmo sem recompensas externas. Glauco reforça o desafio com o mito do anel de Giges,[3] mostrando que, se alguém pudesse agir injustamente sem ser visto ou punido, tenderia a abusar desse poder, o que sugere que a maioria só é justa por medo da punição ou por conveniência social.
Para responder a esse desafio, Sócrates propõe investigar a justiça primeiro “na cidade” e depois “na alma” individual, construindo em discurso uma cidade simples (Kallipolis) baseada na cooperação e na divisão de trabalho, onde cada um faz aquilo em que é mais apto. A partir da passagem dessa cidade simples a uma cidade luxuosa, surge a necessidade de defesa e, com isso, do grupo dos guardiões, cuja índole deve combinar coragem, mansidão com os amigos e agressividade controlada contra inimigos.
O livro encerra-se com a introdução do tema da educação desses guardiões, fundada em música e ginástica, e com o início da crítica à poesia e aos mitos que apresentam deuses enganadores ou imorais, pois tais narrativas corromperiam a alma dos futuros defensores da cidade. Assim, o livro prepara o terreno tanto para a teoria da cidade justa quanto para a análise da alma justa, respondendo gradualmente ao desafio de provar a superioridade intrínseca da justiça.
LIVRO III
EDUCAÇÃO E O PAPEL DOS GUARDIÕES
Neste livro, o autor (Platão) continua o tema da educação (paideia) que é o eixo da formação dos guardiões dos guardiões, detalhando que tipo de poesia, música e ginástica, deve ser permitida na cidade justa a fim de moldar o carácter e fortalecer o corpo. O personagem Sócrates defende uma rigorosa censura aos poetas: não se devem narrar histórias que tornem os deuses injustos, covardes ou enganadores, nem que incentivem o medo da morte, o excesso de riso, o luxo, a embriaguez ou a desmedida das paixões, pois tudo isso corromperia a alma dos futuros guardiões.
Quanto à música, Sócrates distingue letras, harmonia e ritmo, aceitando apenas os modos musicais que reforcem a coragem, o autocontrole e a simplicidade, e rejeitando os que promovem moleza, lamentação ou licenciosidade. Em seguida, passa à ginástica, defendendo uma educação física voltada para a saúde, a sobriedade e a disciplina, evitando tanto o excesso de dureza quanto o de suavidade, para formar almas equilibradas.
Na parte final, o diálogo aborda a escolha dos governantes dentre os guardiões, que devem ser os mais sábios, firmes e leais ao bem da cidade. Sócrates introduz então o chamado “Mito dos Metais”[4] ou “Conto Fenício”, segundo o qual os cidadãos nascem com ouro, prata, ferro ou bronze na alma, o mito educativo usado para justificar as três classes (governantes, guardiões auxiliares e trabalhadores) e reforçar a ideia de que cada um deve ocupar o lugar para o qual é naturalmente mais talhado. A cidade justa (ou cidade ideal), dirige a educação desde cedo, seleccionando progressivamente aqueles com mais aptidão para o conhecimento até formar os futuros governantes-filósofos, após um longo percurso que chega até 50 anos.
LIVRO IV
EDUCAÇÃO E O PAPEL DOS GUARDIÕES
No Livro IV, Sócrates retoma a organização da cidade justa para responder à objecção de que os guardiões viveriam de modo pobre e, portanto, infeliz, ao não possuírem propriedades privadas. Ele argumenta que o objectivo não é a felicidade isolada de um grupo, mas a harmonia do conjunto da cidade, o que exige que os guardiões estejam livres da corrupção, da riqueza e da degradação da miséria.
A partir daí, são analisadas as condições que preservam essa cidade: evitar extremos de riqueza e pobreza, manter a unidade política e cuidar rigidamente da educação e dos costumes, para impedir divisões internas como se a cidade se partisse em “duas cidades”, a dos ricos e a dos pobres. Nessa estructura, Platão identifica quatro virtudes na pólis: sabedoria (nos governantes), coragem (nos guardiões auxiliares), moderação (como acordo entre todas as classes) e justiça, definida como cada classe a ocupar-se da função que lhe é própria, sem usurpar o lugar das demais.
Na segunda parte do livro, Sócrates transfere essa análise para o interior da alma humana, propondo que ela também possui três partes: a racional, a irascível (ou colérica) e a apetitiva. Assim como na cidade, a justiça na alma consiste numa ordem em que a parte racional governa, auxiliada pela parte irascível, mantendo sob controle os apetites, o que gera um estado interno de equilíbrio e saúde moral, superior à vida do injusto.
