Salazar e Estado Novo

António de Oliveira Salazar
António de Oliveira Salazar


NASCIMENTO  DE  SALAZAR

Deus quis que a criança viesse ao mundo quando já não era esperada, o pai António de Oliveira e a mãe Maria do Resgate, já não eram jovens e tinham 50 e 44 anos respectivamente.  No decorrer de 9 anos de casamento tiveram 4 filhas, Marta, Elisa, Leopoldina e Laura.  O parto correu sem problemas em casa da família, no Vimieiro, uma localidade perto de Santa Comba Dão.  Era domingo, dia 28 de Abril de 1889, e o relógio apontava aproximadamente três horas da tarde.  

O menino seria batizado a 16 de Maio desse ano e chamar-se-ia António de Oliveira Salazar.  António de Oliveira como o pai e Salazar como o avô materno.  Foram escolhidos para seus padrinhos a ilustre e abastada família dos Perestrelos, pai e filha, cujos nomes eram, António Xavier Perestrelo Corte-Real e Maria de Pinna Perestrelo.  

Os Perestrelos não obstante aceitarem o convite para padrinhos, fizeram-se representar por um carpinteiro de nome Francisco Alves da Silva e pela sua esposa Luísa da Piedade.  Os Perestrelos não foram à igreja porque a pesar do feitor António de Oliveira não ser propriamente pobre, o carpinteiro e a sua esposa estariam mais ao nível dele.  



QUEDA  DA  MONARQUIA


Em 1908, a situação económica, política e social de Portugal estava a deteriorar-se dia após dia.  Os homens da Igreja, monárquicos, temem pela sorte da família real e vivem em constante sobressalto com as constantes ameaças de derrube do regime monárquico por meios revolucionários, a serem levados a cabo por parte dos republicanos.  Estes eram influenciados em certa medida por forças estrangeiras.  O rei D. Carlos não sabia como resolver esse gravíssimo problema.  

Entretanto, em 28 de Janeiro de 1908, falha uma tentativa para derrubar o regime monárquico.  Três dias depois, a 1 de Fevereiro, o rei D. Carlos e o príncipe herdeiro D. Luís Filipe, foram assassinados no Terreiro do Paço.  Com o assassinato do rei praticamente acabou o regime monárquico em Portugal.  O seu filho mais novo D. Manuel II, ainda foi coroado rei, mas devido à sua tenra idade e falta de preparação não conseguiu aguentar o regime por muito mais tempo.  O político Afonso Costa, um marrano,[1] rufia violento e de modos rudes, já antes tinha, meio que ameaçado de “morte” o rei D. Carlos, proferindo a seguinte frase:  

“ Por muito menos crimes do que os cometidos pelo senhor D. Carlos,
rolou no cadafalso, em França, a cabeça do rei Luís XVI. ”


Afonso Costa era membro da Maçonaria e foi por alguns poucos considerado o principal suspeito de ser o mandante desse assassinato levado a cabo por membros da Carbonária.  

Essa organização criminosa era considerada o braço armado da Maçonaria e tinha sido recém criada em Portugal.  Após o assassinato do rei D. Carlos, a Carbonária foi rapidamente extinta no nosso país.  

Os republicamos (em sua grande maioria maçons e anti-Igreja Católica), através dos jornais e publicações da época, andavam há já algumas décadas a envenenar as cabeças do povo português contra a monarquia e contra a Igreja Católica.  Assim, desta forma, os republicanos de corrente ideológica liberal e anti-Igreja Católica, em 5 de Outubro de 1910, os maçons republicanos liberais, conseguiram derrubar a monarquia e instaurar em Portugal a primeira República.  

Em poucos dias o novo regime republicano, liberal e maçónico, atacou a Igreja Católica, Afonso Costa que ocupava a pasta pasta da Justiça e Cultos, ajudou com afinco na promulgação da Lei abolindo o ensino religioso em Portugal.  Em 20 de Abril de 1911, foi promulgada a Lei da Separação entre o Estado e a Igreja.  Em 16 de Outubro, Afonso Costa, clama no Parlamento por uma política de total intransigência contra os "conspiradores" monárquicos.  

