A conquista da cidade de Santarém aos mouros

Tomada de Santarém aos mouros.
Pintura de Roque Gameiro,  Quadros da História de Portugal,  1917


Estava-se no ano de 1147, em plena reconquista da Península Ibérica.  A cidade de Santarém tinha uma localização estratégica pois era crucial para a expansão do território a Norte do rio Tejo, além de que as suas terras eram muito férteis o que tornava a cidade uma das mais ricas não só da Península Ibérica, mas também de todo o Império Almorávida.  

Por motivos de ordem estratégica, D. Afonso Henriques encontrava-se na cidade de Coimbra e havia celebrado tréguas com o Alcaide da cidade.  Por essa razão incumbiu o cavaleiro Mem Moniz, filho de D. Egas Moniz, que fosse a Santarém com o pretexto de tratar assuntos relativos à paz com o Alcaide.  Porém, o seu verdadeiro objectivo era espiar as defesas da cidade e tentar descobrir a parte mais vulnerável para se fazer um ataque.  

Mem Moniz, uma vez regressado a Coimbra, cidade onde estava D. Afonso Henriques e o seu exército, informou-o sobre a melhor forma de penetrar em Santarém.  Reuniram-se e discutiram os detalhes, e após terminada a reunião D. Afonso Henriques só comunicou as suas intenções ao seu alferes Pero Paes, a Lourenço Viegas e a D. Gonçalo de Sousa.  

D. Afonso Henriques, partiu então de Coimbra com 250 dos seus melhores cavaleiros com a intenção de capturar a cidade moura de Santarém.  Antes da ofensiva, acamparam em Codornelas e dessa localidade enviou um emissário a Santarém a informar o Alcaide do fim das Tréguas.  

Na noite de 14 de Março de 1147, D. Afonso Henriques e o seu exército chegaram a Santarém.  D. Afonso Henriques incumbiu aos primeiros soldados a subir ao castelo, que levantassem de imediato o estandarte portucalense, a fim de motivar os companheiros de armas e enganar os inimigos, levando-os a acreditar que já haviam conquistado a fortaleza.  

Com a ajuda de escadas, quarenta e cinco homens escalaram as paredes do castelo, mataram os sentinelas mouros, hastearam o estandarte portucalense na torre de menagem e forçaram o seu caminho para o portão, abrindo-o a fim de permitir que o corpo principal do exército português entrasse na cidade.  A resistência moura foi forte, porém, já na manhã de 15 de Março de 1147, os mouros foram derrotados. 

Conforme mencionei anteriormente, naquela época Santarém era uma posição estratégica, e a sua posse permitiu que os portugueses protegessem áreas vizinhas, como Coimbra e Leiria, contra os frequentes ataques dos mouros.  Além disso, Santarém serviu como base avançada para futuras operações militares.  

A conquista de Santarém foi de importância vital para a estratégia de D. Afonso Henriques, pois a sua posse significou o fim dos ataques dos mouros muito frequentes sobre Coimbra e Leiria, e também permitiu um ataque a Lisboa, que se veio a realizar no futuro com o auxilio de Cruzados. 

Assim, a conquista de Santarém teve um relevante significado histórico na Reconquista da Península Ibérica, pois abriu caminho para um ataque posterior à cidade de Lisboa, que também estava sob domínio mouro.  A vitória em Santarém fortaleceu a posição de D. Afonso Henriques e a sua capacidade de expandir o território cristão.  

Para concluir, podemos afirmar que a conquista de Santarém é considerada a primeira operação especial na história das forças armadas portucalenses, uma vez que o grosso do exército só combateu depois de uma pequena "elite" de homens ter aniquilado estrategicamente as sentinelas que vigiavam a cidade.  A conquista de Santarém foi um marco importante na luta pela recuperação das terras ocupadas pelos mouros e contribuiu para a formação do futuro Reino de Portugal.  



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Comentários

  1. Boa posta! Para mim, todas as postas sobre o nosso fundador são boas! 😝

    Só faço um pequeno acrescento, se me permites: para além do seu enorme valor estratégico-militar, a cidade de Santarém era também uma das mais ricas da Península Ibérica, aliás, de todo o Império Almorávida. Outro facto curioso é que a conquista de Santarém é considerada a primeira operação especial na história das forças armadas portuguesas, uma vez que o grosso do exército só combateu depois de uma pequena "elite" de homens ter aniquilado estrategicamente as sentinelas que vigiavam a cidade, como bem mencionas no texto!

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    1. Osbert of Bawdsey22 março, 2026 18:07

      [... Só faço um pequeno acrescento, se me permites: ...]
      Claro!... Comigo tás sempre à vontade para escreveres o que quiseres. 😊

      Agradeço a informação complementar vou acrescentar ao texto.
      Obrigado, abraço!

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