LIVRO V
COMUNHÃO, IGUALDADE E FILÓSOFOS-REIS
O personagem Sócrates introduz três propostas audaciosas ligadas à cidade justa: a possibilidade de que mulheres e homens recebam a mesma educação e possam exercer as mesmas funções políticas e militares; a comunidade de mulheres e filhos entre os guardiões; e a exigência de que os filósofos sejam os governantes da cidade (filósofos-reis).
A primeira tese afirma que a diferença entre homens e mulheres não impede que ambos possam ser guardiões e governantes, desde que tenham a mesma natureza para as mesmas tarefas, o que justifica uma formação idêntica em música, ginástica e filosofia.
A segunda tese aprofunda o “comunismo” dos guardiões: entre eles não haveria família privada, nem propriedade, mas comunidade de bens, mulheres e filhos, para evitar conflitos de interesses. Todos são regulados em benefício do bem comum, e os filhos são criados colectivamente para fortalecer a unidade da pólis. Platão também defende que as mulheres aptas devem receber a mesma educação que os homens e podem igualmente tornar-se guardiãs, contrariando os costumes da sua época.
Surge então a terceira tese que sustenta que a cidade só será plenamente justa se os filósofos governarem ou se os governantes se tornarem verdadeiros filósofos. Apenas quem conhece o “Bem” em si — o filósofo — está qualificado para governar e ordenar a cidade conforme esse conhecimento. Assim, a cidade justa precisa ser governada por filósofos-governantes (ou filósofos-reis).
Ao longo do livro, discute-se ainda como essa constituição ideal favorece a máxima união entre os cidadãos, que devem alegrar-se e sofrer em conjunto, como um só corpo, reforçando a ideia de que a justiça é uma harmonia tanto da cidade quanto da alma.
LIVRO VI
CONHECIMENTO
Neste livro, Sócrates retoma a tese de que os filósofos devem governar e procura definir com mais precisão quem é o verdadeiro filósofo, distinguindo-o dos falsos filósofos e dos sofistas. O autêntico filósofo ama o saber, busca contemplar o que é imutável e eterno, é moderado, justo, avesso à ambição vulgar e, por isso, seria o mais apto a guardar as leis e ordenar corretamente a cidade.
Em seguida, o livro investiga por que, nas cidades reais, as naturezas filosóficas costumam corromper-se ou tornarem-se inúteis, usando imagens como a do “Navio de Estado”,[5] em que o verdadeiro piloto é desprezado por marinheiros ignorantes que disputam o comando. Sócrates argumenta que apenas numa constituição bem ordenada essas naturezas poderão desenvolver-se plenamente e assumir o governo, unindo saber e poder.
Na parte final, surge o tema central do “Bem”. Platão distingue a opinião (doxa), ligada ao mundo sensível, do conhecimento (episteme), ligado às “Formas” ou “Ideias”, a chamada “Analogia do Sol”[6] e apresenta o esboço da “Linha Dividida”[7] para graduar níveis de realidade e de saber, que preparam o terreno para a hierarquia dos modos de conhecimento e para a “Alegoria da Caverna”[8] do livro VII, indicando que a educação filosófica é uma ascensão gradual até a contemplação do “Bem” em si. Mais que as outras ideias, ele é a causa da verdade e da inteligibilidade, sendo comparado ao Sol que torna visíveis as coisas e permite à visão enxergá-las.
LIVRO VII
O BEM E ALEGORIA DA CAVERNA
Sócrates apresenta a célebre alegoria da caverna para ilustrar o processo educativo da alma, que passa das sombras da opinião ao conhecimento das “Formas” e, por fim, à contemplação do “Bem”. Os prisioneiros acorrentados, que tomam sombras por realidade, simbolizam os seres humanos presos ao mundo sensível. A difícil subida para fora da caverna representa a longa formação filosófica, culminando na visão do Sol como imagem do “Bem”.
O livro enfatiza que o filósofo, após contemplar o “Bem”, não deve permanecer na “região luminosa”, mas tem o dever de retornar à caverna, isto é, à cidade, para governar e educar os demais, mesmo enfrentando incompreensão e hostilidade.
