O Proto-Comunismo de Platão

O  PROTO-COMUNISMO  DE  PLATÃO



Começo este post fazendo referência a duas pequenas menções do Dr. António de Oliveira Salazar, proferidas em 1932 e 1937, na imprensa escrita daquele tempo e num discurso à nação portuguesa respectivamente.  Transcrevo abaixo: 



Podemos também observar mais esta: 



De facto, o filosofo Platão, na antiga Atenas (“Grécia”), descreveu na sua obra “República”, o que podemos chamar de um proto‑comunismo, ou seja, algo muito parecido com as fantasiosas teorias políticas que Karl Marx viria a escrever no século XIX.  Podemos perfeitamente especular que Karl Marx tomou a ideia de Platão, fez algumas adaptações a fim de a adequar melhor à realidade social da Alemanha do século XIX e aos objectivos políticos de quem o contratou e, reescreveu‑a no seu famoso livro o “Manifesto Comunista”.  

A obra “República” é um diálogo filosófico — que se crê ser imaginado — em que o seu autor, ou seja, Platão, por meio do personagem Sócrates (que é o narrador), investiga o que é a justiça e como seria uma cidade perfeitamente justa, articulando ética, política, psicologia da alma e teoria do conhecimento.  A obra é composta por dez livros e é considerada um dos textos centrais da filosofia ocidental, pois define um modelo de cidade ideal (a Kallipolis), governada por filósofos‑reis.  

Então, Kallipolis é a cidade ideal concebida por Platão na obra “República”, pensada como o espaço em que a justiça se realiza de forma plena na vida colectiva da cidade.  Nela, a ordem política, a educação e a organização social, são estruturadas para permitir que cada cidadão viva de acordo com a sua natureza e contribua para o bem comum.  

A investigação sobre a justiça leva Platão a projectar uma pólis (cidade) em que o justo não é apenas uma virtude individual, mas a harmonia do todo social.  A cidade é “bela” (“kalli‑polis”), porque a sua forma política espelha a ordem racional da alma, integrando razão, coragem e desejo em perfeito equilíbrio.  

Para conseguir esse perfeito equilíbrio, Platão propôs estructurar a Kallipolis em três grandes classes, cada um delas tendo um função especifica, conforme demonstrado abaixo:  

Produtores: 
Composta por agricultores, artesãos, comerciantes e demais trabalhadores (escravos) responsáveis pela subsistência material da cidade.  
Guardiões (auxiliares): 
Composta por responsáveis pela defesa interna e externa, devendo cultivar coragem e disciplina.  Entre os guardiões não haveria família privada, nem propriedade, mas comunidade de bens, mulheres e filhos, para evitar conflitos de interesses.
Governantes‑Filósofos: 
Composta por uma minoria (filósofos) é responsável por governar a cidade e, escolhida pelo amor ao saber e pela capacidade de conhecer o “Bem” em si.  


Logo portanto, a justiça, nesse modelo, consiste em que cada classe cumpra com a sua própria função sem usurpar o papel das outras, garantindo por essa forma a coesão da cidade.  

O regime político de Kallipolis é descrito como uma espécie de aristocracia do saber, em que governam os melhores em conhecimento e virtude.  Esses filósofos‑reis passam por um longo processo educativo, que inclui matemática, dialética e formação moral, antes de assumir qualquer função de comando.  

Platão argumenta que somente quem conhece a ideia de “Bem” está apto a legislar para todos, pois enxerga o que é realmente vantajoso para a cidade como um todo, e não apenas para alguns grupos ou indivíduos em particular.  

A educação em Kallipolis é central e rigorosamente controlada desde a infância, pois é por meio dela que se formam cidadãos ajustados à sua função natural.  Mitos, poesias e narrativas são selecionados ou censurados conforme contribuam ou não para o desenvolvimento de virtudes como temperança, coragem e justiça.  

Os guardiões, por exemplo, são educados para unir a mansidão com a firmeza, de modo a proteger a cidade sem se tornarem tirânicos.  A propriedade privada e a vida familiar dos governantes e guardiões são severamente restringidas para impedir conflitos de interesse e favorecer o cuidado com o bem comum.  Isto é, os governantes e os guardiões estariam proibidos de possuir bens ou propriedades.  

A Kallipolis nasce como resposta crítica à experiência histórica de Atenas, marcada, aos olhos de Platão, por uma democracia degenerada e por regimes tirânicos.  Ao imaginar uma cidade inteiramente ordenada pela razão, Platão delineia a primeira grande utopia política do pensamento ocidental, na qual a política é extensão da filosofia e da educação moral.  

Mais do que um projecto urbanístico ou institucional detalhado, a cidade ideal funciona como modelo: uma imagem no limite que permite “julgar” a distância entre as cidades reais e uma ordem verdadeiramente justa.  

Claro que as ideias mencionadas na “República”, sobretudo no que toca ás classes dos filósofos‑reis e dos guardiões, assemelham‑se — aos olhos de muitos — ás ideias de Estado Comunista propagadas por Karl Marx (e seus correligionários) no seu livro “Manifesto Comunista”, e mencionadas por Salazar e muitos outros.  

Todavia, é importante que o leitor não se iluda.  A cidade Kallipolis descrita na obra “República” não passa de um exercício da imaginação fértil de Platão.  

No Mundo real, a cidade Kallipolis e o Estado Comunista, são somente duas utopias muitíssimo improváveis de se realizarem!...  

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Para ver um resumo da obra "A República" de Platão click aqui

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