Porém, contrariamente aquilo que o ignorante e ingénuo povo português pensava, o regime republicano, liberal, ateu e anti-Igreja Católica, não resolveu nenhum problema do país, bem pelo contrário, os principais problemas do país agravaram-se ainda mais.



INSTAURAÇÃO  DA  DITADURA


O ano de 1916, foi particularmente terrível para Portugal, sucediam-se greves por mesquinhices, a criminalidade nas ruas era altíssima, havia muita agitação social e os partidos políticos não se entendiam.  A situação económica do país era gravíssima, chegou-se ao ponto de Portugal só ter farinha de trigo para pouco mais que uma semana.  Muitas padarias foram saqueadas e a farinha teve de ser racionada.  O comércio de trigo teve se ser limitado até 30 litros por família a fim de assegurar a viabilidade de pequenas sementeiras e de algum pão para o povo.  

Foi então que, Afonso Costa, em pânico com a ameaça de fome e eventual guerra civil, viu-se obrigado a pedir um empréstimo de 3 milhões de Libras a Inglaterra, que só foi concedido com a contrapartida de Portugal entrar na Primeira Guerra Mundial ao lado dos ingleses.  

Portugal comprometeu-se e enviou para a frente de combate 55.000 homens. Lamentavelmente a participação portuguesa na guerra foi catastrófica e houve um elevadíssimo número de baixas nos soldados nacionais.  

O descontentamento do povo era geral.  Foi então que, uma parte considerável da população portuguesa começou a ser da opinião que tinha sido um grande erro instaurar a República.  

Entretanto, face à péssima situação política e social de Portugal, surgiu um marechal chamado Gomes da Costa — monárquico convicto — que encabeçou um grupo de militares que eram da opinião que em Portugal fosse instaurada uma ditadura militar que governasse o país com pulso de ferro a fim de impor disciplina no povo.  

Foi então que, com esse objetivo em mente o marechal Gomes da Costa reuniu um pequeno exército e avançou para a tomada do poder em 28 de Maio de 1926.  Os militares revoltosos saíram da cidade de Braga e dirigiram-se para Lisboa com o objetivo de derrubar o governo e tomar o poder.  Todavia, esse pequeno exército não estava sozinho, militares por todo o país aderiram ao golpe de Estado que terminou com um desfile pelas ruas de Lisboa e com aplausos dos populares.  

Na altura o Presidente da República era o maçon Bernardino Machado, que de imediato se demitiu e entregou o lugar ao também maçon, almirante José Mendes Cabeçadas, que tinha liderado a revolta militar em Lisboa.  

A partir dessa altura foram proibidos os partidos políticos e acabaram as eleições.  Os governantes passaram a ser escolhidos e nomeados pelos militares.  A par disso, foram também proibidos os sindicatos, as greves e as manifestações, assim como as emissoras de rádio, os jornais e outras publicações, passaram a ser controladas e censuradas.  Ou seja, a população ficou limitada nas suas liberdades de expressão e de ação, principalmente se fossem contra o governo.  

É claro que, estas duras medidas foram absolutamente necessárias para pôr o país e a sociedade em geral no rumo certo.  Portugal rapidamente entrou na ordem, porém os graves problemas económicos persistiam e continuavam por resolver.  

Entretanto, em 1928, o general Óscar Carmona foi eleito Presidente da República.  Endereçou um convite para o Ministério das Finanças a um jovem professor da Universidade de Coimbra, chamado António de Oliveira Salazar e que a pesar de jovem já gozava de grande reputação.  

Salazar, orgulhosamente aceitou o cargo e estava decidido a resolver os problemas económicos que atormentavam o país.  

Rapidamente Salazar conseguiu fazer aquilo que nenhum outro ministro das finanças tinha feito até então, ou seja, aumentou as receitas, reduziu as despesas e assim equilibrou as contas do Estado.  Salazar tornou-se o ministro mais importante do governo, sendo-lhe atribuído o cognome de “salvador da pátria”, ele tornou-se numa espécie de herói nacional.   