Sócrates detalha então o currículo dos futuros filósofos-governantes (ou filósofos-reis): após a formação inicial em música e ginástica, eles estudam aritmética, geometria, astronomia e harmonia, culminando no exercício rigoroso da dialética, distribuído em etapas que vão da juventude até cerca dos cinquenta anos, quando estão aptos a assumir o governo da cidade ideal.
LIVROS VIII
FORMAS DE GOVERNO E PSICOLOGIA
Neste livro, Sócrates passa da descrição da cidade justa para o estudo da sua decadência, apresentando uma sequência de regimes políticos degenerados em relação à aristocracia dos filósofos-governantes. Cada forma de governo corresponde a um tipo de alma, de modo que a corrupção política é também uma corrupção moral individual.
Primeiro, a aristocracia[9] degenera em timocracia, regime dominado pelo espírito guerreiro e pela busca de honra, no qual ainda há algum respeito pela lei, mas cresce a ambição e o gosto pela vitória.
Em seguida, a timocracia transforma-se em oligarquia (governo dos ricos), marcado pela valorização extrema da riqueza, pela exclusão dos pobres do poder e pelo aumento das desigualdades sociais.
Da oligarquia nasce a democracia, quando os pobres, revoltados, derrubam os ricos e instauram um regime de ampla liberdade, onde quase todas as formas de vida são toleradas e a igualdade é levada ao extremo.
Por fim, da liberdade excessiva da democracia surge a tirania.[10] O povo entrega o poder a um “protector” que, pouco a pouco, elimina opositores, concentra autoridade em si e converte-se no tirano, expressão máxima da desordem da alma dominada por apetites desenfreados.
LIVRO IX
CRÍTICA AO TIRANO
Neste livro, Sócrates aprofunda a análise do tirano e mostra como ele nasce a partir do homem democrático, dominado por desejos desordenados que se transformam em paixões tirânicas. Esses desejos selvagens e sem lei, que em muitos aparecem apenas nos sonhos, assumem o controle da alma tirânica, tornando-a escrava de apetites incessantes e incapaz de verdadeira amizade ou liberdade interior.
A partir daí, o texto compara os prazeres do filósofo, do ambicioso e do amante do lucro, argumentando que o prazer ligado ao conhecimento e à parte racional da alma é o mais verdadeiro, ao passo que os prazeres do tirano são pobres, instáveis e inferiores. Conclui-se que o tirano, embora seja poderoso externamente, é na verdade o mais infeliz dos homens, enquanto o justo, mesmo sofrendo injustiças, e especialmente o filósofo, possui a vida mais ordenada e prazerosa, confirmando a tese central de que a justiça é melhor e mais feliz do que a injustiça.
LIVRO X
CRÍTICA À POESIA E MITO DE ER
O personagem Sócrates retoma e radicaliza a crítica à poesia e às artes miméticas, sustentando que o poeta imitador está “três graus” afastado da verdade, pois imita não a realidade em si, mas as aparências sensíveis, produzindo imagens que excitam a parte irracional da alma e enfraquecem o juízo racional. Por isso, a poesia trágica e épica, especialmente a de Homero,[11] é vista como perigosa para a cidade justa, devendo ser excluída ou rigorosamente controlada, a menos que se possa demonstrar alguma utilidade moral e educativa.
Em seguida, o livro aborda a imortalidade da alma, argumentando que o mal não consegue destruí-la e que, portanto, ela subsiste após a morte, devendo prestar contas da sua vida justa ou injusta. Para ilustrar o destino das almas, Sócrates narra o “Mito de Er”,[12] o guerreiro Panfílio que morre em batalha, contempla os juízos e escolhas de novas vidas no além e retorna para contar o que viu, mostrando que cada alma escolhe o seu futuro modo de vida e é responsável pela sua própria sorte.
Com esse mito, Platão conclui a obra e retoma a crítica à poesia mimética,[13] acusando poetas trágicos e épicos, de imitarem aparências e despertarem emoções inferiores, o que afasta a alma da verdade e da racionalidade. Platão reforça a tese central de que é sempre melhor ser justo do que injusto: a justiça traz ordem e felicidade à alma neste mundo e prepara a alma para um destino melhor no outro.
Termina assim “A República”, unindo a política, a ética e a escatologia, ao mostrar que a escolha da vida justa não é apenas racionalmente superior, mas decisiva para o percurso eterno da alma.
