Xerxes I, da Pérsia

Xerxes I,  da Pérsia
Retratado por Hollywood   vs   Retratado por Historiadores honestos.

Xerxes I, da Pérsia, era um homem extraordinariamente alto — não era um gigante lendário, mas alguém cuja estatura chamava a atenção em qualquer assembleia. 

Os gregos, sempre dramáticos nos seus relatos sobre os inimigos, exageraram ao ponto de afirmar que ele teria mais 2,50 metros de altura.  Do mesmo modo, a versão apresentada por Hollywood, no famoso filme "300" — um tirano caricatural, cheio de piercings e com um visual quase alienígena — é pura distorção e fantasia estética.  Nem mesmo as fontes helénicas que eram suas inimigas o retratavam assim.  

Apesar das distorções, há um consenso entre os registos antigos: Xerxes I, era muito alto, forte e de presença notável.  Não era apenas um nobre ornamental; ele havia cumprido os dez anos obrigatórios de serviço militar persa, passando por treinamentos severos que moldavam os seus guerreiros desde cedo.  Era versado no arco, no uso da lança, na equitação e nas tácticas militares — habilidades indispensáveis para qualquer membro da aristocracia Aqueménida.  

A sua barba, longa e cuidadosamente trançada, seguia o padrão de distinção da realeza persa.  Essa aparência imponente influenciava até os seus adversários: alguns autores gregos chegavam a admitir, com certo respeito relutante, que “para um persa, temer é o mesmo que ser escravo”, um elogio indirecto à coragem e à disciplina que o império de Xerxes I cultivava.  

Na prática, Xerxes I estava muito mais próximo de uma figura heroica e robusta — algo mais parecido com o Leónidas interpretado por Gerard Butler — do que com a figura afectada e estilizada que Hollywood perpetuou.  Essa versão visual distorcida em que o filme se baseou, veio directamente da banda desenhada "300 de Esparta", escrita e ilustrada por Frank Miler, que não teve o cuidado de adoptar qualquer base histórica real.  

As fontes gregas, inclusive, descrevem Xerxes I como um homem de “tamanho extraordinário” para a sua época.  Os seus relevos e representações o colocam claramente acima da média, mas nas fontes históricas não há evidência de gigantismo ou anomalias físicas.  Se tivesse acromegalia, por exemplo, não teria vivido com saúde até quase aos 50 anos — idade avançada para os padrões de esperança de vida da sua época — antes de ser assassinado numa conspiração palaciana.  

Concluindo: Xerxes I, não foi o monstro dourado que Hollywood nos apresentou  no filme "300", nem um gigante mítico.  Foi um líder militar de grande porte, vigoroso, temido e respeitado — exactamente o tipo de presença que se espera de um rei que comandou o maior império da Terra do seu tempo.  



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