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| Torre de Babel, pintura de Pieter Bruegel |
Após o diluvio a descendência de Noé multiplicou-se. Durante muito tempo a humanidade vivia unida como um só povo, da mesma raça (ou espécie) e falando a mesma língua e compartilhando as mesmas palavras. Viajando juntos, esses homens deslocaram-se para o oriente e encontraram uma vasta planície na região de Sinear, uma terra fértil situada onde era a antiga Babilónia. Uma vez ali chegados decidiram se estabelecer e construir o seu futuro.
Naquele agradável lugar, perceberam que podiam usar a sua inteligência e criatividade, para desenvolver novas técnicas de construção, preparando tijolos cozidos ao fogo em vez de simples pedras e usando o betume como argamassa para unir cada parte da obra. Cheios de confiança nas suas próprias capacidades, disseram uns aos outros que deveriam erguer não apenas uma cidade, mas também uma torre tão alta que parecesse tocar os céus, símbolo máximo do poder humano e da grandeza do seu nome. O objectivo, mais do que prático, era espiritual e simbólico: queriam se tornar famosos, garantir a sua própria segurança e evitar que fossem espalhados pela face da terra, preferindo a união em torno do próprio orgulho à obediência à vontade de Deus.
Dia após dia, a construção crescia no meio da planície, e a cidade fortalecia-se como um centro de poder e de ambição dos descendentes de Noé. Todos se entendiam com facilidade, pois ainda havia apenas uma linguagem no mundo, e essa unidade de fala facilitava a organização do trabalho, os planos e a continuidade daquele grande projecto. Do lado de fora, quem se aproximasse podia ver uma obra monumental elevando-se no horizonte, acompanhada pela convicção dos homens de que nada seria impossível para eles se continuassem unidos daquele modo.
Entretanto, o Senhor Deus observava o que estava acontecendo na Terra e viu que aquele projecto, nascido da soberba e orgulho do coração humano, representava uma tentativa de exaltar o próprio homem no lugar de Deus. Então o Senhor “desceu” para ver a cidade e a torre — linguagem bíblica que mostra a atenção cuidadosa de Deus diante da pretensão humana de alcançar o céu por conta própria. Ele reconheceu que, enquanto todos fossem um só povo e falassem uma só língua, continuariam a usar essa unidade para projectos que afastavam os seus corações da obediência e da confiança n'Ele.
Foi então que Deus decidiu intervir de um modo inesperado. Em vez de derrubar a torre com um grande desastre visível. Ele tocou directamente na comunicação entre as pessoas. De um momento para o outro, os trabalhadores começaram a falar línguas diferentes, e aquilo que antes fluía naturalmente — ordens, planos, combinações — transformou-se numa grande confusão. Um pedia tijolos, outro entendia pedras, um queria betume, o outro trazia água, e assim por diante, incapazes de se entenderem, os homens experimentaram a ruptura da sua antiga unidade.
Com a comunicação quebrada, a obra da torre foi gradualmente abandonada, pois já não havia como coordenar esforços nem manter o projecto comum que antes os motivava. Aquela cidade recebeu o nome de Babel, palavra associada à ideia de confusão, porque ali o Senhor confundiu a língua de toda a Terra e, a partir dali, ordenou que os povos se espalhassem por diferentes regiões. O que era para ser um monumento à glória dos homens acabou se tornando um marco de dispersão, lembrando às gerações futuras que toda tentativa de alcançar o céu confiando apenas na própria força termina em frustração.
A história da Torre de Babel passou, assim, a ser contada como uma explicação para a multiplicidade de línguas e culturas presentes na humanidade. Mais do que isso, tornou-se um alerta sobre o perigo do orgulho colectivo, quando povos e sociedades procuram construir a sua segurança e identidade afastados de Deus, utilizando os seus dons e capacidades para se exaltar em vez de servir. Dessa forma, o relato bíblico lembra que a verdadeira unidade não nasce apenas de uma língua em comum ou de um grande projeto humano, mas da humildade de reconhecer a soberania de Deus sobre toda a Terra e sobre toda a humanidade.
Este mesmo disparate de desobediência e afronta a Deus está actualmente em marcha nos países ocidentais, sendo levado a acabo por políticos adeptos do satanismo e do ateísmo. Esses mesmos políticos fazem questão de que isso fique bem claro e o edifício do Parlamento Europeu é a prova disso mesmo.
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| Edifício do Parlamento Europeus, em Bruxelas, Bélgica. A semelhança do edifício com o da pintura de Pieter Bruegel é notável. |
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