CONCLUSÃO E IMPORTÂNCIA DA OBRA
Entre os temas centrais estão: a justiça como harmonia interna e social, a cidade ideal (Kallipolis) dividida em classes funcionais, a educação estatal rigorosa, a teoria das “Formas”, a primazia do “Bem”, acrítica à democracia ateniense e a defesa de um governo dos sábios. A obra articula estreitamente ética e política, ao mostrar que uma cidade justa depende de cidadãos cujas almas sejam governadas pela razão, analogia que marcou toda a tradição posterior.
A obra “A República” influenciou profundamente a filosofia política, a teoria da educação e a metafísica ocidental, sendo lida tanto como utopia normativa quanto como projecto problemático que suscita debates sobre o autoritarismo, tecnocracia e o papel do conhecimento no exercício do poder.
■ ■ ■
NOTAS DE RODAPÉ:
[1] - Em grego, o título original é, Πολιτεία (Politeia), que significa “Constituição”, “Cidade” ou
“Regime Político”.
[2] - Entenda-se: Cidade-Estado, pois era assim que as cidades existiam naquela época.
[3] - O Anel de Giges é um mito apresentado por Platão na obra “A República” para discutir se alguém
continuaria a agir com justiça mesmo tendo o poder de cometer injustiças sem ser visto ou
punido. A história resume-se a um pastor chamado Giges que vivia numa cidade chamada Lídia,
um dia ele encontrou um anel mágico que quando girado o tornava invisível. Com esse poder ele
seduziu a rainha, matou o rei e toma o trono da cidade Lídia.
[4] - O “mito dos metais” é uma história criada por Platão para justificar, de forma simbólica, a divisão
das classes sociais e promover a harmonia dentro da cidade ideal. O mito é apresentado como
uma “nobre mentira”, ou seja, uma narrativa útil para manter a coesão social.
[5] - O “Navio de Estado” é uma metáfora usada por Platão, para explicar porque a maioria das cidades
é mal governada e porque apenas os filósofos deveriam governar. É uma das imagens mais fortes
da obra e funciona quase como uma crítica política disfarçada.
[6] - A “analogia do Sol”, é uma das três grandes metáforas que explicam a sua teoria do conhecimento,
juntamente com a “Linha Dividida” e a “Alegoria da Caverna”. Ela funciona como uma ponte
entre o mundo sensível e o mundo inteligível. Platão pede que imaginemos o Sol como uma
imagem do “Bem”, a realidade suprema no mundo das Ideias.
[7] - A “Linha Dividida” é uma das explicações mais elegantes e profundas que Platão apresenta na obra
“A República” para mostrar como funciona o conhecimento humano e como a mente progride da
ilusão até a compreensão filosófica. Ela é a ponte conceptual entre a “Analogia do Sol” e a
“Alegoria da Caverna”.
[8] - Na “Alegoria da Caverna”, Platão descreve um grupo de pessoas que vive acorrentada dentro de
uma caverna desde o nascimento, olhando apenas para uma parede. Atrás delas há uma fogueira,
e entre a fogueira e os prisioneiros passam pessoas carregando objetos. Os prisioneiros veem
apenas sombras projectadas na parede e acreditam que essas sombras são a realidade.
[9] - Aristocracia, no sentido clássico, é uma forma de governo em que o poder está nas mãos dos
“melhores”. Pelo menos de acordo com a definição original da palavra grega: áristos =
“melhores” e kratos = “poder” ou “governo”.
[10] - Na Grécia antiga, a tirania não tinha inicialmente o sentido negativo que tem hoje. Ela era
vista como um governo em que um indivíduo tomava o poder de forma não hereditária e
fora das leis da pólis, mas muitas vezes com o apoio popular e como alternativa às oligarquias
aristocráticas.
[11] - Homero, é o autor dos dois maiores poemas épicos da Grécia Antiga — Ilíada e Odisseia — obras
que moldaram toda a literatura ocidental. Esses poemas, transmitidos oralmente por séculos, são
a base da poesia épica grega e continuam a influenciar arte, filosofia e narrativa até aos tempos
actuais.
[12] - O mito de Er, descreve a jornada de um guerreiro que morre, visita o além e retorna à vida para
contar como as almas são julgadas, recompensadas, punidas e escolhem as suas próximas vidas.
Ele funciona como uma grande reflexão sobre justiça, destino e responsabilidade moral.
[13] - Poesia mimética é a poesia entendida como mímesis, ou seja, como imitação ou representação da
realidade, das acções humanas ou das aparências — um conceito central na teoria estética grega,
especialmente em Platão e Aristóteles.
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