Salazar tinha uma inteligência acima da média e uma habilidade nata para assuntos de economia, então muito naturalmente sobressaiu entre todos os homens de Estado.  Tal facto fez com que em 1932, o Presidente da República Óscar Carmona o tenha nomeado como Presidente do Conselho de Ministros, que na altura era um cargo muito semelhante ao de Primeiro-Ministro na actualidade.  

Para aceitar o novo cargo Salazar exigiu ser o senhor absoluto do governo e assim aconteceu.  Ele passou a controlar tudo e ninguém lhe fazia frente.  Criou o Partido União Nacional, que passou a ser o único partido autorizado em Portugal.  Criou também uma polícia política que tinha informadores secretos e perseguia todos aqueles que fossem ou falassem contra o regime.  Em 1933, mandou escrever uma nova Constituição e iniciou um novo regime político em Portugal — uma ditadura — ao qual chamou de Estado Novo.  

Todavia, nem tudo foi pacifico para Salazar.  Em 4 de Julho de 1937, foi alvo de um atentado à bomba quando se deslocava de automóvel para assistir à missa dominical.  O atentado foi feito por um grupo de militantes da CGT - Confederação Geral do Trabalho, cujo líder era Emídio Santana.  Este grupo era de inspiração anarcosindicalista.  

Neste novo regime, deixou de haver liberdade de expressão em Portugal, o que aliás, já não havia mesmo antes dele assumir o governo, os jornais e revistas tinham de enviar previamente para o gabinete de censura quatro cópias de cada página com tudo o que iam publicar.  Por sua vez, o censor, caso lesse algo que na sua ideia pudesse prejudicar o regime impedia a publicação, ou então, cortava com um “lápis azul” o que ele julgasse que não poderia ser publicado.  Para além dos jornais e revistas, a Censura também se fazia sentir em: filmes, peças de teatro, canções, livros, anúncios publicitários, pinturas, caricaturas, etc, etc.  

O povo português também deixou de ter a liberdade de falar sobre política ou dizer mal do regime.  Os que arriscavam a falar eram perseguidos, presos e torturados.  Muitos deles foram enviados para a prisão do Tarrafal, que se situava na ilha de Santiago, em Cabo-Verde.  

Salazar também criou a Mocidade Portuguesa, uma espécie de escuteiros mas com orientação política nacionalista e pró-regime, onde ensinavam as crianças dos 7 aos 14 anos a amar a nação, a respeitar as ideias do regime e a obedecerem-lhes.  

Entretanto, começou a Segunda Guerra Mundial.  Inteligentemente Salazar — com a graça de Deus — manteve Portugal neutro e livrou o nosso povo dos horrores da guerra.  Também, sabiamente, aproveitou-se da situação e exportou alimentos e outros produtos para os principais países envolvidos na guerra e, principalmente, volfrâmio, que era um minério utilizado para endurecer o aço do armamento militar.  Essas exportações renderam ao país muito dinheiro e Salazar aplicou todo esse dinheiro em obras publicas, tais como hospitais, estradas, caminhos de ferro, pontes, aeroportos, etc.  

Não obstante o país ter recebido muito dinheiro proveniente das exportações, a generalidade do povo português vivia com bastantes carências e foi nessa altura — pós-guerra — que se deu inicio à “onda” emigratória principalmente para países da Europa Ocidental e Brasil.  



OPOSIÇÃO  AO  REGIME
E
GUERRA  COLONIAL


O povo estava descontente e foi então que os opositores ao regime apoiados por várias potencias estrangeiras (EUA, Inglaterra e outros), juntaram-se aos revolucionários comunistas apoiados pela URSS[2] e começam novamente a envenenar as cabeças do povo português, tal como já o haviam feito no tempo da monarquia.  Como consequência disso, começou a haver instabilidade social e greves um pouco por todo o país.  

Foi então que, corria o ano de 1958, um general — traidor ao regime — chamado Humberto Delgado, secretamente apoiado por potencias estrangeiras, candidata-se a presidente da República.  Num celebre dia, quando Humberto Delgado é questionado por um jornalista sobre o que ele faria ao Presidente do Conselho de Ministros — ou seja, a Salazar — caso ganhasse as eleições, ele respondeu “Obviamente, demito-o!”.  Porém, a pesar de um bom apoio popular, Humberto Delgado perde as eleições para Américo Tomás, que era o candidato escolhido por Salazar e apoiado pelo regime.  

Após as eleições e com o apoio e “liderança” do “general sem medo” como era conhecido Humberto Delgado, Portugal nunca mais teve sossego social.  

O regime tinha imensos opositores interna e externamente, que trabalhavam afincadamente para interesses estrangeiros e cujo objectivo era derrubar o regime.  Por esse facto o regime teve de enfrentar várias manifestações estudantis e algumas tentativas falhadas de golpes de Estado.  Graças a Deus todas elas mal sucedidas.  Entretanto, Humberto Delgado acaba por ser assassinado em Espanha pela PIDE,[3] que era a polícia secreta portuguesa.

Logo após o fim da Segunda Guerra Mundial, constituiu-se a ONU[4] e ficou acordado pelos países fundadores que mundialmente todas as colónias tinham direito à autodeterminação e a serem independentes.  

Assim, vários países que na altura tinham colónias começaram os respetivos processos de descolonização, entregando o poder político e administrativo aos povos autóctones, tornando assim esses países independentes.  Salazar não aderiu a essa ideia, uma vez que Portugal era um país sem recursos naturais e era das ex-colónias que Portugal adquiria uma boa parte dos recursos que necessitava nomeadamente petróleo, ferro, café, açúcar, chá e frutas diversas, entre outras coisas.  

Entretanto, potências como EUA e URSS, levadas pela ganância e ambição de dominarem o mundo inteiro, começaram a criar e armar movimentos políticos e de guerrilha que reivindicavam a independência nas ex-colónias.  Principalmente em Angola e Moçambique, que eram os países onde se encontravam muitos recursos naturais que essas potências ambicionavam explorar.  

Nessa altura Portugal era dos poucos países que ainda tinham colónias e foi então pelos motivos anteriormente mencionados que em África a revolta dos povos autóctones contra a “ocupação” portuguesa ia aumentado gradualmente.  

Aos poucos, os EUA e a URSS, foram armando as milícias de africanos autóctones que mais tarde fizeram guerra aos colonos portugueses.  A guerra colonial era previsível.  

Posto isso, foi então que em 15 de Março de 1961, em Angola, a UPA,[5] que era uma milícia de guerrilheiros autóctones — pretos — atacou e assassinou barbaramente um grande número de colonos portugueses nas fazendas do Norte de Angola.  Foi um ataque essencialmente traiçoeiro e racista contra civis — brancos — desarmados invés de ser dirigido ás forças militares e policiais do regime.  

Em resposta a esse ataque sanguinário e brutal, Salazar comunicou ao povo português que iria enviar tropas para Angola.  Nessa comunicação ficou celebre a frase “Para Angola, rapidamente e em força”.  Começou então a Guerra Colonial, que se estendeu a todas as colónias portuguesas com excepção de Macau.  

A Guerra Colonial prolongou-se por 13 anos e envolveu todas as colónias portuguesas nos continentes da África e da Ásia, ou seja, Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Timor, Goa, Damão e Diu.  Havia outros dois enclaves portugueses na Índia, que se chamavam Nagar Aveli e Dadrá, mas já tinham sido perdidos no ano de 1954.  

A função dos contingentes de soldados portugueses enviados para África, foi de impedir que os guerrilheiros independentistas se apoderassem daquilo que Salazar achava que era — a extensão do — território português, ou seja, o território português ia desde a Metrópole até Timor.  

A Guerra Colonial foi um dos momentos mais traumáticos da nossa história e deixou marcas muito profundas na sociedade portuguesa, principalmente porque houve milhares de soldados mortos e feridos.  Praticamente todas as famílias portuguesas tiveram alguém a combater na Guerra Colonial.  Muitos portugueses ofereciam-se para ir combater nas ex-colónias, mas muitos outros emigraram clandestinamente para fugir da guerra.  Naquele tempo o serviço militar era obrigatório para todos os homens portugueses e quem se recusasse a cumprir o serviço militar ia preso.  

Todavia, não obstante os constantes protestos de descontentamento popular dentro e fora do país, o regime estava disposto a manter a todo o custo as colónias, até porque, Salazar, estava bem ciente que os recursos naturais das ex-colónias eram indispensáveis a Portugal.  



MORTE  DE  SALAZAR
E
FIM  DO  REGIME


Salazar já há algum tempo que dava sinais de fadiga física e mental e decide instalar-se no Forte de Santo António do Estoril.  

Na manhã de 4 de Agosto de 1968, aconteceu algo inesperado.  Após olhar a barra do Tejo, Salazar senta-se, deixando-se cair — como era hábito dele — sobre uma velha cadeira toda desconchavada, do tipo realizador de cinema, já com a lona ressequida pelo tempo, a cadeira quebrou-se, ele caiu e bateu com a cabeça no chão.  Passado esse evento, ainda nessa mesma manhã, Salazar recebe a visita do seu barbeiro, depois, em pé, leu o jornal que este lhe tinha trazido e ao sentar-se numa cadeira que momentos antes tinha sido arredada para o lado, caiu totalmente desamparado e bateu novamente com a cabeça no chão.  Dias depois, Salazar queixa-se de dores de cabeça e arrasta ligeiramente a perna direita.  A 6 de Setembro, Salazar foi internado no Hospital da Cruz Vermelha e submetido a uma intervenção cirúrgica.  No dia 16, sofre uma trombose e ficou impedido de continuar a governar.  

Os relatórios e opiniões dos médicos indicavam que dificilmente Salazar iria voltar a ter condições psíquicas e físicas para continuar a assumir a liderança do país.  

Face a este problema, o Presidente da República Américo Tomás, reúne-se com todo o Aparelho de Estado e rapidamente o regime tomou as medidas necessárias para substituir o líder e nomeou para Presidente do Conselho de Ministros um famoso professor de Direito, chamado Marcelo Caetano.  

Não se realizaram eleições em virtude do regime ser uma ditadura e, logo portanto, Marcelo Caetano foi nomeado diretamente pelo Presidente da República, Américo Tomás.  

Em 27 de Julho de 1970, é comunicado ao país o falecimento de Salazar.  



CONSIDERAÇÕES  FINAIS


Com a mudança do Presidente do Conselho de Ministros e o falecimento de Salazar, o povo português teve a esperança que a ditadura acabaria e consequentemente também a Guerra Colonial, mas foi uma pura ilusão.  Muito pouco mudou com estes dois eventos.  

Finalmente, o fim do regime político criado por este grande estadista português, veio 4 anos após a sua morte.  

Um grupo de oficiais militares com o pretexto de haver injustiças ao nível de promoções nas carreiras militares, conspiram contra o regime em conluio com um discreto apoio de forças estrangeiras.  Então, em 25 de Abril de 1974, levaram a cabo um golpe de Estado que foi bem sucedido e que ficou conhecido como o Movimento dos Capitães de Abril.  

Como nota final, é imperativo dizer que gostemos ou não de Salazar, ele foi um dos melhores, senão mesmo o melhor estadista português de todos os séculos.  Sozinho contra o mundo, sozinho contra todos os escroques de Portugal e sozinho contra todos os conspiradores internos e externos, mas, mesmo assim, conduziu sempre a sua nação pelo bom caminho.  

Salazar fez o seu melhor por Portugal e pelo seu povo.  Erros, todos nós cometemos e ele também os cometeu, porém, cuidou de Portugal como se da sua própria casa se tratasse, e, cuidou do seu povo como se dos seus próprios filhos se tratassem.  Devemos pois, estar-lhe gratos!...  

Porém, o seu maior feito foi curar o seu pobre país de uma “doença crónica” chamada endividamento sistemático.  “Doença” essa que regressou mais tarde, e, mais uma vez com um regime Republicano, Democrático e Liberal, imposto ao povo português por forças estrangeiras em 25 de Abril de 1974.  Regime que em poucas décadas mostrou ser um fracasso total, não só em Portugal, mas em todo o Ocidente.  



 ■ ■ ■



NOTAS  DE  RODAPÉ: 
[1] - Português descendente de judeus, ou judeu nascido em Portugal.  Também denominado de
          Cristão-novo.  B'nei anussim (em tradução literal, “filhos dos forçados”) ou marranos, são
          expressões hebraicas que designam os descendentes de judeus convertidos compulsivamente
          a outras religiões (anusim), sobretudo ao cristianismo e islamismo.  Mais especificamente,
          costumam referir-se aos descendentes dos judeus sefarditas portugueses e espanhóis, que 
          foram obrigados a abandonar a Lei judaica e a converterem-se ao cristianismo, contra a sua
          vontade, para escapar às perseguições movidas pela Inquisição.  Muitos desses marranos dos
          reinos cristãos da Península Ibérica cripto-judaizavam, ou seja, continuavam a observar e praticar
          clandestinamente os seus antigos costumes e a sua religião anterior que era o judaísmo.  
          Para saber mais ver:  https://pt.wikipedia.org/wiki/Afonso_Costa

[2] - URSS – União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, era a antiga denominação da Rússia, dado
          que era composta por vários países (repúblicas).  

[3] - PIDE - Polícia Internacional de Defesa do Estado.  PIDE era a sigla que designava a polícia secreta
          portuguesa, criada para defender Portugal das ameaças internas e externas.  

[4] - ONU – Organização das Nações Unidas.  Foi criada com o objectivo de instaurar a paz e a ordem
          entre todas as nações do mundo.  Também há quem a considere que é uma forma subtil de 
          Governo Mundial.  

[5] - UPA - União das Populações de Angola.  Foi fundado em 1954, com o nome de, União das
         Populações do Norte de Angola (UPNA), assumindo posteriormente, em 1958, o nome de, União
         das Populações de Angola (UPA).  Actualmente chama-se: Frente Nacional de Libertação de
         Angola (FNLA), e é um partido político angolano orientado no espectro de centro-direita, 
         à direita.  



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Comentários

  1. Excelente texto. Eu penso que o grande defeito do Salazar é que ela nunca percebeu que "o melhor escravo é aquele que se julga livre". Reprimir violentamente as pessoas só faz com elas reforcem as suas convicções, mesmo quando estão erradas. Muitos nacionalistas contemporâneos também parecem incapazes de compreender isso.

    Já os (((nossos grandes amigos))) agem de uma forma completamente diferente. Escrevem livros, revistas e artigos de jornal; utilizam a Academia para reescrever a História e fazer "ciência" que os legitime; fazem filmes, peças de teatro e até jogos de computador que vão moldando a consciência colectiva das massas no sentido que (((eles))) desejam; promovem futebóis, telenovelas, festivais e espectáculos de todos os tipos para manter as mentes subordinadas e obedientes. E só quando tudo isto falha é que passam à repressão...

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    1. Osbert of Bawdsey03 fevereiro, 2026 22:21

      Sim, (((eles))) trabalham muito bem a arte da manipulação.
      Mas também usam o grande trunfo da vitimização, que foi o que lhes deu a grande vantagem durante várias décadas. Embora parece-me que ultimamente essa carta já não funciona tão bem como dantes.

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    2. Osbert of Bawdsey03 fevereiro, 2026 22:23

      Ah!... Ia me esquecendo, obrigado pelo elogio do texto! 😊 👍
      Agora estou a trabalhar em 2 novos, sobre a Irão e sobre o Haiti.

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